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7 coisas que deixei de comprar e me fizeram juntar muito mais dinheiro

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

14/08/2020 04h00

Você já ouviu alguém falando "se eu não bebesse, já estaria rico" ou "se eu não gastasse dinheiro com tanta coisa que não preciso, já teria feito duas viagens para o exterior"? Talvez você mesmo já se deu conta de alguma situação assim.

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. Neste artigo, bem como no vídeo acima, vou contar quais são as coisas que eu parei de comprar que me fizeram ficar mais rico.

Dica: as duas últimas coisas são as mais importantes, que me fizeram economizar mais dinheiro!

1. Carro

Já há dois anos que deixei de ter carro e posso afirmar com segurança que estou muito melhor assim!

Não estou falando que isso serve para todo mundo, mas eu te convido a refletir. Se ficar sem carro não é uma opção para você, pelo menos pode pensar em comprar um carro diferente em sua próxima troca.

Quando eu tinha carro, meus gastos eram elevadíssimos. Eu precisava alugar uma vaga perto do trabalho, que era uma região valorizada de São Paulo, e custava cerca de R$ 400 por mês. Com gasolina, eu gastava mais R$ 600. Só nestes dois custos, já eram R$ 1.000 por mês. Quando eu colocava na conta o seguro, IPVA, manutenção, estacionamentos aos finais de semana, entre outros, facilmente meu gasto passava dos R$ 1.500 por mês.

Do ponto de vista econômico, o carro ainda desvalorizava a cada ano. O bem que eu comprei por R$ 50.000 vendi por R$ 40.000 poucos anos depois.

Atualmente, só ando de Uber, carro alugado quando preciso, metrô e bike do Itaú. Eu já até contei como estou juntando R$ 100 mil sem ter carro.

Tenho muito mais tempo livre por dirigir muito menos, me livrei da preocupação de cuidar do carro e ainda economizo pelo menos R$ 1.000 por mês.

Claro que algumas pessoas precisam do carro, mas será mesmo que você precisa do modelo que tem hoje? Ou precisa de um carro zero?

Você sabia que um carro zero perde até 20% do valor assim que roda o primeiro quilômetro? Isso significa que se comprou um carro de R$ 50.000, perdeu R$ 10.000 assim que saiu da concessionária. Não sei para você, mas para mim isso é muito dinheiro!

2. Comer fora

Jantar fora é um negócio que eu sempre gostei porque adoro experimentar pratos diferentes. Mas, desde sempre, tive o hábito de levar marmitas para o trabalho.

São basicamente dois motivos que me levaram a esse hábito: economia e saúde.

Eu como bastante, e ir a restaurantes todo dia me fazia gastar muito e comer muita besteira.

Quando era sócio da maior consultoria econômica do Brasil, ainda levava marmitas. Pode perguntar para todos que trabalharam comigo nessa época, que não me deixarão mentir. E só parei de levar comida para o trabalho quando virei economista do Safra porque lá havia um restaurante gratuito para funcionários.

Mesmo hoje, que trabalho em casa, cozinho minha própria comida uma vez por semana e congelo em várias marmitas (porque tenho preguiça de cozinhar todo dia).

Para fazer duas receitas diferentes, uma para o almoço e outra para a janta, gasto uns R$ 100 por semana. Aqui na região da Avenida Paulista onde moro, pelo tanto que como, esse dinheiro seria suficiente para me alimentar só por um dia e meio, ou dois, no máximo.

Por mês, é uma economia de mais de R$ 1.000. E ainda me alimento melhor!

Eu deixo para gastar com isso em situações especiais (que nem são tão especiais assim) como sair com uns amigos ou jantar fora com a minha namorada uma vez por semana.

3. Eletrônicos

Eletrônicos são coisas que deixei de comprar desnecessariamente.

Se você reparar, as marcas lançam novas versões dos mesmos produtos duas ou três vezes por ano, com pequenas mudanças. Mas o marketing faz um trabalho tão bem feito que quase todo mundo começa a desejar o novo produto quase como se fosse uma necessidade.

Convenhamos, é legal ter um celular com carregamento sem fio, mas essa função está longe de ser necessária. Um smartwatch é bacana, mas depois que você compra, percebe que não faz muita coisa além de ver as horas e verificar o batimento cardíaco, que não é tão preciso assim nesse tipo de equipamento.

E me lembro direitinho quando ainda não pensava assim. Eu nunca fui de jogar videogame, mas quando fui para os Estados Unidos pela primeira vez comprei um PlayStation 4, que usei até bastante no começo. Mas fui deixando de jogar e, hoje, deve fazer pelo menos uns dois anos que sequer o ligo.

Algumas pessoas jogam bastante, mas cada um consegue pensar em um exemplo de alguma coisa que comprou por impulso e deixou de usar rapidamente. Deixe seu comentário contando o que foi que comprou à toa e nunca mais usou.

4. Lançamentos e promoções

No lançamento, todo produto é mais caro.

Os celulares tops de linha estão sendo lançados na faixa dos R$ 5.500. Entre dois e quatro meses depois do lançamento, o mesmo celular já cai para ao redor de R$ 4.000. Quando lançam um modelo mais novo, então, esse preço despenca. E ele vai continuar super atual.

Aliás, eu já dei a dica da melhor hora de trocar de celular e contei segredos de como economizar pelo menos 30% nessa hora.

