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Presidente do BC terá que explicar estouro da meta de inflação a Guedes

Roberto Campos Neto, presidente do BC, terá que dar explicações ao ministro Paulo Guedes - Sérgio Lima/AFP
Roberto Campos Neto, presidente do BC, terá que dar explicações ao ministro Paulo Guedes Imagem: Sérgio Lima/AFP

Do UOL, em São Paulo*

11/01/2022 11h23

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, terá que escrever uma carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, explicando os motivos para o descumprimento da meta da inflação. O índice oficial, divulgado hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), fechou 2021 a 10,06%, quase o dobro do teto da meta.

A taxa ficou bem acima do centro da meta estabelecida pelo BC para o ano passado, que era de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

Esta será a sexta vez desde a criação do sistema de metas para a inflação, em 1999, que um presidente da autarquia terá que prestar explicações. No entanto, a última vez que isso aconteceu, em 2017, a carta teve de explicar por que a inflação terminou o ano abaixo do piso da meta, e não acima. Naquela ocasião, o ministro do Banco Central era Ilan Goldfajn e o ministro da Fazenda era Henrique Meirelles.

Aumentos na Selic

Para tentar conter a inflação, o BC fez sucessivos aumentos na Selic, a taxa básica de juros, e já sinalizou que fará mais.

Na última reunião, em dezembro, a taxa subiu de 7,75% para 9,25% ao ano, maior patamar desde julho de 2017.

Ao subir os juros, o BC procura reduzir o consumo, forçando os preços a cair. O efeito colateral negativo é que isso segura o crescimento econômico.

Por outro lado, quando a inflação está baixa, o BC corta os juros para estimular o consumo.

O ano de 2021 foi marcado, como o BC já vinha destacando, por choques de custos em meio à pandemia de covid-19, que afetou a cadeia de oferta global e provocou alta dos preços em todo o mundo.

A economia brasileira também enfrentou alta de commodities e desvalorização da taxa de câmbio, bem como avanço nos preços dos combustíveis e crise hídrica que pegou em cheio as contas de luz.

Autonomia do BC

O presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou em fevereiro do ano passado o projeto de autonomia do Banco Central, aprovado pelo Congresso Nacional.

Os mandatos do presidente e diretores da autarquia não devem coincidir com o do presidente da República, responsável por indicar os nomes que serão sabatinados pelo Senado. Caso aprovados, os executivos assumem os cargos em 1º de janeiro do terceiro ano de mandato do chefe do Executivo.

O BC, antes vinculado ao Ministério da Economia, passou a ser uma autarquia de natureza especial, sem subordinação hierárquica à pasta e com autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira.

O principal objetivo da instituição, porém, continuará sendo o de garantir a estabilidade de preços, mas zelando pela eficiência do sistema financeiro e trabalhando para suavizar as flutuações da inflação e fomentar o pleno emprego.

* Com Reuters

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