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Dono da Itapemirim nega ter medo de ser preso e se diz 'vítima de complô'

"Estão tentando destruir a companhia [ITA] por outros meios, e não pela competência", disse Sidnei Piva - Divulgação/Itapemirim
"Estão tentando destruir a companhia [ITA] por outros meios, e não pela competência", disse Sidnei Piva Imagem: Divulgação/Itapemirim

Do UOL, em São Paulo

23/12/2021 18h58Atualizada em 23/12/2021 22h44

Dono da Itapemirim, o empresário Sidnei Piva negou ter medo de ser preso e disse se sentir prejudicado com os ataques que tem sofrido após a suspensão das operações da companhia aérea — anunciada de forma repentina na última sexta-feira (17), causando caos nos aeroportos e deixando 45 mil passageiros sem atendimento até 31 de dezembro.

"Não [temo a prisão], de maneira nenhuma", afirmou Piva a Roberto Cabrini, da Record TV, em entrevista que vai ao ar no "Domingo Espetacular" do próximo domingo (26). "Me sinto vítima de um complô, de um ataque. Estão tentando destruir a companhia por outros meios, e não pela competência. Porque pela competência, nós somos os melhores".

Sidnei Piva comprou o grupo de transporte rodoviário Itapemirim por R$ 1 em 2016, quando a empresa já atravessava um processo de recuperação judicial. Assumiu ali também as dívidas da companhia, que hoje somam ao menos R$ 2,2 bilhões.

Pouco menos de quatro anos depois, o empresário fixou seu salário em R$ 300 mil por mês — um valor dentro dos parâmetros do mercado para um presidente de uma empresa grande que apresenta boa performance, mas não para uma com dívidas bilionárias na praça. Diante da polêmica, decidiu abrir mão da remuneração.

Piva também trava uma briga na Justiça com a família que controlava o grupo Itapemirim antes dele. Segundo Andreia Cola, neta do fundador da companhia, Camilo Cola, o acordo firmado com Piva previa que o patrimônio da família não entraria no negócio. Piva, porém, conseguiu na Justiça ficar com os bens dos Cola.

"Nossa família perdeu quase tudo. Casa, apartamento e outros imóveis que não faziam parte da operação, mas faziam parte do patrimônio da empresa, já que a companhia só tinha um controlador", disse Andreia a O Estado de S. Paulo. A Itapemirim, porém, diz que Andreia não tem provas das denúncias, enquanto a disputa segue.

Piva nega todas as acusações das quais é alvo.

Posição da ANAC

Segundo o presidente da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Juliano Noman, a ITA não pode suspender suas operações e depois dizer que voltará a voar, como fez Piva nesta semana. A Itapemirim também afirmou ao Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo) que tem projetado retomar as atividades no dia 17 de fevereiro de 2022.

"[A Itapemirim] até poderá, mas para isso terá de demonstrar que tem condições. A empresa não pode parar de voar, deixar um monte de passageiro no chão e depois, simplesmente, dizer que vai voltar a voar", explicou Noman ao Estadão.

Já vimos notícias sobre situações de inadimplência da Gol e da Azul, por exemplo. É importante lembrar que estamos superando a maior crise da história do setor aéreo. Sabemos que há desafios financeiros para todas as empresas aéreas do mundo por conta da pandemia. Mas, era previsível que a ITA iria parar? Não.
Juliano Noman, da ANAC, ao Estadão

(Com Estadão Conteúdo)

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