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V, U, W, L: O que são as letras que dizem se crise e desemprego demoram?

Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/05/2020 04h00

A crise causada pelo coronavírus (covid-19) deve trazer impactos fortes à economia brasileira O FMI (Fundo Monetário Internacional), por exemplo, já projeta queda de 5,3% do PIB do país neste ano. Outros estudos falam até em 11%.

Se há poucas dúvidas que a queda da economia brasileira será grande e rápida, a recuperação econômica futura ainda é incerta, principalmente em relação à velocidade.

Para expressar esse ritmo, economistas usam letras. Uma recuperação em formato de V ilustra uma queda rápida e grande e uma recuperação na mesma medida. A letra U indica uma retomada mais suave.

O W mostra movimento irregular, com idas e vindas. O L traduz uma crise que se arrasta por um longo período (a segunda "perna" da letra não sobe, permanente na horizontal, lá embaixo).

O UOL ouviu três economistas para tentar entender como poderá ser a recuperação econômica brasileira após a crise. Segundo as economistas, o tipo de recuperação dependerá, primeiramente, de medidas tomadas neste momento, como o auxílio do governo à economia e aos trabalhadores, o tamanho do isolamento e o impacto do número de mortos.

"Na verdade, a atual crise econômica é, antes de tudo, uma crise de saúde pública. Então qualquer cenário de retomada será traçado a partir de como a epidemia irá evoluir", disse Monica de Bolle, diretora de estudos-latino-americanos e mercados emergentes da universidade americana Johns Hopkins.

Recuperação em "v" é utopia

O consenso entre as economistas ouvidas pelo UOL é que dificilmente o Brasil deverá ter um retorno na mesma velocidade da queda por lentidão nas medidas do governo e dificuldades estruturais do País.

Para Juliana Inhasz, economista e coordenadora da graduação em economia no Insper, além da imprevisibilidade da evolução da pandemia, uma recuperação vigorosa e rápida, em formato de V, já está descartada por causa de dificuldades do governo.

Para a recuperação em V, precisaríamos de um ambiente institucional bom, com o governo colocando dinheiro na economia, estímulo mesmo, sem falências em massa, especialmente de pequenos produtores. Mas, não é o que vem ocorrendo. Não há um plano claro sobre isso.
Juliana Inhasz

Queda, pequena recuperação e queda

A economista Monica de Bolle baseia a análise em um cenário projetado por especialistas: a quarentena poderá ter idas e vindas. Portanto, a recuperação econômica deve seguir esse formato, mais semelhante a um W, com períodos de contração e recuperação.

Se hoje o governo estivesse tratando com seriedade, [as medidas para recuperação] seriam sustentar o sistema de saúde, investir em aumento de capacidade hospitalar e fazer uma reconversão industrial, colocando as fábricas para produzir coisas desse tipo [equipamentos de saúde]. Porque a quarentena intermitente pode ser suavizada se você investir hoje na capacitação do sistema de saúde e isso, por sua vez, tem uma efeito sobre a volatilidade econômica.
Monica de Bolle

Acho que veremos uma retomada muito lenta, em ziguezague, acompanhando a quarentena, de relaxamento e reforço. Não será o tipo de coisa que a gente via de a economia saindo do atoleiro devagar, como em outras crises. Será de extrema volatilidade, de extrema alta, de extrema queda.
Monica de Bolle

Tem de baixar juros e dar mais crédito

Como a recuperação econômica está ligada ao sucesso da quarentena, o governo tem que prover condições para que as pessoas fiquem em casa e, dessa forma, ter uma retomada mais vigorosa ao fim da quarentena, segundo as especialistas ouvidas pelo UOL.

A renda básica emergencial aprovada pelo Congresso vem um pouco nesse sentido.
Fernanda Cardoso, professora de ciências econômicas da UFABC.

Para a economista, é necessário haver uma política monetária para baratear o crédito às pessoas e micro e pequenas empresas, seja instigando os bancos a tornarem o crédito mais baixo ou por meio de bancos públicos.

O acesso ao crédito demanda uma política creditícia do governo. Se for esperar uma atuação do setor privado, a trajetória é contrária. O crédito está caro, pois há risco de inadimplência"
Fernanda Cardoso

Segundo ela, não há um plano estratégico até agora e, por isso, a recuperação pode ser mais longa, na forma de um L.

Demoramos para aceitar que o problema é sério. Aceitar e não negar o inevitável, que é a queda. Aceitar que o isolamento faz parte e talvez isolar mais as pessoas, com mais eficiência, encurtamos o L e a permanência na parte de baixo.
Fernanda Cardoso

Monica de Bolle diz que letargia do governo Bolsonaro fará crise ser mais longa

UOL Economia Explica