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Tecnologia aumenta disputa e ajuda a baratear crédito, diz diretor do BC

João Manoel Pinho de Mello, diretor do BC - Pedro Ladeira/Folhapress
João Manoel Pinho de Mello, diretor do BC Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

12/11/2019 12h40

Resumo da notícia

  • Empresas de adquirência (maquininhas) muitas vezes são 1º acesso de brasileiros ao sistema financeiro, disse diretor do BC
  • Segundo ele, isso ajuda a levar mais produtos bancários a menores custos a mais pessoas e empresas
  • Crédito positivo e 'open banking' devem ampliar oferta de crédito e ajudar a reduzir custos para consumidores e empresas, disse

As novas empresas de adquirência, aquelas que oferecem os serviços das maquininhas, são fundamentais para ampliar o acesso dos brasileiros ao crédito, disse o diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello.

Para ele, essas companhias representam, muitas vezes, o primeiro acesso de brasileiros ao sistema financeiro e estão ajudando a levar mais produtos bancários a menores custos a mais pessoas e empresas.

"As pessoas às vezes não percebem, mas essas empresas de adquirência, as das maquininhas, muitas vezes representam o primeiro contato de muitos brasileiros com os meios de pagamento", disse, nesta terça-feira (12), no 14º Seminário Internacional organizado pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), em São Paulo. "A concorrência no setor bancário começou pelas empresas de adquirência", afirmou.

Segundo o diretor do BC, o próximo passo esperado depois que ocorre a inclusão dessas pessoas e pequenas empresas no sistema financeiro é a oferta de crédito de forma sustentada.

Pinho de Mello disse que a atuação das novas empresas de adquirência foi possível graças à atuação dos órgãos reguladores, que, anos atrás, quebraram um sistema em que havia pouca concorrência, quando contratos de exclusividade entre bancos, grandes empresas de pagamentos e bandeiras de cartões impediam que novas maquininhas pudessem entrar no mercado.

Atuação dos órgãos reguladores

"Nossa primeira aposta é na concorrência, mas ocasionalmente ela pode não atingir os objetivos, e cabe ao regulador intervir", disse o diretor do Banco Central.

Em outubro, por exemplo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aceitou denúncia e abriu processo contra o banco Itaú Unibanco e contra a credenciadora de cartões Rede, por concorrência desleal, infração à ordem econômica e medidas anticompetitivas.

Para Pinho de Mello, as novas empresas de adquirência, juntamente com as fintechs e cooperativas de crédito, vão ganhar relevância na oferta de crédito para pessoas e empresas, elevando a concorrência e, assim, reduzindo os custos dos tomadores de financiamento.

Tecnologia ajudou a ampliar concorrência

O diretor do Banco Central destacou, ainda, a importância dos investimentos em tecnologia, que permitiram fazer com que novas empresas pudessem disputar mercado com grandes bancos. "A tecnologia diminuiu as barreiras de entrada porque não tem os custos das agências", afirmou.

Pinho de Mello fez questão de ressaltar que o Banco Central está atento à segurança para garantir que esse processo de entrada de novas empresas no mercado bancário e financeiro do país ocorra de forma totalmente segura. "Nosso papel é deixar que a tecnologia produza seus efeitos para as empresas e pessoas de forma segura", afirmou.

Open banking e cadastro positivo

O diretor do BC disse que os próximos passos do processo de democratização dos serviços bancários e financeiros no Brasil são o Cadastro Positivo e o "open banking".

Open banking, ou banco aberto, é um sistema que permite a troca de informações entre os participantes do sistema bancário. Já o cadastro positivo é um conjunto de regras em que os grandes bancos terão de compartilhar informações sobre bons pagadores para todos os concorrentes. Assim, bancos menores e fintechs poderão disputar esses clientes, aumentando a competição.

O diretor do Banco Central ressaltou que esse processo passa pela proteção dos dados de consumidores e empresas. Ou seja, quem não quiser abrir suas informações por algum motivo, basta informar aos órgãos do setor financeiro que não deseja a abertura de suas informações de consumo. E haverá penas para as empresas que não respeitarem essa vontade.

"O open banking é o cadastro positivo elevado a algumas potências. Então precisa ter ainda mais governança", disse o diretor do Banco Central.

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