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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em dança de cadeiras, governo mira 2022 e acerta o próprio pé

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone é economista e jornalista, teve passagens por grandes jornais nas áreas de economia e finanças, foi professora em um curso de graduação em Economia e hoje coordena uma equipe em um aplicativo de gestão financeira. Além disso, se dedica às finanças pessoais no Econoweek.

01/04/2021 04h00

No troca-troca de cadeiras ministeriais, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) mirou na Lua na tentativa de sair com uma imagem um pouco mais forte da crise de saúde e econômica na qual se encontra o país. Mas, ao que tudo indica, o tiro foi no próprio pé com o mercado reticente do que vem daqui para frente.

Na segunda-feira, ao trocar seis nomes da linha de frente, o governo deu acenos positivos ao mercado.

A saída do então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, foi bem aceita, pois o nome já estava desgastado entre empresários, diplomatas e parlamentares. O diplomata Carlos Alberto França, que o substituiu, é visto como um nome mais técnico e que pode, se é que é possível, melhorar a imagem do País para o mundo.

Vale lembrar que esse rebranding veio em uma boa hora, já que estamos na luta por conseguir negociar mais vacinas e insumos e pensamentos negacionistas só atrapalham as negociações.

No caso da Secretaria de Governo, a entrada da deputada Flávia Arruda, do PL, foi positiva porque a parlamentar é aliada do presidente da Câmara, Arthur Lira.
A cada dia que passa, fica mais difícil acreditar no avanço de reformas importantes, como a tributária, mas o mercado ainda insiste em ter fé. Neste caso, uma boa relação entre Executivo e Legislativo vem a calhar.

Foram dois tiros certos do ponto de vista econômico. A bala começou a tomar rumo errático quando passou pelo cargo do ministério da Defesa, mas tomou rumos não previstos ao vermos a reação das três Forças Armadas (Aeronáutica, Exército e Marinha).

Tanta coisa aconteceu no Brasil que parece que foi há anos. No entanto, basta voltarmos alguns meses que começamos a nos recordar da série de derrotas do Executivo.

Foram perdas de ministros fortes, como Sérgio Moro (Justiça) e Abraham Weintraub (Educação), a entrada do ex-presidente Lula na cena política, a carta dos economistas que mostrou o descontentamento do empresariado e a crescente sem limites do número de mortes pela covid-19.

O Executivo tenta, em uma última cartada, fortalecer sua imagem ao colocar na Defesa um nome sobre o qual teria mais controle da narrativa, sobretudo na atuação contra os lockdowns promovidos por governadores.

Walter Souza Braga Netto é de fato mais alinhado aos pensamentos de Bolsonaro. Mas também ficou claro que dentro das Forças Armadas há uma ala importante que não concorda com a condução do país.

Neste ponto, o mercado não gostou dos dois cenários que se desenham.

Se a aproximação com as Forças Armadas foi uma fumaça para tirar o foco dos demais problemas (como a vacinação ou falta dela), não funcionou, porque a debandada expôs ainda mais o presidente "nu".

Por outro lado, se a estratégia de fato se aproxima de uma ruptura institucional, investidores correm para as colinas diante do aumento de risco político.

Entre mortos e feridos, o Brasil segue sangrando à espera de novas vacinas.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL