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José Paulo Kupfer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ritmo de atividade em queda eleva pressão por novo auxílio a níveis máximos

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José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito “Jornalista Econômico de 2015” pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

10/02/2021 16h12

O ritmo negativo de atividade do comércio varejista em dezembro é mais um sinal de alerta para a situação de fraqueza da economia. O fluxo de negócios em pleno mês do Natal registrou a maior queda em dezembro desde o início da série apurada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2000.

Chama a atenção a distância entre os dados concretos e as projeções dos analistas. Nas estimativas do mercado, o varejo registraria recuo de 0,8% em dezembro, na comparação com novembro. Mas a queda, no setor restrito, que não contabiliza comércio de construção civil e veículos, foi de 6,1%. No segmento ampliado, em que construção e veículos são considerados, a contração mensal foi de 3,7%. No conjunto do ano de 2020, o varejo restrito fechou positivo, com alta de 1,2%, mas o ampliado ficou 3,5% abaixo do movimento de 2019.

Com o fim do auxílio, a dramática situação do mercado de trabalho, com índices de desemprego que, na realidade, atingem cerca de 25% da força de trabalho, voltou a lembrar que a massa salarial está em contração e a capacidade de consumir, deprimida. Mais do que agregar mais incertezas sobre a futura decisão do Banco Central para os juros básicos - o BC subiria juros com a economia em descenso? -, o breque de dezembro aumenta para níveis máximos as pressões para a volta de um auxílio emergencial.

Há consenso sobre as principais causas para o resultado negativo, que projeta retração para os primeiros meses de 2021. A combinação de redução do auxílio emergencial - e fim seu fim para parcela dos beneficiários - com inflação em alta, sobretudo em alimentos, teria freado o consumo. O recrudescimento da pandemia, determinando novos períodos de distanciamento social, decretado por governos ou mesmo voluntário, completaria as razões do mergulho.

Os analistas ainda prevêem um crescimento em torno de 3% para o quarto trimestre, levando o PIB (Produto Interno Bruto) a uma queda de 4% em 2020 como um todo. Mas as informações já conhecidas estão indicando desaceleração no fim do ano e retração, no primeiro trimestre de 2021. A começar dos índices de confiança no desempenho da economia, nos primeiros meses do ano. Há quem projete queda de 5% na atividade no período janeiro-março, em relação ao intervalo outubro-dezembro de 2020.

Não é coincidência a aceleração dos movimentos dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) com o objetivo de aprovar um novo programa de sustentação de renda. Ainda que não repita as características distributivas do auxílio de 2020, com valores mensais menores e população beneficiada mais restrita, o auxílio de 2021 ajudará, pelo menos em parte, a reverter as perspectivas de desaquecimento econômico que anda ganhando corpo com rapidez.

Não se trata mais de saber se haverá novo auxílio, mas quando ele começará a ser pago. Só depende de os líderes do Congresso encontrarem a fórmula mais palatável de vencer hesitações do presidente Jair Bolsonaro e de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, ao drible na regra do teto de gastos, que já decidiram aplicar.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL