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Petrobras é processada nos EUA por filhos de americanos mortos no Rio

Edifício sede da Petrobras - Fernando Frazão/Agência Brasil
Edifício sede da Petrobras Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil

Do UOL, em São Paulo

06/07/2022 10h29

A Petrobras é processada nos Estados Unidos e pode pagar indenização pelo assassinato de um casal de americanos que viajou ao Brasil no início dos anos 2000 para auditar negócios da Shell com a estatal, segundo reportagem publicada hoje no site da revista Veja. A ação foi confirmada pela Petrobras ao UOL, que afirmou que "irá defender-se com firmeza no processo."

De acordo com a publicação, o pedido foi feito em fevereiro deste ano pelos filhos de Zera Todd e Michele Davis Staheli, mortos em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, em novembro de 2003. A estatal tem até o dia 22 deste mês para apresentar sua defesa.

No Brasil, a Justiça condenou o caseiro Jossiel Conceição dos Santos a 25 anos de prisão pelo crime. Santos era empregado de um vizinho da casa das vítimas. O assassino passou 14 anos preso e, após ganhar o direito à prisão domiciliar, despareceu. Hoje ele é considerado foragido.

Nos documentos do processo envolvendo a estatal brasileira, os quais a revista diz que teve acesso, os filhos do casal dos Estados Unidos afirmam que os pais deles foram mortos a partir da ordem de funcionários corruptos da Petrobras. O pedido de indenização foi protocolado no Tribunal Federal Distrital de Salt Lake City, no estado de Utah, e, segundo a Veja, vai ser julgado pela juíza Marilyn Bernie Tena Gresky Campbell.

Nos autos do processo, os advogados Rodney Snow, Neil Kaplan e Keith Woodwell, do escritório ClydeSnow, dizem que Todd e Staheli foram mortos espancados com um pé de cabra enquanto os filhos dormiam, de acordo com a Veja. São eles que representam os filhos do casal. O UOL entrou em contato com os advogados para confirmar os detalhes da ação e aguarda retorno. À época, dois dos quatro filhos tinham 10 e 13 anos e teriam prestado depoimento sobre o caso.

Ainda segundo a defesa, os assassinatos teriam ocorrido com o objetivo de impedir a divulgação de vultosos pagamentos de propinas a agentes públicos e privados. Os advogados dizem ainda que as mortes se deram após a identificação de que as perdas da Shell decorriam de contratos manipulados a preços inflacionados pela Petrobras.

Na ação, os advogados ainda cobram que a estatal, ao assinar acordo de leniência com os EUA, prometeu revelar dados protegidos, inclusive, a respeito de diretores. A empresa, porém, não teria apresentado informações sobre o caso do assassinato, diz a Veja. Segundo a defesa, Todd chegou a trabalhar com ex-diretor de abastecimento da Petrobras, peça-chave nas investigações do esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.

Ao UOL, a Petrobras disse que "se solidariza com a perda dos autores, porém nega veementemente as alegações formuladas na petição inicial, que não possuem qualquer amparo fático. A Companhia irá defender-se com firmeza no processo".