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A Companhia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ação da produtora de carne Minerva sobe 29% no ano; é boa de investir?

Dado Galdieri/Bloomberg
Imagem: Dado Galdieri/Bloomberg
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Márcio Anaya

Jornalista especializado em Economia, com pós-graduação em Mercado de Capitais pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – USP. Trabalhou como repórter e editor de companhias abertas por cerca de 20 anos, integrando as redações da Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Atua desde 2018 como colaborador de portais de investimento e entidades sem fins lucrativos

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/07/2022 09h00

Esta é a versão online parcial da edição desta semana da newsletter A Companhia, que analisa se é o momento ou não de comprar ações da Minerva Foods e pontos positivos e negativos da empresa. Na newsletter completa, apenas para assinantes, veja perspectivas da empresa, para qual perfil é indicada, se ela está barata e quais os valores de compra e venda recomendados. Para assinar o boletim semanal e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

O destaque da semana na newsletter A Companhia é a Minerva Foods, selecionada por Sérgio Berruezo, analista de research da Ativa Investimentos.

A empresa é uma das líderes na América do Sul na produção e comercialização de carne in natura, processamento de carne bovina e exportação de gado vivo. Além disso, exporta para mais de 100 países, em cinco continentes.

No primeiro trimestre de 2022, a companhia apurou um lucro líquido de R$ 114,6 milhões, com queda de 55,8% na comparação anual, em razão dos efeitos negativos do hedge (proteção) cambial. Operacionalmente, no entanto, a geração de caixa (Ebitda) atingiu patamar recorde para o período, totalizando R$ 646 milhões, volume 33% maior em base anual.

Após alta de 15,6% em 2021, as ações da Minerva (BEEF3) acumulam valorização de 28,5% no primeiro semestre deste ano, segundo a plataforma de informações financeiras Economatica.

Saiba mais sobre a Minerva

A Minerva é a maior exportadora de carne bovina da América do Sul, com 20% de participação de mercado.

Cerca de 70% da receita buta consolidada da companhia é proveniente do mercado externo e 30% do Brasil. A maior parte do faturamento vem de exportações para mercados emergentes, sendo a Ásia o destino de 57% das vendas da divisão brasileira e 38% da subsidiária Athena Foods, com destaque para o mercado chinês.

O grupo opera 27 plantas de abate de bovinos, sendo dez localizadas no Brasil, cinco na Argentina, cinco no Paraguai, três no Uruguai, duas na Colômbia e duas na Austrália.

Por que as ações da Minerva são uma oportunidade para investir?

Segundo Berruezo, os papéis dão acesso ao mercado de exportação de carne bovina, dolarizado e pouco relacionado à economia brasileira. Ao mesmo tempo, permitem aproveitar movimentos ligados ao consumo interno, que representa uma fatia importante das receitas da companhia.

Ele lembra que, recentemente, houve a abertura de mercados interessantes para a Minerva, como o da Indonésia para o Brasil, o dos EUA para produtos argentinos e o do Japão para o Uruguai.

"Além disso, o Brexit [saída do Reino Unidos da União Europeia] pode facilitar a entrada de carne bovina dos países do Mercosul na ilha britânica", afirma.

O especialista destaca ainda que a alta recente do dólar e o bom desempenho da Athena Foods impulsionaram a geração de caixa da empresa, permitindo uma distribuição expressiva de dividendos.

Pontos a favor

  • A exposição ao dólar, vendendo para diferentes mercados mundo afora, tem mantido as margens de lucro da companhia em níveis estáveis e acima de pares do setor;
  • Caso a moeda americana se mantenha em patamares elevados em relação ao real, a companhia pode seguir distribuindo bons dividendos ou alocar capital em alguma aquisição estratégica;
  • Algumas estatísticas, como os números de vacinação de bezerros e retenção de fêmeas no Brasil, indicam a possibilidade de um cenário mais favorável de oferta para os frigoríficos brasileiros a partir do quarto trimestre deste ano ou início de 2023, o que pode elevar a margem de lucro da Minerva;
  • Os EUA podem apresentar movimento inverso a partir do mesmo período, com restrição de oferta, devido ao alto número de abates, o que pode aumentar as importações americanas de carne bovina, beneficiando a Minerva.

Pontos contra

  • Devido à natureza cíclica, o negócio da Minerva está exposto a variáveis que fogem ao controle da companhia, como o preço da arroba bovina e a cotação do dólar. Como é forte exportadora, um câmbio desfavorável pode vir a afetar negativamente as ações;
  • A receita da empresa é muito atrelada à demanda chinesa. Com isso, existem riscos, ligados a fatores regulatórios daquele país, que podem afetar as importações de carne bovina;
  • No mercado local, uma maior dificuldade de recuperação do PIB ou eventual piora da crise pandêmica podem manter a demanda por carne bovina em patamares reduzidos - por conta da queda na renda da população -, o que pressiona as margens e os volumes vendidos nesse segmento;
  • Por meio da Athena Foods, a companhia tem presença relevante de produção em países da América do Sul, ficando, portanto, exposta aos riscos políticos, regulatórios e macroeconômicos da região.

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