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CNI diz que corte no Sistema S afetará Senai e Sesi de 'forma drástica'

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) - Alan Marques/Folhapress
Robson Braga de Andrade, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria) Imagem: Alan Marques/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

01/04/2020 11h53

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, por meio de um comunicado oficial, que o corte nos valores do Sistema S anunciado pelo governo federal "afetará de forma drástica" o trabalho realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e pelo Serviço Social da Indústria (Sesi).

"A iniciativa do governo federal vai na contramão do que está sendo feito em diversos países, no sentido de ampliar a proteção social da população neste momento da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus", afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

"Ao reduzir os recursos destinados ao Sesi e ao Senai, sob a justificativa de aliviar o caixa das empresas, o governo cria outro problema muito maior: desarticula e, em alguns casos, inviabiliza a principal rede de apoio à tecnologia e à inovação de empreendimentos industriais, bem como para a formação profissional e a saúde e segurança de milhões de trabalhadores em todas as regiões do país", completou.

A Medida Provisória 932/2020, publicada ontem no Diário Oficial da União, reduz por três meses as contribuições que são recolhidas pelas empresas para financiar o "Sistema S". A medida foi anunciada dentro do pacote emergencial de ações para atenuar os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia do país.

O corte dos valores repassados às entidades começa a valer hoje e vai durar até 30 de junho. A medida alcança entidades como Sesi, Senac, Senai, Sesc, Sest, Senar e Sescoop. Segundo o governo, as alíquotas pagas pelo setor produtivo sofrerão, ao todo, um corte de 50%.

Segundo a nota do CNI, o corte também "pode inviabilizar diversas ações que as duas entidades têm realizado para ajudar o país a enfrentar a pandemia da covid-19, como a manutenção de milhares de respiradores mecânicos".

Robson Andrade ainda apontou o provável aumento do desemprego como um dos efeitos. "Em apenas quatro das 27 unidades da Federação brasileira, o Sistema Indústria terá condições plenas de enfrentar três meses de cortes no orçamento, devido à especificidade das contribuições e da conformação do PIB industrial em cada estado", disse.

Ainda segundo a CNI, o Senai sofrerá os seguintes impactos:

  • 136 centros de educação profissional e serviços tecnológicos fechados
  • 830 mil vagas de qualificação profissional deixarão de ser ofertados
  • 150 escolas e centros de atendimento à saúde do trabalhador fechados
  • 217 mil vagas na educação básica e continuada cortadas
  • 1,9 milhão de pessoas perderão atendimento em saúde
  • 204 mil vacinas deixam de ser aplicadas

Economia