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Bolsonaro cobra Petrobras e culpa governadores por preços dos combustíveis

Do UOL*, em São Paulo

08/07/2021 21h24Atualizada em 08/07/2021 21h45

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) cobrou hoje a Petrobras por mais detalhes sobre a composição dos preços dos combustíveis, informação já presente e divulgada periodicamente no site da estatal. Ele também atribuiu os recentes aumentos aos estados, que recolhem ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

"O preço do combustível na refinaria estará no portal da Petrobras, como eu conversei com o senhor presidente [da estatal, Joaquim Silva e Luna], e vamos divulgar na nossa página também toda vez que tiver uma alteração no preço do combustível, para menos ou para mais. Vamos divulgar isso aqui e dizer o valor fixo do imposto federal", anunciou Bolsonaro durante sua live semanal.

Tudo me culpam, né? Preço dos combustíveis: tivemos agora, há dois dias, um aumento no preço dos combustíveis, e obviamente o mundo cai na minha cabeça. (...) O preço mais barato [do Brasil], acredite, é no Maranhão. (...) Mas aí vem seu governador, do Partido Comunista do Brasil [PCdoB], e mete a mão no ICMS.
Bolsonaro, em referência a Flávio Dino, que agora é do PSB

A Petrobras já divulga mensalmente o preço médio dos combustíveis nas refinarias. Em seu site oficial, a estatal ainda reforça que os valores referem-se a combustíveis "tipo A", ou seja, antes da combinação com o etanol, no caso da gasolina, ou do biodiesel, no caso do diesel — e, portanto, são muito mais baixos do que os cobrados nos postos.

Na página da Petrobras, também é possível consultar a composição dos preços de venda dos combustíveis aos consumidores, que também é atualizada periodicamente. De 27 de junho a 3 de julho, data da última coleta de dados, o valor médio da gasolina aplicado nos postos de 13 capitais estava dividido em:

  • 32,4% - Fatia que fica com a Petrobras;
  • 28,6% - ICMS (imposto estadual);
  • 15,7% - Etanol adicionado à gasolina. Hoje, a gasolina vendida nos postos é composta por 73% de gasolina A e 27% de etanol anidro;
  • 11,9% - CIDE, PIS/Pasep e Cofins (impostos federais);
  • 11,4% - Distribuição e revenda, equivalente ao preço na refinaria.

"Monopólio do transporte"

Durante a live, o presidente Jair Bolsonaro também se opôs ao que chamou de "monopólio no transporte de combustível" e disse ser alvo de represálias de setores do empresariado quando propõe a abertura deste mercado.

"Nós temos que botar um ponto final nisso aí, nós temos que abrir a concorrência. O transporte de combustível não é justo", queixou-se. Toda vez que eu entro nessa área, o mundo cai na minha cabeça, porque setores fortíssimos da economia vêm para cima de mim".

Um caminhão tanque, que leva aí 50 mil litros de combustível... Quanto cobra para levar de [Duque de] Caxias [RJ] até a Barra da Tijuca, até Copacabana ou até ao próprio município de Caxias? Para você ver que realmente é um monopólio muito rendoso. (...) [Setores deste mercado] Vão para cima da imprensa, para a imprensa criar narrativas contra mim e me chamar de corrupto.
Jair Bolsonaro, durante live

(*Com Estadão Conteúdo e Reuters)