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Carlos Juliano Barros

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Trabalheira: Drones podem reduzir intoxicações na aplicação de agrotóxicos?

06/04/2023 04h00

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Mais de 7 mil pessoas foram intoxicadas por agrotóxicos no ambiente de trabalho, entre 2010 e 2019, segundo dados oficiais do Ministério da Saúde compilados pela agência de notícias Repórter Brasil — uma média de duas contaminações por dia.

Esse é o tema do terceiro episódio da nova temporada do podcast Trabalheira, disponível no arquivo acima.

Mesmo na era da "agricultura de precisão" — também chamada de "agricultura 4.0" devido ao uso cada vez mais intenso de tecnologias digitais — a manipulação de herbicidas, inseticidas e outras substâncias nocivas continua sendo um importante vetor de acidentes e doenças no meio rural.

Uma das últimas tendências no universo agro é o uso de drones para a aplicação de agrotóxicos. A técnica é vendida como uma modernização da polêmica "pulverização aérea" de lavouras.

Realizada por pequenos aviões, a prática é proibida em países da União Europeia e em alguns estados e municípios brasileiros, justamente por ameaçar a integridade do meio ambiente e a saúde de trabalhadores e comunidades vizinhas às plantações.

Mas será que o uso de drones contribui de fato para reduzir os impactos da pulverização de agrotóxicos?

Produzido pelo Repórter Brasil e distribuído pelo UOL, o podcast discute a relação entre a tecnologia digital e o mercado de trabalho. Em sua primeira temporada, o Trabalheira foi eleito um dos destaques do ano pelo Spotify no Brasil.

Agrotóxicos ao vento

"As projeções de vários engenheiros agrônomos que eu tenho visto é que, daqui a poucos anos no Brasil, a grande massa de aplicação de agrotóxicos seja por drone", afirma Naiara Bittencourt, advogada da Terra de Direitos, uma organização que assessora comunidades tradicionais e movimentos sociais.

"Ou seja, a gente vai ter muitos aparelhos por drone, a gente vai massificar a prática da pulverização aérea por agrotóxicos. E a pulverização aérea a gente já tem visto que causa diversos danos. Por exemplo, a deriva. Nós não temos ainda estudos aprofundados sobre os impactos da aplicação por drone. Ainda é tudo muito novo", complementa Naiara (ouça a entrevista a partir de 10:22).

Quando fala em "deriva", a advogada da Terra de Direitos se refere à força do vento que carrega agrotóxicos. Assim, ao invés de caírem nas plantas, as substâncias acabam contaminando rios, além de casas e escolas.

Riscos e impactos

Por outro lado, há quem defenda que o uso de drones é mais sustentável que o de aviões pulverizadores. É o caso de Lúcio de Castro Jorge, engenheiro e servidor da Embrapa, órgão federal especializado na assessoria técnica a produtores rurais.

"A qualidade da aplicação do drone é bem superior. Se você pensar, se gasta muito menos produto e tem muito menos impacto ambiental. Então, eu diria que é um caminho sem volta", afirma o engenheiro. No entanto, ele também chama atenção para os riscos.

"Imagina que um drone desse caia num manancial que abastece a água de uma cidade. É muito mais fácil cair um drone desses do que um avião de pulverização convencional", alerta o servidor da Embrapa. "Então, toda uma legislação tem que amparar melhor", reconhece (ouça a entrevista a partir de 07:42).

O podcast

A nova temporada do "Trabalheira" conta com cinco episódios, publicados sempre às quintas-feiras, neste espaço.

O programa é roteirizado e apresentado por este colunista, em parceria com a jornalista Ana Aranha, da Repórter Brasil.

Você pode ouvir este e outros episódios do Trabalheira no UOL, no Youtube, no Spotify, na Apple Podcasts e em todas as plataformas de podcast.