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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Dólar elevado deve ser realidade brasileira até o fim do ano

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Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

30/03/2021 04h00

A alta do dólar, moeda que atualmente beira os R$ 5,80, veio para ficar. Há pelo menos três fatores pressionando o dólar no patamar elevado, mas você sabe por que ele oscila tanto?

O dólar é um produto e, assim, segue a lei da oferta e demanda. Se há muita oferta e pouca demanda, essa moeda cai. Se, ao contrário, a oferta recua e a demanda aumenta, ela sobe.

Cotação é o "preço" desse produto e reflete as mudanças no mercado. No caso brasileiro, sempre que há um receio com o país, investidores estrangeiros retiram seus investimentos dele, em ativos financeiros (como ações e renda fixa) ou em ativos reais (como empresas).

São três fatores que seguram a moeda em um patamar elevado: a taxa de juros brasileira em um patamar baixo, o juro americano em alta no longo prazo e o risco fiscal do governo brasileiro.

Você deve estar se questionando: "mas na última reunião do Copom não elevamos os juros?". De fato, a Selic subiu de 2% ao ano para 2,75% ao ano e a tendência é de mais altas.

Mesmo os mais pessimistas dos economistas, porém, não esperam que o juro suba para mais de 6% até o fim do ano. Esse patamar é ainda muito abaixo do que o investidor estrangeiro presenciou por aqui anos atrás (já vivemos tempos de juros acima de 14%).

Portanto, estamos lidando com um dos três fatores, mas os outros dois continuam a pressionar o dólar.

Efeitos do dólar elevado

Muito além de viagens mais caras ao exterior, o dólar elevado impacta diretamente a economia brasileira.

Recentemente, vimos m aumento considerável em vários produtos, de óleo de soja a gasolina. Em parte, o preço elevado é explicado pela compra da matéria-prima em dólar (caso do combustível) ou da relação do preço com as commodities negociadas em dólar (caso da soja).

Além disso, muitas indústrias compram maquinários e outros insumos de fora. Os preços acabam sendo repassados internamente, o que gera inflação.

Você acredita que o dólar deve seguir elevado em 2021? Comente abaixo ou nas nossas redes sociais (Instagram ou YouTube).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL