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Reinaldo Polito

A vida não é benevolente com pessoas medrosas e covardes

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Imagem: iStock

Colunista do UOL

20/12/2022 04h00

Nas coisas grandes e duvidosas, a dificuldade está no princípio.
Cervantes

Os tempos estão difíceis. Vivemos uma crise atrás da outra. As perspectivas são as piores possíveis. Com palavras mais ou menos semelhantes, são essas as lamúrias ouvidas nos últimos tempos. Alguns, desanimados, já pensam em jogar a toalha.

Será que a vida já foi fácil em algum momento? Em décadas passadas, as dificuldades chegavam a ser ainda mais desafiadoras. Não havia espaço para "a barriga me dói". Fizesse chuva ou sol, cada um precisava encontrar forças e alternativas para garantir o sustento da família.

Desafio de sempre

Portanto, enfrentar dificuldades não é "privilégio" desta geração. Esse é um desafio de sempre. Está certo que acabamos de passar por uma das mais severas pandemias de que se tem notícia. Nenhuma pessoa que esteja viva enfrentou nada semelhante.

Empresas tiveram de fechar as portas. Chefes de família perderam o emprego. Houve pessoas que não tiveram como conseguir o alimento para sustentar a casa. Os reflexos são terríveis. Mesmo que o vírus tenha deixado de ceifar vidas como antes, a situação ainda não voltou à completa normalidade.

Uns reclamam, outros vão à luta

Por esse motivo, dá para entender aqueles que reclamam. Por outro lado, quantas pessoas, que atravessaram o mesmo calvário, conseguiram encontrar saídas! Trocaram de profissão, desenvolveram novas competências, abriram negócios, levantaram a cabeça e foram à luta.

Há quem diga que o tempo que se perde choramingando pelos cantos poderia ser aproveitado para virar a chave e descobrir soluções. Afirmam que, se a pessoa não pegar a vida com as mãos e não tomar consciência de que as respostas que procura não cairão no colo, estará sempre esperando, na dependência de que alguém mostre o caminho.

Acreditar

Essa é a hora de estufar o peito, ser obstinado e partir em busca de resultados que possam retirá-lo desse cipoal. Pode ser que a primeira tentativa não funcione. Nem a segunda. Talvez nem a terceira ou a quarta, mas em algum lugar e em determinado instante a luz aparecerá para quem perseverar.

Quem se deixar levar sem ao menos tentar, será um covarde, um frouxo, um derrotado. Com esses, a vida não será benevolente. O próprio desânimo fará com que se transforme em uma pessoa sem fé, impotente, sem forças e sem a crença de que dias melhores estarão mais à frente.

Lição de Troncoso

Em uma das palestras que proferiu na nossa escola, Valdir Troncoso Peres, chamado de "O Príncipe dos Advogados" e, com certeza, o melhor orador da história do direito do país, recordou uma conversa interessante que teve com um ex-colega de banco acadêmico:

Certo dia, conversei com Ubirajara, um amigo com quem convivi no período da faculdade. Ele queria notícias dos contemporâneos de escola. Comentei sobre aqueles que tinham tido maior ou menor sucesso, que haviam prosperado mais, ou prosperado menos.

E se verificou, então, que os prognósticos eram totalmente diversos daqueles que remontavam ao tempo de Academia. E ele me perguntou: mas como pôde acontecer isso? Por que não vingou, não prosperou, não fecundou na vida, um moço tão brilhante, tão estudioso, tão sério, tão limpo, tão bom?

E eu, sem nenhum temor de errar, disse ao Ubirajara: Ele foi tragado pela vida por uma razão, porque ele foi um medroso, ele foi um covarde.

Ou seja, o estudo, o preparo intelectual, o conhecimento de pouco valerão se não forem acompanhados de coragem, luta e determinação. Na ONG Via de Acesso, que presido há 20 anos, percebemos uma mudança no discurso por parte das empresas que buscam estagiários.

Antes, pleiteavam apenas alunos oriundos de "escolas de primeira linha". Hoje, algumas delas, preferem "alunos de primeira linha", independentemente do curso que tenham frequentado. Alegam que esses já ralaram, precisaram varar madrugadas estudando, tiveram de pagar as mensalidades com sacrifício pessoal. Endureceram o couro para os embates cada vez mais acirrados nas empresas.

Os desafios

Ninguém poderá dizer que os problemas não existem, que as soluções são simples. Não, estudar exige sacrifícios. Encontrar uma boa colocação profissional requer persistência e boa dose de sorte. Descobrir a carreira mais adequada é cada vez mais complicado.

Tudo isso é verdade, mas somente poderá vencer quem estiver disposto a encarar esses obstáculos como parte de um trajeto que deve ser percorrido e que pode ser vencido. Aquele que discordar talvez esteja pegando senha para a fila dos derrotados.

Superdicas da semana

  • Um homem pode ser destruído, mas não derrotado. Hemingway
  • Crer é, em primeira instância, querer crer. Unamuno
  • O trabalho persistente vence tudo. Virgílio
  • O trabalho só espanta as almas fracas. Luís 14

Livros de minha autoria que ajudam a refletir sobre esse tema: "Como Falar Corretamente e sem Inibições", "Comunicação a distância", "Os segredos da boa comunicação no mundo corporativo" e "Oratória para advogados", publicados pela Editora Saraiva. "29 Minutos para Falar Bem em Público", publicado pela Editora Sextante. "Oratória para líderes religiosos", publicado pela Editora Planeta.