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Auxílio pode ser estendido, mas não em R$ 600: 'Conta cara', diz secretário

27.fev.2020 - O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, em coletiva sobre o resultado primário das contas públicas em janeiro - Marcelo Camargo/Agência Brasil
27.fev.2020 - O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, em coletiva sobre o resultado primário das contas públicas em janeiro Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 18h36Atualizada em 28/05/2020 19h01

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, disse hoje que o pagamento do auxílio emergencial pode ser prorrogado, mas não deve continuar em R$ 600. Em entrevista ao "Jornal das 16h", da GloboNews, ele explicou que apenas para pagar as três parcelas já aprovadas serão necessários R$ 150 bilhões, e renovar o benefício nestes moldes ficará muito caro.

"Esse auxílio de R$ 600, da forma que foi aprovado, se transformou em um programa que, em apenas 3 meses, a despesa será de R$ 150 bilhões. Então simplesmente renovar nos moldes atuais... A conta vai ficar muito cara", afirmou, lembrando que as contas públicas registraram em abril um rombo de mais de quase R$ 93 bilhões —o pior resultado para o mês desde o início da série histórica, em 1977.

As previsões para o ano são igualmente ruins. Mais cedo, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues Júnior, anunciou que o déficit primário, que desconsidera o pagamento dos juros da dívida, deve ultrapassar os R$ 700 bilhões em 2020. "Se a gente incluir a conta dos juros", acrescentou Mansueto, "é um buraco fiscal de mais de R$ 1 trilhão. É uma conta muito alta."

O secretário do Tesouro ainda propôs que, se necessária a prorrogação do auxílio emergencial, ela seja focada nas parcelas mais pobres da população. Como alguns estados estão gradualmente retomando as atividades, Mansueto afirmou que será preciso analisar essa volta à normalidade para, aí sim, decidir o que fazer com o pagamento do auxílio.

"O que a gente está vendo hoje em vários estados são protocolos para que algumas atividades voltem gradualmente. Tem que ver como isso vai evoluir nos próximos 30, 40 dias, antes de discutir se será necessário renovar alguma coisa. Mas, claro, quem vai dar a resposta final para isso são os dados do coronavírus. Quem tem a palavra final sobre isso não é economista, é o pessoal da área da saúde", frisou.

Ajuda a estados e municípios

Questionado sobre o socorro a estados e municípios sancionada hoje pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o secretário do Tesouro disse esperar que o dinheiro chegue "o mais rápido possível", já no final da próxima semana. "Todo mundo vai correr para agilizar isso", garantiu.

Mansueto, porém, não vê possibilidade de transferir mais recursos aos entes federados —ao menos não agora. Ele explicou que a ajuda não se limita à distribuição de R$ 60 bilhões a estados e municípios, mas também inclui, por exemplo, a suspensão do pagamento de dívidas junto à União.

"A gente tem que ter muito cuidado. Neste mês de abril, a gente já teve um déficit recorde. Estamos indo para um buraco fiscal, um buraco muito grande. Lá na frente, a gente pode sentar com o Congresso Nacional e discutir se precisa de algo mais. Mas acho que [o socorro aprovado] é adequado para os próximos três meses", avaliou.