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Dólar bate recorde, mas está longe dos números da eleição de Lula em 2002

Diogo Max

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/09/2018 17h06

O dólar comercial bateu recorde nesta quinta-feira (13), indo a R$ 4,196 na venda. É o maior valor desde a criação do Plano Real, em 1º de julho de 1994, e foi fortemente influenciado pela disputa eleitoral no Brasil e pelo movimento de alta na taxa de juros nos Estados Unidos.

Mas isso não significa necessariamente que ele quebrou o patamar de 2002, quando o nervosismo e o estresse tomaram conta do mercado financeiro com a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que assumiria em 2003. O presidente em 2002 era Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Quando se atualizam os valores pela correção da inflação oficial no Brasil e nos Estados Unidos, o dólar precisaria valer hoje acima de R$ 7,50 para quebrar esse patamar, de acordo com cálculos feitos pelo professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Pedro Vartanian.

A diferença entre a taxa de câmbio nominal e a real (que desconta a inflação nos dois países) mostra o nível de competitividade da economia brasileira, afirmou ele.

Retirada em massa de dinheiro do Brasil

O dia 10 de outubro de 2002 foi o momento de maior pressão sobre o câmbio no país. Naquele dia, a moeda americana fechou cotada a R$ 3,99 (valor nominal, portanto sem o desconto da inflação), com um indicativo maior de que Lula seria eleito no 2º turno.

Como o mercado considerava naquele momento que Lula representava uma ameaça à economia e aos negócios no país, os investidores retiraram em massa dinheiro do Brasil (vendendo reais e trocando por dólares), o que causou o estresse no mercado.

"Havia um receio de que o PT, ao assumir o poder, cancelasse os pagamentos da dívida externa. Os investidores estrangeiros, então, retiraram o dinheiro da economia", afirmou o professor.

A economia do Brasil, em 2002, também era mais fechada, propiciando uma escassez de dólares no país. "Havia uma ameaça às políticas ortodoxas e que o mercado de câmbio passasse a ser manipulado", afirmou Robério Costa, economista-chefe do grupo Confidence.

Tendência é de alta do dólar

Na visão dos especialistas, a comparação entre 2002 e 2018 possui poucas semelhanças. Na verdade, segundo eles, há uma brutal diferença.

Mesmo com os problemas atuais da economia brasileira, Costa explica que o país tem uma alta taxa anual de investimento estrangeiro direito. A previsão é de que o Brasil deva receber US$ 67 bilhões neste ano, de acordo com dados do Banco Central (BC).

“Apesar de o risco ter sido maior naquela época, hoje o BC possui US$ 379,4 bilhões em reservas, um montante considerado elevado para o padrão histórico da economia brasileira”, afirmou Vartanian.

Para ele, o movimento de alta no câmbio deve continuar nos próximos meses. Mas muito mais pela incerteza em relação ao desempenho das economias dos países emergentes diante do aumento das taxas de juros nos Estados Unidos do que pela incerteza política.

O economista-chefe do grupo Confidence disse acreditar que alta do dólar no curto prazo continuará sendo influenciada pelas pesquisas eleitorais. “Há muita dúvida, e existe um grande risco em relação ao que vai acontecer com a política econômica”, disse Costa.

Ele afirmou, contudo, que a alta nas taxas de juros nos EUA e a crise na Turquia e na Argentina devem influenciar no processo. “Mas devagar”, disse.

Errata: o texto foi atualizado
14/09/2018 às 16h30
O dólar precisaria valer hoje acima de R$ 7,50 para estar no mesmo nível de 2002. A reportagem, destacada também na home-page do UOL, inicialmente informava que seria de R$ 10,46, mas o cálculo estava errado porque não levava em conta a inflação nos Estados Unidos.

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