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Selic: BC sobe juros para 9,25% ao ano, maior ciclo de altas desde 2002

Para a próxima reunião, em 2022, o Copom prevê um novo reajuste da mesma magnitude, para 10,75% - Getty Images/iStockphoto
Para a próxima reunião, em 2022, o Copom prevê um novo reajuste da mesma magnitude, para 10,75% Imagem: Getty Images/iStockphoto

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

08/12/2021 18h42Atualizada em 09/12/2021 08h53

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu hoje, por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em 1,5 ponto percentual, de 7,75% para 9,25% ao ano — maior patamar desde julho de 2017, quando estava em 10,25% ao ano. O movimento já era esperado por economistas.

O atual ciclo de alta da Selic — 7,25 pontos percentuais em sete reuniões do Copom — é o maior desde o período entre outubro de 2002, último ano do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e fevereiro de 2003, quando os juros subiram de 18% para 26,5% (8,5 pontos). À época, a economia ainda demonstrava desconfiança após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Agora, na visão do BC, o ambiente externo se tornou "menos favorável", com os bancos centrais das principais economias já reforçando a necessidade de cautela frente à inflação, que segue alta no Brasil e no mundo. Além disso, acrescentou, há preocupação com uma eventual nova onda da pandemia com o surgimento da variante ômicron do coronavírus, já identificada em mais de 50 países.

Para a próxima reunião, marcada para daqui 45 dias, o Copom ainda prevê um novo reajuste da mesma magnitude. Se a projeção se concretizar, a Selic passará dos atuais 9,25% para 10,75% ao ano, maior nível desde maio de 2017 (11,25%).

O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. (...) Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica.
Trecho de comunicado do Copom

Poupança também muda

A decisão do Copom também mexe com o cálculo do rendimento da caderneta de poupança. Segundo as regras do BC, quando a Selic está acima de 8,5% ao ano — como agora —, a remuneração passa a ser de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), que está zerada.

Na prática, a poupança agora renderá 6,17% em um ano. Isso porque não basta apenas multiplicar 0,5% por 12 meses (6%), já que os juros são compostos e, portanto, contados em cima dos ganhos do mês anterior.

Até então, com a Selic em 7,75% (ou seja, abaixo de 8,5%), a poupança rendia 5,43% em um ano — equivalente a 70% da Selic mais TR, como determina a política adotada pelo BC.

Sétima alta seguida

Foi a sétima reunião consecutiva em que o BC decidiu pela alta. Antes disso, os juros passaram sete meses — de agosto de 2020 a março de 2021 — no patamar mínimo histórico (2% ao ano), mesmo com preocupações sobre os efeitos da pandemia da covid-19 no Brasil e no mundo. Foram quatro reuniões do Copom sem alterações na Selic, até o aumento anunciado em março, para 2,75%.

Depois, vieram mais dois reajustes de 0,75 ponto percentual: o primeiro em maio, para 3,50% ao ano, e o segundo em junho, para 4,25% ao ano. Em agosto, a Selic subiu para 5,25% e, em setembro, para 6,25% ao ano — dois aumentos seguidos de 1 ponto percentual. A última alta veio em outubro, esta de 1,5 ponto, para 7,75% ao ano.

"Essa não era minha visão no início do ano. Mas o juro a 2% estava muito baixo, a inflação descolou e o BC teve de correr atrás do prejuízo", avaliou o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, ao jornal O Estado de S. Paulo.

Selic nas últimas dez reuniões

  • 08 de dezembro de 2021: 9,25% ao ano
  • 27 de outubro de 2021: 7,75% ao ano
  • 22 de setembro de 2021: 6,25% ao ano
  • 4 de agosto de 2021: 5,25% ao ano
  • 16 de junho de 2021: 4,25% ao ano
  • 5 de maio de 2021: 3,5% ao ano
  • 17 de março de 2021: 2,75% ao ano
  • 20 de janeiro de 2021: 2% ao ano
  • 9 de dezembro de 2020: 2% ao ano
  • 28 de outubro de 2020: 2% ao ano

Juros x inflação

Os juros são usados como uma ferramenta para tentar controlar a inflação ou tentar estimular a economia. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

A meta de 2021 é que a inflação fique em 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo — entre 2,25% e 5,25%. Mas até outubro, o índice acumulado nos 12 meses anteriores já estava em 10,67%, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

No ano passado, a inflação fechou em 4,52%, a maior desde 2016 (6,29%) e acima do centro da meta do governo para 2020 (4%).

O Copom se reúne a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro — ontem —, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do comitê, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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