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'Elite jamais respeitou o povo. Isso se vê nas falas de Guedes', diz Dilma

14.set.2019 - A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em evento em Paris, na França - Reprodução/Instagram
14.set.2019 - A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) em evento em Paris, na França Imagem: Reprodução/Instagram

Colaboração para o UOL

07/10/2021 23h03

A ex-presidente e economista Dilma Rousseff (PT) afirmou que uma das grandes causas para os problemas do Brasil é a "insensibilidade" da elite econômica, o que ela acredita ser refletido nas atitudes do ministro da Economia, Paulo Guedes.

"A insensibilidade da elite tem origem na escravidão, a elite jamais respeitou o povo. É isso que se vê nas falas do Guedes", disse a petista ao programa Entre Vistas, da Rede TVT.

Segundo Dilma, o impeachment dela em 2016 foi uma "conspiração com objetivo claro" de enquadrar o país em um regime neoliberal, "que vem sendo imposto ao mundo pela hegemonia dos Estados Unidos e, aqui, é refletido em nossas elites internacionalizadas".

Assim, programas sociais para combater a pobreza e a fome e os de incentivo a geração de empregos perderam espaço, na análise da ex-presidente. Para ela, o ministério da Economia e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "não estão nem aí" para a recuperação financeira do país.

Prova disso seria a descoberta que o ministro da Economia possui contas offshore, ou seja, fora do Brasil e em um paraíso fiscal. "Guedes é homem de mercado financeiro e não é por nada que tem seu dinheiro bem guardadinho nas Ilhas Virgens", falou Dilma.

"No Brasil se discute para o que é o paraíso fiscal, não é só para crime e corrupção, ele foi criado para esconder recursos ligados ao fisco nacional", avaliou. O ministro foi convocado a prestar esclarecimentos sobre isso na Câmara dos Deputados e opositores alegam que há um suposto conflito de interesses.

Risco de apagão e fome

A recente crise energética tem levado especialistas a preverem um possível apagão no próximo verão brasileiro. Para Dilma, "essa conversa é um absurdo". A ex-presidente traçou comparações com um momento de crise parecido em 2001.

Hoje o Brasil tem muito mais condições de enfrentar a situação, porque ampliamos hidrelétricas e termelétricas, fizemos gasodutos. A Eletrobras e Petrobras foram essenciais para enfrentar a crise de apagão. Mas estamos catastróficos na área da gestão. Ignoraram todos os sinais de que haveria problema de seca no Brasil, nunca tomaram as providências que deviam, só de forma atrasada."

A economista citou a Petrobras de novo na entrevista ao falar da importância das estatais brasileiras e o perigo de vendê-las, especialmente para entidades internacionais. "Estatais são as armas de reconstrução do país para estancar a sangria da perda de pedaço da soberania", afirmou.

"O outro pedaço é proteção do meio ambiente e população indígena, se não pudermos interromper e reconstruir logo teremos um problema seríssimo no futuro, algumas coisas não se recuperam mais", explicou.

Segundo a ex-presidente, outra questão urgente no Brasil é a fome. "Temos hoje dados de órgãos que mostram que quase 112 milhões de brasileiros, crianças e adultos, passam alguma forma de carência e insegurança alimentar", falou.

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