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Como você pode saber a hora certa de entrar na Bolsa e comprar uma ação?

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/12/2021 04h00

O mercado financeiro cada vez mais tem caído no gosto dos brasileiros, que já são mais 3,8 milhões na Bolsa de Valores, de acordo com dados da B3 divulgados em setembro. Mas o que considerar antes de comprar ações?

Para entender qual o momento de entrar na Bolsa e ajudar nos primeiros passos de quem está começando, o Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos do UOL Investimentos para quem quer aprender a cuidar das próprias finanças, conversou com dois especialistas.

São eles: Paula Reis, investidora que soma mais de 12 anos de experiência e passagens por bancos como Itaú e Safra, além da XP Investimentos; e Rodrigo Crespi, analista de Equity Research da corretora Guide Investimentos, com experiência no banco francês BNP Paribas. Veja o que eles disseram.

Em qual empresa investir?

De acordo com Paula Reis, o primeiro ponto que os investidores devem se ater é conhecer mais sobre a companhia de interesse.

Um exemplo que deve ser evitado são as pessoas que investem por indicação de amigos ou simplesmente porque a empresa apareceu na mídia. Agir somente com base nesses aspectos pode fazer com que o investidor iniciante perca o instante ideal para comprar uma ação.

"Com certeza isso [a indicação] vai te levar ao mercado de ações, mas não significa que você precisa comprar aquela empresa que seu amigo já lucrou. Reunir mais informações com especialistas no momento em que há um aporte disponível é a melhor sugestão", disse.

Paula ressalta também que muitos desses dados são disponibilizados pelas corretoras e casas de análise (research). E que muitas separam essas informações por categorias, como as empresas que pagam bons dividendos, as "blue chips" (empresas mais sólidas e com maior valor de mercado) e as "small caps" (com menor valor de mercado), por exemplo.

Quais análises de ações acompanhar?

Análise fundamentalista

Rodrigo Crespi, da Guide Investimentos, explica que existem dois tipos de análise sobre uma ação.

A primeira é a análise fundamentalista, que observa as informações do balanço financeiro e os múltiplos, como o preço sobre o lucro.

"É necessário comparar a ação da empresa que você está analisando com as demais do setor, como Magazine Luiza, Americanas e Via [antiga Via Varejo]. O papel com o preço sobre o lucro mais elevado, em teoria, estaria mais caro [para investir]", afirmou.

Análise gráfica (ou análise técnica)

A outra forma de considerar uma ação, segundo ele, é fazer a análise gráfica ou técnica. Assim, o investidor deve observar o histórico da empresa para fazer operações de "day trade" (compra e venda no mesmo pregão) ou "swing trade" (compra e venda em semanas ou meses, quando a ação atingir determinado preço).

"Na análise gráfica, a gente busca padrões que o preço já teve no passado para identificar uma grande probabilidade de repetição desses padrões, no swing ou no day trade", afirmou Paula.

De olho nos balanços da empresa

Para fazer o investimento, Crespi ressalta que a pessoa deve observar se os fundamentos daquela empresa começaram a se deteriorar ou não. Neste sentido, verificar a divulgação dos resultados trimestrais é muito importante.

Uma dica para começar a investir, segundo Paula, é olhar para segmentos e companhias com os quais existe familiaridade.

"Quando comecei, às vezes ficava difícil porque parecia que eu tinha que estudar muita coisa para entrar na Bolsa. Mas quando era de uma empresa que eu acompanhava como consumidora, era mais fácil", disse ela.

Outras formas de ganhar dinheiro com ações

Paula Reis explica que uma das formas de rentabilizar o investimento em ações é alugar os papéis. Aqui, há o tomador, que é quem pega emprestado, e o doador, que tem a ação com uma estratégia de longo prazo e não pensa em negociar no momento.

Como no aluguel de um imóvel, o doador vai receber uma taxa por aquela operação. "Quem é detentor dessa ação vai disponibilizar para outro investidor que gostaria de fazer uma operação, como um especulador que aposta na queda do papel", explicou.

Como são montadas as carteiras recomendadas?

Paula diz que as carteiras recomendadas de ações são montadas por analistas que consideram a análise fundamentalista e por outros que consideram a análise técnica. Há ainda o analista pleno, que observa tanto a parte técnica como fundamentalista para recomendar as melhores ações.

"Quando a gente observa quais são as recomendações dos analistas, isso é livre de quaisquer interesses pessoais. Por mais que eu seja investidora e trader, eu não posso, no meu canal no YouTube, dizer para comprar essa ou aquela ação", afirmou Paula, acrescentando que esses pontos são alvos de apuração da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Essas informações são utilizadas para estruturar as carteiras mensais e semanais, para que os investidores encontrem uma oportunidade de compra nos papéis.

De acordo com Crespi, um exemplo seria uma empresa que registrou uma queda brusca no valor das ações, mas que deve reportar um resultado bastante positivo no período trimestral.

"Ali pode ser uma oportunidade de entrada. A gente poderia sugerir em uma carteira semanal, que é um prazo um pouco mais curto. Essas carteiras semanais são feitas para auxiliar os investidores com uma estratégia baseada em um portfólio ou uma carteira de ações, para tentar ter o melhor ganho possível no Ibovespa", declara.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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O Guia do Investidor UOL é uma série de eventos quinzenais e gratuitos que apresenta todos os passos para quem quer aprender a investir e entender melhor sobre o mercado financeiro. Veja as histórias inspiradoras e dicas de especialistas para multiplicar o seu dinheiro