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Renault planeja cortar 15.000 empregos no mundo e enfrenta protestos

A montadora francesa Renault planeja cortar cerca de 15.000 empregos em todo o mundo - Denis Thaust/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
A montadora francesa Renault planeja cortar cerca de 15.000 empregos em todo o mundo Imagem: Denis Thaust/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Da RFI

28/05/2020 18h48

A montadora francesa Renault planeja cortar cerca de 15.000 empregos em todo o mundo, dos quais 4.600 na França, como parte de um plano de economia de 2 bilhões de euros (cerca de US$ 2,2 bilhões) em três anos. O projeto, que será anunciado publicamente amanhã, foi comunicado aos sindicatos com representação na empresa hoje. A japonesa Nissan, que forma uma aliança com a Renault e a Mitsubishi, também anunciou hoje o fechamento de uma de suas fábricas em Barcelona, na Espanha.

O plano da Renault prevê, em princípio, aposentadorias antecipadas, medidas de mobilidade interna ou reconversão dos empregados para outras áreas ou atividades profissionais. Segundo as fontes consultadas, o programa de bilhões de euros em economias será dividido em "um terço na produção, um terço na engenharia e um terço nas despesas estruturais, de marketing e distribuição".A fabricante francesa anunciou o objetivo de reduzir sua capacidade de produção global de 4 milhões de veículos para cerca de 3,3 milhões.

Na quarta-feira (27), a aliança Renault-Nissan-Mitsubishi apresentou sua nova estratégia para os próximos anos. O plano privilegia a rentabilidade em detrimento do volume de carros vendidos. As três empresas querem reduzir em 40% os custos de fabricação de cada modelo, por meio de sinergias e fechamento de fábricas. As montadoras também pretendem se concentrar em seus mercados originais.

Ao anunciar a nova estratégia, Jean-Dominique Sénard, presidente da aliança, citou um exemplo concreto de sinergias que o grupo quer buscar na fase pós-pandemia. "No Brasil, temos quatro plataformas para construir seis modelos de carros. No novo esquema, teremos uma unidade em comum, para fabricar sete modelos", disse Sénard. Em outras palavras, a Renault-Nissan-Mitsubishi também fechará fábricas no Brasil.

Reações

A expectativa das demissões em massa provocou reações. O prefeito de Dieppe, na Normandia, onde a Renault fabrica automóveis desde 1969, diz que o fechamento da unidade é algo "impensável". O prefeito comunista Nicolas Langlois lembra que, em 2017, a planta industrial foi modernizada e recebeu investimentos de 35 milhões de euros. Uma parte dos recursos foi obtida por meio de subsídios do Estado francês.

Agora, a unidade tem 400 empregos ameaçados. Uma petição online contra o fechamento da fábrica em Dieppe, onde a Renault fabrica o modelo Alpine, com final de produção já programado, recebeu nas últimas horas 5.200 assinaturas.

Nissan fecha fábrica em Barcelona

Na Espanha, o anúncio do fechamento de uma das três fábricas da Nissan em Barcelona provocou reações do governo. "Lamentamos esta decisão da Nissan de deixar não apenas a Espanha, mas a Europa, um mercado de 700 milhões de consumidores, e concentrar suas atividades na Ásia", reagiu a ministra das Relações Exteriores, Arancha Gonzalez.

As três unidades da montadora empregam 3.000 funcionários e cerca de 20% serão demitidos. A atividade nas fábricas já estava paralisada desde o início do mês, quando os funcionários iniciaram uma greve exigindo um plano de investimentos para evitar as demissões.

Com informações da AFP

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