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Investir em fundo de ações é mais vantajoso do que comprar papéis na Bolsa?

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/12/2021 04h00

Quem está começando a investir na Bolsa fica com muitas dúvidas sobre em que empresas apostar. Os fundos de ações podem ajudar nisso, pois contam com profissionais especializados. Você investe nos fundos, e os fundos investem por você.

Mas como funcionam exatamente? Quais as diferenças entre comprar a ação diretamente e delegar a responsabilidade a um gestor de fundo? Para responder a essas e outras questões, o Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL Investimentos, conversou com dois especialistas: Phil Soares, analista chefe de ações da Órama Investimentos, e Marcelo Weber, fundador e CEO da Invexa Capital e professor de finanças. Veja suas dicas sobre como investir em fundos de ações.

Como funciona um fundo de ações?

Phil Soares, da Órama Investimentos, compara o funcionamento de um fundo a um condomínio, onde as pessoas têm o seu próprio imóvel, mas precisam seguir regras para manter uma boa convivência no espaço compartilhado.

"O fundo nada mais é que um 'condomínio de dinheiro'. Todos colocam um pedaço do dinheiro que desejam investir, e as regras são o regulamento do fundo", explicou.

Soares lembra que os gestores são obrigados a seguir as normas estipuladas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No caso dos fundos de ações, a instituição responsável pela regulação do mercado de capitais determina que a composição das ações responda por pelo menos dois terços dos investimentos dos fundos.

"Não adianta nada eu comprar um fundo esperando uma coisa e acabar tendo meu dinheiro exposto a outros fatores. Por isso, o regulamento é um documento importante que todo cotista deveria ler", afirmou ele.

Quais as diferenças na hora da aplicação e resgate?

Marcelo Weber, da Invexa Capital, esclarece que uma das vantagens ao investir em um fundo de ações, é que o investidor delega a gestão dos ativos a uma equipe de profissionais que possui estratégias de investimentos.

Neste sentido, existe a gestão ativa e passiva do patrimônio. Segundo ele, a gestão passiva é aquela que tenta replicar um índice, como o Ibovespa, ou que vai seguir toda a composição do indicador. "Na média, a compra é de papéis com maior volume de negociação e valor de mercado da Bolsa", disse.

Por outro lado, há também a gestão ativa, com empresas que não necessariamente estão na média da composição da Bolsa, mas que podem trazer boa rentabilidade. "São companhias que talvez façam sentido na estratégia daquele gestor para aquele momento", afirmou Weber.

Um exemplo de gestão ativa são os investimentos em empresas que estão baratas naquele momento e que podem se recuperar no futuro.

Entenda quais são as taxas cobradas pelos fundos

O investidor deve saber que precisa arcar com alguns custos operacionais associados aos fundos de investimento, como as taxas de auditoria e de administração. Mas Soares ressalta que, em um fundo com tamanho mínimo, essas obrigações acabam sendo diluídas.

"Então, o carro-chefe do custo de um fundo são as taxas de administração e performance, que formam a remuneração do gestor", disse ele.

De acordo com Soares, as taxas de administração dos fundos de ações geralmente são mais altas, uma vez que é necessário ter uma equipe robusta para a seleção do portfólio e construção da carteira de maneira qualificada. "É uma equipe mais especializada que vai ter a capacidade de escolher as melhores ações", explicou.

Esses custos dependem dos serviços desempenhados pelos fundos e devem levar em conta, ainda, o potencial de retorno. No entanto, no caso do fundo de ações, é comum taxas de 2% ao ano sobre o patrimônio administrado.

Já para a taxa de performance, esse custo fica em torno de 20% sobre tudo o que exceder o Ibovespa, que é o índice de referência para aplicações no Brasil.

Em uma situação hipotética, se o índice registrou alta de 10% no ano e a performance do fundo foi de 15%, o gestor fica com 1% sobre os 5% que ultrapassou o Ibovespa.

Como fica o pagamento de impostos e dividendos?

Soares diz que, caso o investidor faça a compra recorrente de ações durante dez anos, ele terá que pagar os impostos ao final de cada ano. Por outro lado, nos fundos de ações a cobrança de tributo acontece apenas no final daquele investimento.

"Esse imposto que você não pagou passa por um acúmulo de rendimentos. Então, do ponto de vista tributário, é muito mais interessante ter o dinheiro em um fundo", disse.

Já quando o assunto é o recebimento de dividendos, Weber esclarece que o investidor pessoa física que compra ações conta com o benefício da isenção dos tributos sobre a distribuição de dividendos —que são pagos pelas empresas— e a possibilidade de receber esse valor direto na própria conta.

"No fundo de investimento, quem recebe o dividendo é o fundo, e ele vai usar o caixa para investir em mais ações ou em outras opções", explicou.

Mas o fundo de ações serve para qualquer perfil de investidor?

Weber lembra que a falta de educação financeira no Brasil para necessidades do dia a dia, como para o planejamento de gastos de uma viagem, aposentadoria ou mesmo para construção de uma reserva de emergência, é um fator negativo e que afasta os investidores dos fundos de ações.

"Por uma questão de acessibilidade, democratização das Bolsas e dos ativos, essa população começou a se deparar com situações que são difíceis mesmo para os investidores institucionais, que é essa arte de ganhar dinheiro", declarou.

Segundo ele, o investidor que optar por este caminho precisa ter o entendimento que o retorno pode acontecer de médio a longo prazo, em um período de três, quatro ou até dez anos. "Existe um pouco dessa frustração. As pessoas colocam dinheiro nas ações e nos fundos de ações e querem um retorno muito rápido", afirmou.

Outro aspecto importante é ter apenas uma pequena parcela da sua poupança no mercado acionário, mantendo a diversificação com outros produtos disponíveis no mercado.

"Não adianta ter 60 ou 70 anos e colocar todo o patrimônio em ações. Se você precisar de dinheiro para um tratamento médico no ano seguinte, a Bolsa pode ter uma realização [a venda para a obtenção de lucro], e o investidor pode perder seu dinheiro", disse Weber.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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