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Empreendedorismo


A destruição criativa e o empreendedorismo inovador contemporâneo

José Dornelas

Colunista do UOL

20/10/2014 06h00

Muito se fala em inovação nos dias atuais e que as empresas brasileiras precisam praticá-la de maneira sistemática se quiserem competir em nível mundial. Mas o tema não é novo e o seu conceito foi muito bem enfatizado por Joseph Schumpeter há décadas.

Em seu livro de 1942, “Capitalismo, Socialismo e Democracia”, o economista americano de ascendência austríaca Joseph Schumpeter definiu o termo “destruição criativa” como um impulso fundamental para o motor do desenvolvimento econômico no mundo capitalista.

As inovações, geralmente trazidas ao mercado por meio de novos produtos e serviços, criam mudanças significativas e até proporcionam o surgimento de novos mercados.

Com isso, passa a ocorrer uma renovação da dinâmica capitalista, com a destruição de modelos de negócio e mercados anteriormente dominantes, que são substituídos pelo novo.

Em vários setores da economia isso tem sido constatado e, atualmente, essa proposição continua ainda mais vigente, haja vista a impressionante velocidade com que as mudanças ocorrem, regendo ou sendo regidas pelo surgimento das inovações.

Como exemplo, imagine o mundo atual sem as redes sociais (Facebook, Twitter, Linkedin, entre outros). Parece algo improvável, não? Agora, procure apostar no futuro dessas mesmas redes sociais e diga se ainda estarão existindo daqui a 10 anos.

Ou será que serão substituídas por novas aplicações e soluções que ainda não conhecemos? Essa é a essência da destruição criativa de Schumpeter, que move o ímpeto empreendedor do “fazer acontecer”.

O que os novos empreendedores ou aqueles já à frente de negócios precisam fazer hoje, que é diferente do passado, é colocar em prática suas ideias criativas de maneira rápida e buscar ganhar escala também rapidamente.

O desafio, então, não está apenas na destruição criativa, mas na velocidade de disseminação de um conceito, sempre buscando estar à frente dos concorrentes.

Por isso que negócios inovadores geralmente demandam muito capital, não só para a inovação em si, mas para sua inserção no mercado. Portanto, a parceria entre o empreendedor inovador e os meios de financiamento é crucial.

Essa barreira vem sendo transposta no Brasil aos poucos, com da criação de fundos públicos, principalmente ligados à Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e, principalmente, com os fundos de capital de risco, que têm crescido no país.

Então, fica a dica: se você tem uma ideia inovadora, precisará se preparar para dialogar e negociar com os detentores do capital para transformá-la em sucesso. Por isso, não basta apenas ter uma grande ideia. Os desafios atuais vão muito além da destruição criativa!
 

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