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Boeing queria ter seu próprio Concorde, mas supersônico nunca saiu do papel

Avião supersônico de passageiros da Boeing atingiria 2,7 vezes a velocidade do som - Divulgação
Avião supersônico de passageiros da Boeing atingiria 2,7 vezes a velocidade do som Imagem: Divulgação

Vinícius Casagrande

Colaboração para o UOL, em São Paulo

15/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Estados Unidos queriam competir com russos, franceses e britânicos na criação de jato supersônico de passageiros
  • Boeing venceu a disputa com a Lockheed Martin para receber financiamento do governo dos EUA
  • Dificuldades técnicas impediram que avião saísse do papel e apenas uma maquete foi produzida
  • Russos foram os primeiros a voar com um avião supersônico de passageiros
  • No ano passado, Boeing decidiu investir em um projeto de avião executivo supersônico

Os Estados Unidos sempre foram um dos países mais inovadores na indústria aeronáutica, mas há um fato que gera grande frustração há quase cinco décadas. O país nunca conseguiu ter um avião supersônico de passageiros e perdeu a corrida para russos, franceses e britânicos.

Depois de um consórcio franco-britânico anunciar o desenvolvimento de um avião supersônico de passageiros, chamado de Concorde, o presidente dos Estados Unidos na época, John F. Kennedy, avisou que os norte-americanos também entrariam na briga. A Boeing e a Lookheed Martin começaram uma disputa para receber o financiamento do projeto.

A Boeing foi a escolhida para fazer o desenvolvimento do avião e chegou a construir uma maquete em tamanho real da aeronave na fábrica da Boeing em Seattle (EUA).

O jato supersônico da Boeing teria 96,9 metros de comprimento, seria capaz de atingir até 2,7 vezes a velocidade do som e voar acima de 18 quilômetros de altitude. O nariz pontiagudo e alongado seria abaixado durante os pousos e decolagens para melhorar a visibilidade dos pilotos.

Apenas uma maquete do modelo chegou a ser construída - Divulgação
Apenas uma maquete do modelo chegou a ser construída
Imagem: Divulgação

Chamado de 2707, o projeto da Boeing enfrentou sérias dificuldades. Concorrendo com russos e com o consórcio franco-britânico, a Boeing não só queria sair na frente como também desenvolver um avião mais avançado. O problema é que isso exigia uma tecnologia muito além do que já havia sido feito até então.

O resultado é que a Boeing não conseguiu resolver todos os problemas e viu seus concorrentes saírem na frente. Primeiro, foram os russos com o voo inaugural do Tupolev TU-144 em 31 de dezembro de 1968. No ano seguinte, o consórcio franco-britânico fez o primeiro voo do Concorde em 2 de março de 1969.

Com o fracasso do projeto 2707, a Boeing foi obrigada a abandonar o desenvolvimento de seu avião supersônico de passageiro em 1971. A empresa afirma, no entanto, que nem todo o trabalho foi em vão, já que os estudos ajudaram no desenvolvimento de outros produtos da empresa.

Apesar de nunca ter saído do papel, o supersônico 2707 da Boeing chegou a receber 122 encomendas de 26 companhias aéreas.

Boeing investe em jato executivo supersônico

Aerion AS2 é um projeto de avião executivo supersônico - Divulgação
Aerion AS2 é um projeto de avião executivo supersônico
Imagem: Divulgação

O fato de nunca ter conseguido desenvolver um avião civil supersônico parece desagradar a Boeing ao longo desses anos. A empresa já esteve envolvida em outros projetos, que também não avançaram.

A investida mais recente veio em fevereiro do ano passado. A Boeing fez um investimento na Aerion para acelerar o desenvolvimento de tecnologia e o design de aeronaves supersônicas. Os termos do acordo não foram divulgados.

Segundo o acordo, a Boeing fornecerá recursos de engenharia, fabricação e testes de voo, além de conteúdo estratégico para levar ao mercado o jato executivo supersônico AS2 da Aerion. O AS2 foi projetado para atingir até 1,4 vezes a velocidade do som, ou aproximadamente 1.600 km/h.

Com a capacidade de voar até 70% mais rápido que os jatos executivos atuais, o AS2 economiza aproximadamente três horas em um voo transatlântico, atendendo aos requisitos de desempenho ambiental. A aeronave está prevista para fazer o primeiro voo em 2023.

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