Eu mesmo tenho um bom celular, que é o S8 da Samsung, há uns três anos. Trabalho com internet e, mesmo assim, ele continua me atendendo direitinho. Não preciso de um celular novo a cada lançamento.

Meu notebook, que também uso para trabalhar, é o mesmo há pelo menos seis anos.

Promoções também podem ser uma cilada!

Toda campanha de marketing da promoção é criada para dar um senso de urgência em você: "se eu não comprar agora, vou perder a oportunidade da minha vida"!

Besteira! A maioria de nós acaba comprando alguma coisa que não precisava e nem imaginava comprar até ver a promoção. E lá vai dinheiro gasto à toa com mais coisas para empilhar em casa.

Aproveitar promoções, como a Black Friday, para planejar a compra de um item que já queria ou precisava faz tempo é outra coisa. Isso se chama planejamento.

5. Baladas e bebidas

Eu já tive a fase de ir à balada todo fim de semana e gastar rios de dinheiro bebendo.

É uma fase que muitos jovens também passam. Mas, aos poucos, eu percebi o óbvio: as bebidas nesse tipo de lugar são muito mais caras do que em qualquer outro lugar. Eu só estava acabando com meu dinheiro, com a saúde e com meu fim de semana, porque no dia seguinte estava "morto" de ressaca, e começava a semana cansado em vez de descansar.

É claro que de vez em quando ainda vou para um bar ou uma balada e bebo. Mas reservo isso para ocasiões especiais e dificilmente bebo o tanto que eu bebia quando era mais novo.

Ah! Outra coisa que eu nunca fui de fazer, mas muita gente faz, é comprar bebida cara para impressionar os outros. É desperdício em dobro!

6. Coisas para impressionar

Aproveitando o que a gente estava falando, pare e reflita honestamente o tanto de coisas que você tem que não é genuinamente algo que de fato queria ou precisava, mas acabou comprando só porque é legal que os outros vejam que você tem.

Não precisa responder agora, vai pensando sobre isso nos próximos dias e se quiser, comente aqui o seu exemplo, que pode ajudar muita gente.

Eu mesmo posso dar vários exemplos:

  • Comprar o Applewatch, que é o relógio mais caro, só porque ele é quadradinho e todo mundo sabe que é caro só de "bater o olho";
  • A camiseta com a logomarca que todo mundo conhece;
  • O carro mais desejado, mesmo que você tenha que pagar o financiamento em mais de 50 parcelas;
  • Comprar a bebida importada ou ir ao bar caro da sua cidade só para tirar uma foto e postar no Instagram e todo mundo saber que você tinha dinheiro para estar lá.

Não é nenhum pecado comprar nada disso. Mas eu comecei a refletir o quanto eu gastava meu dinheiro para parecer rico para os outros, enquanto eu ficava cada vez mais pobre. E mudei!

7. Esvaziar o guarda-roupas

Essa não é exatamente uma dica de alguma coisa que parei de comprar, mas reflete em todos os hábitos que comentei até aqui.

Houve um dia que me deu um "estalo" e resolvi me livrar de tudo o que eu realmente não usava mais.

Comecei pelo meu guarda-roupas, separei todas as roupas que eu raramente usava e doei tudo. Dias depois, repeti o processo e encontrei ainda mais coisas que não tinha conseguido me desprender na primeira vez.

Se parar para pensar, você pode ter dez pares de sapato e 20 camisetas, mas acaba usando os mesmos dois tênis de sempre e as quatro ou cinco camisetas que mais gosta.

E fui fazendo isso para a minha casa inteira. Passando por eletrodomésticos que não usava, livros que nunca li e coisas que nem eram minhas, mas havia pegado emprestado (essas, devolvi para os donos; não as doei).

Resumo da história: agora, sei exatamente tudo o que tenho, pois são justamente as coisas que uso, e sei quando preciso de uma camiseta nova porque uma velha já não dá mais para usar.

Não existe mais a situação de eu passar em frente a uma loja e acabar comprando uma roupa por imaginar que precise de uma. Agora, eu tenho controle do que eu preciso porque sei tudo o que possuo e a hora de comprar coisa nova.

E, de quebra, a vida fica muito mais ágil. Vai por mim: quanto mais bagunça e "entulho" você acumula em sua vida, menos prática ela fica.

Curiosidade: o que eu faço com o dinheiro economizado?

Com todo esse dinheiro economizado, montei minha reserva de segurança de 12 meses para qualquer surpresa e diversifiquei meus investimentos com objetivos diferentes:

  • Um para a próxima viagem;
  • Outro para uma hora comprar a casa na praia que eu tanto sonho;
  • Mais um que vou construindo aos poucos para a minha aposentadoria; e assim vai.

Como para cada objetivo e meta há investimentos diferentes, sempre dou novas dicas de investimentos por aqui. E hoje não seria diferente:

  • Ações sem home broker: a corretora Toro dispõe de uma maneira de investir em ações sem precisar do home broker, que muitas vezes é um "complicômetro" para quem ainda não está habituado com investimentos em ações da Bolsa.
  • Gestora da patrimônios: a Magnetis permite que o pequeno investidor tenha acesso a uma carteira de investimentos diversificada, cuidada por um gestor experiente e aliada à assistência de um consultor de investimentos para orientar os clientes em suas decisões de investimentos;
  • Buscador de investimentos: o App Renda Fixa elenca todas as opções de investimentos em renda fixa, do Tesouro Direto às debêntures de todas as corretoras, mostrando suas rentabilidades, prazo de retorno e risco de cada um.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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