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REPORTAGEM

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Por que alguns aviões têm câmera e sensores de infravermelho no nariz?

Sistema de visão aprimorada (EVS, da sigla em inglês para Enhanced Vision System) instalado no nariz de um avião - Divulgação/Embraer
Sistema de visão aprimorada (EVS, da sigla em inglês para Enhanced Vision System) instalado no nariz de um avião Imagem: Divulgação/Embraer

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, de São Paulo

06/06/2021 04h00

Alguns aviões possuem uma protuberância com pequenas câmeras em seus narizes. Elas até poderiam fazer parte do sistema de entretenimento do avião, permitindo aos passageiros visualizarem a rota enquanto voam, mas não é isso.

Esses equipamentos auxiliam os pilotos a visualizar o terreno à sua frente e ter uma melhor consciência do espaço onde estão voando. Chamados de EVS (Enhanced Vision System, Sistema de Visão Aprimorada), eles melhoram a percepção do voo em caso de baixa visibilidade.

EVS no Praetor - Divulgação/Embraer - Divulgação/Embraer
Jato Praetor 500, da Embraer, com o sistema de visão aprimorada instalado no nariz do avião
Imagem: Divulgação/Embraer

Esse sistema combina as informações de diversos sensores para exibir ao piloto uma visão mais aproximada do que está do lado de fora do avião, seja em solo, seja no ar.

Após todos os dados serem processados em um computador, uma imagem é projetada em uma tela especial para essa finalidade ou no próprio painel do avião.

Um pouso realizado com forte neblina, por exemplo, tem seus riscos diminuídos, já que a pista pode continuar visível com esse sistema.

Combinação de câmeras

Com variações de nomenclatura e de fabricante, o EVS funciona a partir de câmeras nariz do avião para ter a melhor visão à frente da aeronave.

EVS Falconeye - Reprodução/Dassault - Reprodução/Dassault
FalconEye, sistema de visão aprimorada da fabricante Dassault
Imagem: Reprodução/Dassault

Um dos sistemas encontrados no mercado utiliza sensores que captam ondas infravermelhas curtas e ondas longas junto a uma câmera de luz visível.

Também é possível utilizar câmeras térmicas e de baixa visibilidade, que, combinadas, permitem que o piloto "enxergue" o que está à sua frente.

É possível realizar pousos e decolagens em situações de neve, neblina ou com pouca luz. E é nesse ponto que o EVS se diferencia de uma simples visão noturna, pois consegue combinar as informações dos sensores e câmeras.

Embraer usa o sistema

Praetor 500 com EVS - Divulgação/Embraer - Divulgação/Embraer
Jato Praetor 500, da Embraer, com o sistema de visão aprimorada instalado no nariz do avião
Imagem: Divulgação/Embraer

Desde 2016, a brasileira Embraer é homologada para utilizar o EVS da norte-americana Rockwell Collins em alguns de seus aviões.

Mas não basta que o proprietário pague para instalar o sistema. É preciso que as agências reguladoras dos locais onde a aeronave irá voar autorizem essa instalação.

Além disso, ainda é necessário que a tripulação tenha treinamento para o sistema. Isso se deve às alterações que são realizadas no avião e em seus procedimentos. É preciso que os órgãos reguladores atestem que a segurança de voo não será afetada.

O sistema pode chegar a custar US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões), dependendo do modelo e dos acessórios.

Fonte: Enio Beal Jr., comandante da aviação executiva, Embraer e Rockwell Collins