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Alexandre Pellaes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Mudança só é boa se você souber o que está fazendo

Bruno Wolff/Unsplash
Imagem: Bruno Wolff/Unsplash
Alexandre Pellaes

Alexandre Pellaes é professor e pesquisador, especialista em temas relacionados a RH, liderança, futuro do trabalho e novos modelos de gestão. Mestre em psicologia do trabalho pela USP (Universidade de São Paulo) e fundador da Exboss.com.br, dedicado ao desenvolvimento de relações de trabalho mais humanizadas e com mais autonomia. Duas vezes palestrante TEDx.

Colunista do UOL

19/05/2022 04h00

Quando foi a última vez que você mudou?

Ou melhor, quando foi a última vez que você compreendeu que uma mudança era necessária, ou que você tinha que atualizar um ponto de vista ou aceitar uma realidade incômoda, e que isso demandava uma nova postura ou novo comportamento seu?

Seja sincero(a) - quando foi a última vez que você, conscientemente, tomou a decisão de ser ou fazer algo de maneira diferente?

Se você teve dificuldade de lembrar, é hora de prestar mais atenção e ter responsabilidade sobre suas escolhas, a fim de projetar um futuro desejável e agir para torná-lo um futuro possível.

É improvável que alguém nunca mude durante a vida toda. No entanto, é comum que a gente vá mudando sem perceber e sem ter qualquer intencionalidade ou direção sobre a mudança. E, aí, o risco é grande, porque podemos descobrir que estamos nos tornando alguém que não gostaríamos de ser.

Com empresas, não é diferente

A mudança é algo absolutamente necessário para o desenvolvimento de qualquer organização e a única maneira de identificar se está ocorrendo uma transformação positiva em sua cultura e na construção das relações entre colaboradores, líderes e clientes, é realizar levantamentos de dados e da percepção de suas equipes.

Se é difícil para um indivíduo enxergar a mudança e reconhecer impactos ao longo do tempo, imagine como é para uma empresa. Como dito pelo estatístico, escritor e consultor William Edwards Deming, considerado o "pai da qualidade" (caraca!):

"Sem dados, você é só mais uma pessoa com opinião..."

Por isso, toda organização precisa se comprometer com a mensuração de indicadores que possam dar sinais sobre o que é que está acontecendo, e sobre como as pessoas têm percebido qualquer movimento de mudança (se é que têm percebido).

Caso contrário, pode acontecer um descasamento de compreensão entre o que a empresa acha que oferece de experiência e o que as pessoas realmente vivem no dia a dia. Além disso, a correlação entre práticas organizacionais e o nível de engajamento das equipes dará sinais e indicará ações que serão positivas para melhorar a vida no mundo do trabalho.

Então, considerando a relevância do levantamento de informações para o desenvolvimento das organizações, por que muitas empresas não adotam essa prática? Em geral, por dois motivos principais: 1. Medo; 2. Medo. Rs. Me explico:

1. Medo do processo - "Será que é muito complicado?";

2. Medo dos resultados - "Xi... uma vez que alguns problemas fiquem evidentes, eu vou ter que agir, né?"

Seja qual for o medo que a sua organização tenha, é hora de superá-lo e assumir o compromisso com a evolução das condições de trabalho e com a construção de relações humanas com mais significado.

Ah, e se a próxima objeção for "mas custa caro", tá aqui a solução: a pesquisa FEEx - FIA Employee Experience, que já existe há mais de 15 anos e é base técnica de análise para o Prêmio Lugares Incríveis para Trabalhar, que rola anualmente com suporte do UOL.

Ela é gratuita e traz um montão de resultados e informações para o desenvolvimento das empresas que participam do levantamento. As únicas condições para participação são:

- Indicação de, ao menos, um responsável para organizar toda a informação e responder ao questionário de práticas;

- Ter, no mínimo, 50 funcionários.

Se sua empresa participa de outras pesquisas, não tem problema nenhum. Você pode se surpreender com uma nova metodologia e com informações diferentes e com muito cuidado com o método científico. Menos marketing, mais análise.

Ao observar dados da pesquisa de 2021 e compará-los com informações láaaa de 2006, dá pra ver movimentos interessantes da mudança que vem acontecendo, tais como:

- Em uma nuvem de palavras formadas pelo texto da "missão" de cada organização participante, é possível enxergar a mudança do foco de soluções e serviços (ou seja, "o que" a empresa oferece), para excelência, atenção, saúde (ou seja, "como" a empresa oferece aquele "o que");

- Em 2006, o tema mais bem avaliado nas práticas das empresas foi "saúde", e o tema com pior avaliação foi "responsabilidade socioambiental". Já em 2021, o tema mais bem avaliado nas práticas das empresas foi "estratégia e objetivos", e o tema pior avaliado foi "reconhecimento e recompensa". Apesar dessa última informação, a percepção sobre justiça na distribuição de participação nos lucros foi um dos itens que mais se desenvolveu positivamente, subindo 46%, o que indica que houve esforços para trazer mais transparência e implementar práticas de compartilhamento de resultados que talvez não existissem;

- O percentual de mulheres na liderança passou de 14% em 2006, para 27% em 2021, quase dobrando sua representatividade, mas ainda longe do que gostaríamos de ver na sociedade (estamos caminhando...);

- O índice de confiança dos colaboradores(as) na empresa onde trabalham subiu 15% nesse período e atinge o valor de 95% de confiança, entre as empresas participantes. Um indicador muito positivo.

Se você acha que esses dados estão fora da sua realidade, lembre-se de que a própria participação na pesquisa já começa a demonstrar um nível diferente de interesse da empresa pela satisfação de suas equipes.

Há ainda muitas outras análises possíveis de serem realizadas em posse das informações da FEEx, principalmente para investigar o impacto de práticas organizacionais sobre o bem-estar e engajamento das pessoas.

Eu já estou curioso para ver os resultados deste ano!

As inscrições para a pesquisa FEEx se encerram no dia 30 de maio. Se você quer que sua empresa participe, encaminhe essa coluna para o RH ou para as pessoas responsáveis. Será um prazer contar com sua participação.

Sua empresa participa de alguma pesquisa ou ação parecida com essa? Você acredita que é possível usar os dados desses levantamentos para melhorar as relações de trabalho?

Conte aqui nos comentários, ou escreva pra mim no instagram @pellaes.

Um grande abraço e muito bom trabalho!

Lugares Incríveis Para Trabalhar

Alexandre Pellaes é colunista do Lugares Incríveis Para Trabalhar, uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores do prêmio são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2022 estão abertas e vão até 30 de maio.