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SPIC propõe ampliar hidrelétricas existentes para baratear conta de luz

Do UOL, em São Paulo

22/05/2023 14h40

Se ampliar a produção de energia nas hidrelétricas já existentes, o Brasil terá energia "barata e abundante" e poderá reduzir a conta de luz. É o que diz Adriana Waltrick, CEO no Brasil da empresa de energia de origem chinesa SPIC (State Power Investment Corporation), em entrevista ao UOL Líderes.

O que ela disse

Hidrelétricas podem baratear a conta de luz. Questionada sobre como o Brasil poderia baratear a conta de luz para o consumidor, Waltrick defendeu ampliar o uso das hidrelétricas. A executiva cita um cálculo segundo o qual é possível aumentar a geração de energia em até 11 gigawatts sem construir novas usinas, apenas usando o potencial já disponível hoje. Ela cita o exemplo da usina de São Simão, que é operada pela SPIC. Segundo Waltrick, São SImão tem capacidade para receber duas novas turbinas sem necessidade de novas obras.

Subsídios do setor elétrico precisam ser revistos. A CEO da SPIC defende também os subsídios do setor elétrico sejam revistos. O objetivo com isso é permitir que haja uma remuneração extra às hidrelétricas por serviços de apoio à segurança do sistema elétrico, sem que seja necessário aumentar a cobrança ao consumidor final. Na sua avaliação, a energia solar por exemplo, não precisa mais de subsídios.

Energia eólica em alto mar ainda é cara. Waltrick falou sobre a possibilidade de geração de energia eólica em alto mar (offshore) - recentemente, a Petrobras anunciou planos de estudar o tema. Segundo a executiva, os ventos em alto mar são muito bons, mas há um custo maior na instalação das turbinas e na transmissão da energia. Para ela, essa ainda é uma modalidade cara, mas que deve ser estudada.

Mudanças na Eletrobras devem passar pelo Congresso. Questionada sobre como vê a possibilidade de revisão da privatização da Eletrobras, Waltrick diz que o processo foi aprovado pelo Congresso, e então se houver alguma mudança ela precisaria passar novamente pelo Congresso.

Discriminação de gênero e equiparação salarial. A executiva comentou sobre sua experiência como mulher liderando uma empresa em um setor majoritariamente masculino. Ela diz já sentiu discriminação, mas continuou sua trajetória. Também defendeu a lei de equiparação salarial entre homens e mulheres.

Ouça a íntegra da entrevista no podcast UOL Líderes. Você também pode assistir à entrevista em vídeo no canal do UOL no YouTube. Veja a seguir destaques da entrevista:

Energia barata e abundante

Se a gente pegar a hidrelétrica, que é a energia mais barata que o Brasil tem, e simplesmente usar o que já está lá, com obras civis que já estão colocadas, simplesmente colocando equipamento e aproveitando a água que está sendo vertida, a gente teria energia barata disponível e abundante. Acreditamos que tem uma capacidade de 11 gigas esperando para ser despertada, numa equação econômica que deverá favorecer a sociedade toda.


Revisão de subsídios do setor elétrico

A gente pleiteia uma revisita nos benefícios de todos os atores do sistema elétrico brasileiro. A adequada remuneração [para as hidrelétricas] não obrigatoriamente quer dizer aumentar a tarifa para o consumidor final, mas fazer uma melhor e mais adequada divisão do bolo, retirando subsídios de onde não precisa mais e alocando valores onde são produzidas otimizações. Até para manter esse sistema eficiente ao longo do tempo.

Eólica offshore é nova fronteira da energia

A Spic no mundo tem offshore. Essa é uma nova fronteira da energia no mundo. Ela provavelmente vai começar a se tornar representativa ao final desta década. É claro que fazer qualquer coisa em alto mar é caro, tanto no sistema de instalação, mas também na transmissão. Vamos ter que pensar em cabos submarinos. Dito isso, os ventos de alto mar são muito bons. Ela ainda é cara, mas é algo que o Brasil precisa começar a olhar, provavelmente para a próxima década.

Revisão da privatização da Eletrobras

Sobre o processo da Eletrobras, ele foi aprovado no Congresso então acreditamos que essa é uma ideia, uma análise, que precisa passar de novo pelo Congresso. Estamos acompanhando e tentando entender como será esse questionamento. Nossos investimentos no Brasil continuam sempre com foco em ser um dos maiores players nacionais privados de energia elétrica.

Discriminação de gênero

Eu não posso dizer que eu não vi a discriminação de gênero, mas eu passei por cima dela. Os olhares de preconceito não encontraram em mim a possibilidade de me pararem. Hoje nós temos 37% de líderes mulheres na SPIC Brasil, queremos chegar a 50%. Queremos empresas diversas, que reflitam a sociedade. O mundo é muito complexo para a gente esperar que a cabeça de poucos resolva tudo. A gente precisa de todo mundo remando e pensando de diferentes perspectivas, para chegar em soluções minimamente aceitáveis.

Lei da equidade salarial

Dentro da SPIC não existe diferença salarial baseada em nenhum critério além do profissional. Então, se a pessoa é capacitada para aquele cargo, não importa gênero, não importa cor, não importa raça, ela tem aquele salário para aquela posição. É bom que exista uma lei no Brasil porque a nossa realidade na SPIC não é a realidade nacional. Então é bom que surja uma lei que possa ajudar o Brasil a caminhar a passos largos para encontrar os desafios do mundo e ajudar a resolvê-los.

Quem é Adriana Waltrick

Local de nascimento: Caxias do Sul (RS)

Cargos de destaque na carreira: Atuou na Rio Grande Energia, no Grupo Energia Nacional de São Paulo e é CEO da SPIC Brasil

Graduação e pós: Administração na Universidade Vale do Rio dos Sinos, MBA no MIT, Mestrado em administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Como é a SPIC Brasil

A SPIC é uma estatal chinesa do setor de energia que atua em 46 países. No Brasil, opera a hidrelétrica de São Simão, que fica entre Minas Gerais e Goiás, e atua também com energia eólica, solar e termelétricas.

Funcionários: 130 mil no mundo, cerca de 250 no Brasil

Faturamento no Brasil em 2021: R$ 2,06 bilhões