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Itapemirim: Comprador suspende negócio após Justiça bloquear bens da aérea

O empresário brasiliense Galeb Baufaker Júnior - Divulgação/Galeb Baufaker Júnior
O empresário brasiliense Galeb Baufaker Júnior Imagem: Divulgação/Galeb Baufaker Júnior

Alexandre Saconi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/05/2022 16h23

O empresário Galeb Baufaker Júnior desistiu da compra da Itapemirim Transportes Aéreos e do Ita Bank, segundo documento anexado ao processo de recuperação judicial do Grupo Itapemirim. A informação foi confirmada ao UOL pelo até então comprador.

Baufaker disse que a decisão é temporária, até a realização da assembleia geral de credores do grupo, que deve acontecer em maio, e que as negociações serão retomadas depois disso.

Segundo o empresário, o que motivou a suspensão do negócio foi a decisão da Justiça de São Paulo de decretar o bloqueio dos bens das empresas do grupo e de Sidnei Piva, dono da Itapemirim, decretado no final de abril. Com isso, diz Baufaker, fica inviabilizada a transferência da empresa para o seu nome.

A companhia aérea tem como donos o Grupo Itapemirim e Sidnei Piva, e as decisões referentes à venda do patrimônio do conglomerado devem passar pelo crivo dos credores para ser concretizada.

Bloqueio de bens

Em 18 de abril, o juiz responsável pelo acompanhamento da recuperação judicial no TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) determinou o bloqueio de bens de Piva e de todas as empresas abertas pelo empresário desde o início do plano de recuperação judicial do grupo, ainda 2016.

Segundo a decisão, a medida foi necessária para "prevenir esvaziamento patrimonial e a dilapidação do patrimônio, inclusive por má gestão".

Empresa aérea a qualquer custo

Ao UOL, Baufaker disse que mantém os planos de operar uma empresa aérea no Brasil, seja com a compra da Itapemirim ou criando uma nova. "Mantive minha agenda, me reunindo com investidores e entidades do setor mesmo assim", disse o empresário.

No começo de abril, foi comunicada a compra da Itapemirim Transportes Aéreos e do Ita Bank pelo Bcbank, nome fantasia de uma empresa controlada pela ex-esposa de Baufaker.

Em entrevista ao UOL no final de abril, o empresário disse estar abrindo uma nova empresa específica para incorporar a aérea, que deverá manter o mesmo nome por enquanto.

Negócio de R$ 400 milhões

Baufaker disse que a compra das empresas tem um valor estimado de R$ 180 milhões, referentes ao pagamento de dívidas trabalhista, com fornecedores e com impostos, por exemplo. Ele ainda anunciou que deverá investir um montante de R$ 220 milhões para formar capital de giro e voltar a voar.

Com a decisão de bloqueio dos bens, o empresário suspendeu a passagem da empresa para o seu nome, mas afirma ter garantido a escrituração do montante prometido, obtido por meio de direitos creditórios que possui, como precatórios.