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Bolsonaro cita crise hídrica e faz apelo: 'Apague um ponto de luz agora'

Do UOL, em São Paulo

26/08/2021 20h13Atualizada em 26/08/2021 23h28

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu hoje o perigo da crise hídrica vivida no Brasil, que classificou como "a maior da história" e "problema sério", e fez um apelo para que as pessoas economizem energia e "apaguem um ponto de luz" em casa. Ele também disse que algumas hidrelétricas, sem especificar quais, podem parar de funcionar caso a situação se agrave.

"Em que pese estarmos vivendo a maior crise hidrológica da história, 91 anos que não tínhamos uma crise como essa... Vou até fazer um apelo a você que está em casa agora: tenho certeza que você pode apagar um ponto de luz na sua casa agora. Peço esse favor para você, apague um ponto de luz agora", disse Bolsonaro durante sua live semanal.

Ajude-nos, assim você está ajudando a economizar energia e a economizar água das hidrelétricas. Em grande parte dessas represas já estamos na casa de 10%, 15% de armazenamento. Estamos no limite do limite, algumas [hidrelétricas] vão deixar de funcionar se essa crise hidrelétrica continuar existindo."
Jair Bolsonaro, em apelo à população

O recente aumento nas contas de luz tem pesado no orçamento das famílias e pressionado a inflação. A prévia do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste mês, divulgada ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), acelerou a 0,89%, após ficar em 0,72% em julho.

Foi a maior variação para agosto em quase duas décadas, desde 2002, quando o índice foi de 1%.

"Qual o problema?"

Assim como em julho, a prévia da inflação de agosto foi puxada pelo aumento nas contas de luz, que chega a 5% no mês, exercendo o maior impacto individual no resultado. Ontem, porém, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse não ver problema na alta dos preços da energia elétrica, acreditando que o país atravessará a crise sem "medo". (Assista abaixo)

"Se no ano passado, que era o caos, nós nos organizamos e atravessamos, por que nós vamos ter medo agora? Qual o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos? Ou o problema agora é que está tendo uma exacerbação porque anteciparam as eleições... Tudo bem, vamos tapar o ouvido, vamos atravessar", declarou Guedes no lançamento da Frente Parlamentar do Empreendedorismo.

Hoje, o ministro explicou ter usado a expressão "qual o problema" para dizer que a crise hídrica é uma variável que o governo não controla, mas que deve enfrentá-la porque "não adianta ficar sentado chorando". Segundo Guedes, a fala de ontem foi "tirada de contexto".

Medidas do governo

A crise hídrica levou o governo a anunciar algumas medidas para redução do consumo de energia em toda a administração pública federal. Um decreto presidencial determinou a redução do consumo de eletricidade desses órgãos entre 10% e 20% em relação ao mesmo mês nos anos de 2018 e 2019, ou seja, antes do período pré-pandemia.

Paralelamente, o Ministério de Minas e Energia decidiu enviar energia elétrica produzida no Nordeste para compensar a escassez do Sul e do Sudeste. Segundo disse ontem Luiz Carlos Ciocchi, presidente do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), isso se deve à "espetacular" geração de energia eólica nos estados nordestinos.

O Brasil passa pela pior seca dos últimos 91 anos, o que está afetando a produção de energia hidrelétrica em todo o país. De acordo com Ciocchi, o governo esperava que em agosto chovesse mais na região Sul, o que não aconteceu, o que levou à necessidade de transferência entre regiões.

Agosto foi um mês muito seco. A única região do Brasil onde poderia ter uma chuva esperada era a região Sul. Essa chuva não apareceu na intensidade que a gente esperava. Então temos aí uma situação bastante crítica.
Luiz Carlos Ciocchi, do CMSE, em coletiva

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)

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