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PIB: Governo diz que meses sem auxílio não tiveram 'impacto significativo'

Auxílio emergencial foi encerrado em dezembro de 2020 e retomado em abril deste ano - Marcelo Camargo/Agência Brasil
Auxílio emergencial foi encerrado em dezembro de 2020 e retomado em abril deste ano Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

01/06/2021 10h58Atualizada em 01/06/2021 12h33

O governo afirmou hoje que o fim do auxílio emergencial e de outros programas criados para resgatar a economia durante a pandemia não tiveram "impactos significativos" sobre o resultado do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre de 2021, que apresentou crescimento de 1,2% sobre o quarto trimestre do ano passado.

Em sua Nota Informativa, na qual comenta os dados do PIB, o Ministério da Economia afirma que a atividade segue em trajetória de elevação e destaca o "acerto" na política econômica.

"A retirada dos estímulos governamentais temporários, tal como defendido por esta SPE [Secretária de Política Econômica], não teve impactos significativos sobre a atividade no primeiro trimestre do ano", diz a nota do ministério.

O auxílio emergencial foi encerrado em dezembro do ano passado. Em abril deste ano o programa foi retomado, mas para menos pessoas e com um valor inferior —os pagamentos variam de R$ 150 a R$ 375, contra R$ 600 em 2020.

IBGE diz que fim do auxílio afetou consumo das famílias

Ao divulgar o resultado do PIB hoje, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) disse que o fim do auxílio, assim como a inflação e o desemprego, afetou o consumo das famílias. O consumo caiu 0,1% em relação ao quarto trimestre e 1,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2020.

"O aumento da inflação pesou, principalmente, no consumo de alimentos ao longo desse período. O mercado de trabalho desaquecido também. Houve ainda redução significativa nos pagamentos dos programas do governo às famílias, como o auxílio emergencial", afirmou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

A taxa média de desemprego no Brasil foi de 14,7% no primeiro trimestre, totalizando 14,8 milhões na fila em busca de um trabalho no país. Essas são a maior taxa e o maior contingente de desocupados de todos os trimestres da série histórica do IBGE, iniciada em 2012.

Em março, a inflação acumulada em 12 meses era de 6,1%, acima do teto da meta estabelecida para este ano.

Governo diz que auxílio menor é 'mais bem focado'

No documento, o Ministério da Economia diz que o auxílio foi retomado este ano com "escopo limitado e mais bem focados". Além disso, afirma que o "fiscal cliff" (abismo fiscal) nas contas públicas, propagado por alguns analistas, não aconteceu.

"Isso ressalta o acerto de política econômica: a taxa de poupança acumulada, a recuperação do investimento, o robusto mercado de crédito, e o fato de o desemprego ter se concentrado no setor informal são pontos que indicam como o amplo leque de medidas de política econômica tomadas durante a crise foram bem sucedidas, e auxiliaram na retomada econômica sem a necessidade de estímulos fiscais adicionais", diz a nota.

O Ministério da Economia disse ainda que mantém sua preocupação com o teto de gastos —regra que limita o crescimento das despesas do governo à inflação— mesmo num cenário de 'forte estresse fiscal" e que "essa não é uma vitória menor do que o próprio estabelecimento do teto".