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Para PIB crescer, Haddad defende harmonização entre poderes e Banco Central

Do UOL, em São Paulo

25/05/2023 18h38Atualizada em 25/05/2023 19h28

O ministro da Economia, Fernando Haddad, defendeu hoje que a volta de investimentos em educação e a harmonização entre os Três Poderes e entre a Fazenda e o Banco Central serão capazes de fazer o PIB brasileiro crescer acima da média mundial.

O que aconteceu:

Haddad defendeu uma "arrumação da casa", conciliada com a transição ecológica do planeta, para dar mais "previsibilidade para os investidores sobre os tributos devidos", bem como para estimular a reindustrialização do país com responsabilidade "fiscal, ambiental e social".

O chefe da Fazenda afirmou que o marco fiscal aprovado ontem garante, no ano que vem, "a reposição de 100% verba" que foi retirada da educação "para outros fins". A fala do ministro, durante evento com empresários da indústria na Fiesp, foi aplaudida pelo público presente.

Ele defendeu ainda que a união de educação e reindustrialização seria uma forma de alcançar o crescimento econômico superior ao de outros países, o que, segundo ele, ocorreu durante os dois primeiros mandatos do presidente Lula.

Se nós tivermos recursos para voltar a educar nosso povo, [...] se nós dermos previsibilidade para os investidores sobre os tributos devidos, se nós fizermos essa arrumação da casa, ao [mesmo] tempo da transição ecológica --que nos estamos alinhavando no Governo Federal --, estimulando a reindustrialização a partir de uma perspectiva de futuro que olha para o fiscal, ambiental e para o social, eu tenho certeza que nós vamos verificar que o Brasil voltará a crescer acima da média mundial, como aconteceu nos oito anos da presidência do presidente Lula. Durante 8 anos, nós crescemos uma média de 4,1% contra 2,5% da média mundial.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda

Acenos a todos

Haddad fez questão de fazer acenos a membros do legislativo e da indústria. Ao mencionar a aprovação do novo marco fiscal brasileiro na Câmara dos Deputados, o ministro disse que ela ocorreu "sob a liderança de alguém que precisa ser citado", uma menção ao presidente da casa, Arthur Lira.

Ainda, o ministro disse ser uma "exigência do momento" que a Fazenda e o Banco Central trabalhem em harmonia, sem deixar que "disputas menores" atrapalhem a capacidade de "diálogo" e "entrega".

O mesmo argumento foi usado para defender a harmonia entre os três poderes. Durante a gestão Bolsonaro, o mercado reclamava dos ruídos —considerados desnecessários — do chefe do executivo com o judiciário, causando impactos na economia.

Tenho absoluta convicção de que, se nós perseverarmos, e não deixarmos que as disputas menores corroam nossa capacidade de diálogo e a nossa capacidade de entrega, [com] os três poderes harmonizados -- e a Fazenda harmonizada com o Banco Central, eu não queria deixar de citar essa exigência do momento --, eu tenho certeza que nós vamos experimentar um ciclo de crescimento muito virtuoso no nosso país, com o apoio da indústria na linha de frente desse trabalho.
Fernando Haddad, ministro da Fazenda

O governo Lula e parte do mercado têm tido atritos com o BC por considerar que a taxa de juros está em patamares muito altos, dificultando investimentos no país. O próprio presidente já fez críticas ao Banco Central e ao seu dirigente, Roberto Campos Neto, como forma de pressioná-los a baixar a Selice as repetiu hoje no evento na Fiesp.