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Brasil tem estoque de diesel para 38 dias sem importação, diz governo

A Petrobras alertou o governo federal sobre o risco de desabastecimento de diesel no Brasil - iStock
A Petrobras alertou o governo federal sobre o risco de desabastecimento de diesel no Brasil Imagem: iStock

Do UOL, em São Paulo*

27/05/2022 18h26Atualizada em 28/05/2022 08h29

O MME (Ministério de Minas e Energia) divulgou uma nota hoje para informar que está monitorando os "fluxos logísticos e da oferta de petróleo, gás natural e seus derivados, nos mercados doméstico e internacional" desde o início da Guerra entre a Ucrânia e Rússia.

A crescente preocupação com o risco de desabastecimento de diesel no segundo semestre no Brasil levou a pasta a divulgar o nível dos estoques do combustível. Segundo o MME, os estoques representam 38 dias de importação. Isso significa que, se as importações do combustível fossem suspensas hoje, os estoques, somados à produção nacional, seriam suficientes para suprir o País por este período.

A divulgação da nota ocorreu após informações da agência Reuters mostrarem que a Petrobras alertou o governo federal sobre o risco de desabastecimento de diesel no Brasil.

"O MME [Ministério de Minas e Energia], atento ao abastecimento nacional de combustíveis, quando do início do conflito que eclodiu no leste europeu, com reflexos na conjuntura energética global, adotou medidas imediatas para intensificar o monitoramento dos fluxos logísticos e da oferta de petróleo, gás natural e seus derivados, nos mercados doméstico e internacional", começa a nota.

A pasta ainda reforçou algumas medidas que vêm adotando no âmbito dos combustíveis, entre elas, a criação da "Mesa de Abastecimento de Óleo Diesel" para acompanhar a situação dos suprimentos.

"A Mesa, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, tem a participação da ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis], EPE [Empresa de Pesquisa Energética] e associações representativas e agentes do setor, (...) reúne-se semanalmente às segundas-feiras, buscando consolidar as expectativas de oferta (produção nacional e importação) com as expectativas de demanda de diferentes prismas e obter diagnósticos mais precisos e antecipados sobre o abastecimento de diesel para os meses futuros."

Segundo a pasta, a Petrobras apontou para a redução da oferta e estoques mundiais de óleo diesel e aumento da demanda pelo produto no segundo semestre deste ano, porém "são fatos amplamente conhecidos e monitorados pelo Comitê Setorial de Monitoramento do Suprimento Nacional de Combustíveis e Biocombustíveis", do MME.

O ministério ainda explicou que marcou na terça-feira (24) uma reunião para a próxima sexta-feira (27), mas negou que o encontro tenha "qualquer relação com o expediente endereçado a este Ministério pela Petrobras".

"De acordo com os dados mais recentes consolidados pelo Comitê, os estoques de óleo diesel S10 representam 38 dias de importação. Em outras palavras, se as importações desse combustível fossem cessadas hoje, os estoques, em conjunto com a produção nacional, seriam suficientes para suprir o País por 38 dias. Além disso, desde o início da intensificação do monitoramento do abastecimento pelo Governo Federal, a autonomia de óleo diesel aumentou de 30 para 38 dias em termos de dias de importação (aumento de 26,7%)."

Alerta da Petrobras

Segundo a Petrobras, o terceiro trimestre, período que vai de julho a setembro, seria o mais suscetível ao problema do desabastecimento de diesel no Brasil, pois coincidiria com o auge do transporte de soja, principal commodity do país.

A escassez e o consequente encarecimento do diesel foram impulsionados pela invasão russa da Ucrânia. Paralelamente, a desvalorização do real frente ao dólar também elevou o valor do combustível.

A Petrobras adota a PPI (Política de Paridade Internacional) para compor o preço dos combustíveis, baseada nos custos de importação. Por isso, a variação do dólar e do barril de petróleo tem influência direta no cálculo.

*Com Reuters