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PIB da China supera expectativas mas há riscos sobre a dívida

Kevin Yao e Elias Glenn

PEQUIM, 20 Jan (Reuters) - A economia da China cresceu 6,8% no quarto trimestre na comparação com o ano anterior, mais do que o esperado, sustentada por gastos governamentais mais altos e empréstimos bancários recordes, dando ao país um impulso para o que deve ser um ano turbulento.

O quarto trimestre foi a primeira vez em dois anos que a segunda maior economia do mundo mostrou aceleração do crescimento econômico, mas neste ano enfrenta pressão para aliviar seu mercado imobiliário, o impacto dos esforços do governo em reformas estruturais e uma relação potencialmente complicada com a nova administração norte-americana.

"Não esperamos que isso (PIB do quarto trimestre) se prolongue muito por 2017, quando uma desaceleração no mercado imobiliário e medidas para lidar com a escassez de oferta no setor de commodities devem pesar novamente sobre a demanda e a produção", disse o gerente regional do Economist Intelligence Unit, Tom Rafferty.

A economia expandiu 6,7% em 2016, informou nesta sexta-feira a Agência Nacional de Estatísticas, basicamente no meio da faixa da meta de crescimento do governo de 6,5% a 7%, mas ainda o ritmo mais lento em 26 anos.

Economistas consultados pela agência de notícias Reuters esperavam que a China apresentasse crescimento de 6,7% tanto no quarto trimestre quanto no ano.

O setor imobiliário ajudou a impulsionar o crescimento mais uma vez no quarto trimestre, com o investimento imobiliário subindo surpreendentes 11,1% em dezembro contra 5,7 em novembro, mesmo com os preços mostrando sinais de enfraquecimento em algumas importantes cidades.

Os gastos do consumidor também foram fortes, com as vendas no varejo subindo 10,9% em dezembro sobre o ano anterior, o ritmo mais rápido em um ano, diante das vendas mais fortes de carros e cosméticos.

O investimento em ativo fixo avançou 8,1%, ritmo mais lento desde 1999, uma vez que o investimento de empresas privadas desacelerou de novo em dezembro na base mensal. O investimento em ativo fixo no setor privado caiu para 4,07% de 4,93% em novembro, de acordo com cálculos da Reuters com base em dados da agência de estatísticas.

Em meio a sinais de estabilização, fontes disseram à Reuters que os líderes da China vão reduzir sua meta de crescimento econômica para cerca de 6,5% este ano, dando a eles mais espaço para avançar com reformas buscando conter os riscos da dívida.

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