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Por que 'ex-bilionária mais jovem do mundo' pode pegar 20 anos de prisão?

Elizabeth Holmes, que era presidente-executiva da Theranos, deixa corte federal, na Califórnia; ela é acusada de fraude por promover um teste que prometia descobrir doenças com apenas uma gota de sangue - Stephen Lam/Reuters
Elizabeth Holmes, que era presidente-executiva da Theranos, deixa corte federal, na Califórnia; ela é acusada de fraude por promover um teste que prometia descobrir doenças com apenas uma gota de sangue Imagem: Stephen Lam/Reuters

Gabriel Dias

Colaboração para o UOL

14/07/2022 04h00Atualizada em 14/07/2022 11h58

Fundadora da Theranos e ex-bilionária queridinha do Vale do Silício, a americana Elizabeth Holmes poderá ser sentenciada a até 20 anos de prisão. O ex-namorado da executiva e um dos principais colaboradores da empresa, Ramesh "Sunny" Balwani, foi condenado na última semana por fraudar investidores e pacientes da empresa, o que deixou a situação da ex-bilionária ainda mais em destaque.

Holmes recebeu as mesmas acusações do ex-namorado, sendo considerada culpada em quatro relacionadas a fraude de investidores — três de fraude eletrônica e uma de conspiração para fraude eletrônica — e foi inocentada em quatro sobre fraude de pacientes, sob as mesmas alegações.

O julgamento ocorreu em 3 de janeiro deste ano e chegou a ser anulado. A empresária pagou fiança de US$ 500 mil para responder às acusações em liberdade. O veredito do processo deverá ser divulgado até setembro.

Se for condenada, Elizabeth Holmes pode pegar uma sentença máxima de 20 anos de prisão e uma multa de US$ 250 mil, mais restituição, por cada acusação de fraude eletrônica e de conspiração.

'A próxima Steve Jobs'

Elizabeth Holmes era considerada uma promessa na área de biotecnologia e chegou a ser indicada, pelo Vale do Silício, como "o próximo Steve Jobs".

Em 2003, quando tinha 19 anos, a executiva abandonou o curso de Engenharia Química, na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, para fundar sua própria empresa. A promessa era revolucionar o mercado com exames de diagnósticos precisos para centenas de doenças a partir de gotas de sangue. Para isso, a empresa de Holmes desenvolveu uma máquina chamada Edison, que analisava as amostras de sangue.

A tecnologia que seria usada parecia estar bem à frente de qualquer coisa que existisse no mercado. Logo, Holmes alcançou o status de queridinha no Vale do Silício, região ao sul de São Francisco, na Califórnia, conhecida por concentrar grandes empresas de alta tecnologia.

Em 2014, ela estampou a capa da Forbes, que a chamou de 'a mais jovem bilionária self made do mundo'. Na época, Holmes era acionista majoritária da Theranos, com 50% das ações da empresa, que estava avaliada em US$ 9 bilhões.

A Theranos conseguiu atrair cerca de US$ 700 milhões em investimentos — grande parte vindos de investidores famosos. Entre eles, George Schultz e Henry Kissinger, ambos ex-secretários de estado dos Estados Unidos e os Waltons, donos da rede de supermercado Walmart e considerados a família mais rica dos EUA.

Outros nomes também apostaram na empresa fundada por Holmes, como a família da ex-secretária de educação dos EUA, Betsy DeVos, com um investimento de US$ 100 milhões, e o magnata da imprensa americana, Rupert Murdoch, que chegou a investir US$ 125 milhões.

A falência da Theranos

A partir de 2015, a credibilidade da Theranos começou a ficar em xeque quando o jornal americano The Wall Street Journal publicou uma série de artigos sugerindo que a tecnologia da empresa não fosse tão precisa quanto prometia. Isso chamou a atenção das autoridades, que abriram um inquérito para investigar a empresa.

Após receber mais de US$ 1 bilhão em investimentos mentindo a respeito da capacidade do seu produto, falsificando testes clínicos e prometendo o impossível para investidores e jornalistas, a Theranos perdeu tudo por conta de uma investigação da Comissão de Títulos e Câmbio dos Estados Unidos.

A empresa declarou falência em 2018, após várias tentativas para encontrar compradores para o negócio, com o objetivo de gerar caixa para pagar a dívida, estimada em US$ 60 milhões, que tinha com credores da empresa.

De queridinha do Vale do Silício ao tribunal

Procuradores da Justiça Federal dos Estados Unidos abriram processos contra Elizabeth Holmes e Ramesh "Sunny" Balwani em 2018, mas eles foram julgados separadamente. Holmes foi acusada de ter cometido 11 crimes.

Em janeiro, ela foi julgada culpada em quatro acusações e inocentada de outras quatro — o júri não chegou a um consenso para três das acusações finais. A pena será definida em uma audiência marcada para setembro. A fundadora da Theranos apresentou um recurso para que suas condenações sejam anuladas.

No meio dos escândalos da Theranos, a Forbes revisou o patrimônio líquido de Holmes para US$ 0 em junho de 2016. Entretanto, Holmes se casou com William "Billy" Evans em 2019, que é o herdeiro do Evans Hotel Group, fundado por seus avós em 1995. Os dois têm um filho: William Holmes Evans.

A defesa da ex-bilionária gira em torno de jogar as acusações para o ex-namorado dela.