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A Companhia

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Lucro da Klabin dobra, e mercado de papel traz oportunidade para investir

Isac Nóbrega/Presidência da República
Imagem: Isac Nóbrega/Presidência da República
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Márcio Anaya

Jornalista especializado em Economia, com pós-graduação em Mercado de Capitais pela Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) – USP. Trabalhou como repórter e editor de companhias abertas por cerca de 20 anos, integrando as redações da Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Atua desde 2018 como colaborador de portais de investimento e entidades sem fins lucrativos

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/07/2022 09h00

Esta é a versão online parcial da edição desta semana da newsletter A Companhia, que analisa se é o momento ou não de comprar ações da Klabin e pontos positivos e negativos da empresa. Na newsletter completa, apenas para assinantes, veja perspectivas da empresa, para qual perfil é indicada, se ela está barata e quais os valores de compra e venda recomendados. Para assinar o boletim semanal e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

O destaque da semana na newsletter A Companhia é da Klabin, escolhida por Renato Cesar Chanes, analista da Ágora Investimentos.

Ele diz que os preços da celulose nos mercados internacionais apresentam altas expressivas neste ano - como é o caso do produto de fibra curta, por exemplo, que acumula aumento de mais de 40%.

"No entanto, as cotações dos papéis de empresas do setor não têm refletido esse cenário, o que gera oportunidades."

No primeiro trimestre do ano, a Klabin registrou um lucro líquido de R$ 875 milhões, mais que o dobro (alta de 108%) do apurado em igual período de 2021.

Após queda de 1,54% no ano passado, as units (cesta de ações) da Klabin (KLBN11) acumulam perda de 24,6% em 2022, até o dia 14 de julho.

Saiba mais sobre a Klabin

A Klabin é a maior produtora e exportadora de papéis para embalagens do Brasil, com 22 fábricas no país e uma na Argentina. Além disso, é a única empresa no mercado brasileiro que oferece soluções em celulose de fibra curta, fibra longa e fluff (usada em produtos absorventes).

É também líder nos mercados de embalagens de papelão ondulado e sacos industriais.

Atualmente, a companhia é controlada pela Klabin Irmãos & Cia (KIC) e NIBLAK Participações, que possuem em conjunto 52,23% do capital votante, enquanto o restante das ações está pulverizado entre os mais diversos investidores, nacionais e estrangeiros.

Por que as ações da Klabin são uma oportunidade para investir?

Pelos cálculos da Ágora, o comportamento recente dos papéis da Klabin parece precificar uma correção significativa nos preços da celulose já neste segundo semestre, recuando para o patamar equivalente ao custo marginal da indústria - ao redor de US$ 550 a tonelada -, afirma Chanes.

"No entanto, acreditamos que o mercado de celulose permanecerá bastante saudável até 2023", ressalta o especialista.

Segundo ele, a previsão se baseia em três grandes fatores, sendo um deles a oferta reduzida do produto, em razão de atrasos em projetos e desligamentos de capacidade na América do Norte, além de restrições contínuas à produção, incluindo o fornecimento por parte da Rússia.

O analista cita ainda o reabastecimento de estoque ao consumidor, após defasagem de quase 1,8 milhão de toneladas desde o fim de 2020, e a implementação gradual de aumentos no preço do papel, à medida que a economia chinesa vai se reaquecendo.

Chanes afirma que as estimativas da Ágora para a celulose de fibra curta indicam valores de US$ 775 a tonelada neste ano e US$ 730 a tonelada em 2023, superiores ao consenso de mercado, que está na casa de US$ 700 e US$ 600 a tonelada, respectivamente.

"Como resultado, acreditamos que os lucros das empresas devem melhorar nos próximos trimestres - não o contrário, como parece evidente nos preços atuais dos ativos", diz o analista. "No caso de Klabin, especificamente, o preço de celulose fluff vem registrando uma impressionante alta, de mais de US$ 450 a tonelada no acumulado do ano."

No segmento de papel/embalagem, ele destaca que a demanda doméstica vem se recuperando, enquanto os preços de kraftliner, papelão e papelão ondulado vêm subindo.

"Além disso, o projeto Puma II continua crescendo, produzindo mais volumes de kraftliner", diz o analista, referindo-se à iniciativa da Klabin de expandir a capacidade no segmento de papéis para embalagens, por meio da construção de duas máquinas de papel com produção de celulose integrada na unidade Puma, localizada em Ortigueira (PR).

Na opinião de Chanes, a contribuição da fase 2 desse projeto e ajustes relevantes nos contratos de precificação de papelão - potencialmente, da ordem de 30% - devem dar suporte aos resultados, já olhando para 2023.

Pontos a favor

  • Aumento da preocupação com o meio ambiente, o que tem estimulado a troca das embalagens de plástico por cartonados/papel, elevando a demanda por produtos da Klabin;
  • Estrutura de capital balanceada, com nível de endividamento confortável, sobretudo diante da expressiva geração de caixa, impulsionada pela alta nos preços da celulose;
  • Autossuficiência energética na produção de celulose e papel, o que deixa a empresa menos exposta a riscos de fornecimento e ainda gera receita extra com a venda de energia excedente.

Pontos contra

  • Risco de desabastecimento de madeira, o principal insumo usado no processo fabril da companhia;
  • Influência nas decisões estratégicas da empresa por parte de investidores relevantes, o que pode gerar uma percepção negativa quanto à governança corporativa;
  • Forte competição nos segmentos de papel, celulose e embalagens, no Brasil e exterior, o que pode prejudicar a participação de mercado e a lucratividade da empresa.

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