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É hora de comprar ou vender ações da Vale? Veja o que analistas recomendam

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

28/01/2019 16h13Atualizada em 28/01/2019 19h44

As ações da Vale registraram queda de 24,52% nesta segunda-feira (28), na primeira sessão da Bolsa de Valores após o desastre com a barragem da mina do Feijão, em Brumadinho (MG). Entre outras medidas, a companhia anunciou a suspensão do pagamento de dividendos aos acionistas.

Como o investidor que possui as ações da companhia deve agir agora? É melhor vender ou manter os papéis? E quem não é acionista da mineradora? É um bom momento para comprar? Veja a avaliação de analistas.

Quem tem ações não deve vender agora

Para quem é acionista da Vale e tem um plano de investimento de longo prazo, a recomendação dos analistas é não vender as ações. A indicação serve tanto para quem comprou ações diretamente na Bolsa como para quem investiu recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) na empresa nos fundos abertos para esse fim, em 2002. O investimento no Fundo FGTS Vale acumulava valorização de 1.606% desde sua criação até quinta-feira (24), segundo a empresa de dados financeiros Economatica.

"Agora é hora de ter paciência. Leve em consideração que o mercado sempre exagera [na venda das ações] quando há uma notícia inesperada. Os investidores ficam sujeitos ao efeito manada. O lado psicológico fala mais alto do que o lado racional", afirmou Filipe Villegas, analista da Genial Investimentos.

Para o especialista, no curto prazo, dificilmente as ações da Vale retornarão ao patamar de preço de quinta-feira, quando fecharam valendo R$ 56,15. Nesta segunda (28), os papéis encerraram o pregão valendo R$ 42,38.

"É difícil, nesse momento, dizer quanto a Vale vai perder por causa de parada da produção, gastos com resgates, multas ambientais, indenizações e outros prejuízos decorrentes do acidente em Brumadinho, mas acredito que as ações ficarão acima do preço atual", disse Villegas.

O analista Pedro Galdi, da corretora Mirae, lembrou que as ações da Vale se recuperaram do desastre de Mariana cerca de seis meses após o evento, ocorrido em novembro de 2015. 

"Se o foco do investidor é de longo prazo, deve ficar com as ações. Agora, quem comprou para especular, aquele investidor que compra num dia para vender no outro, esse não tem jeito. Vai ter que assumir o prejuízo", disse Galdi.

Comprar ações agora somente com foco de longo prazo

Quem ficou tentado em comprar as ações da Vale depois da forte queda dos papéis nesta segunda-feira deve estar ciente de que os papéis sofrerão grandes oscilações e podem continuar caindo nos próximos dias. Porém, se a ideia é manter o investimento com foco no longo prazo, o momento é favorável para compra.

"Apesar do desastre, a Vale possui bons fundamentos como empresa de mineração. Basta observar como as ações reagiram depois de Mariana. Houve recuperação do preço mundial do minério de ferro, valorização do dólar frente ao real e início da produção de minério de alta qualidade com a operação do projeto S11D [de exploração de minério de ferro no Pará, com capacidade de até 90 milhões de toneladas por ano]", afirmou Galdi.

A maior incerteza, segundo os especialistas, é como a empresa será punida pelos grandes investidores estrangeiros.

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

"É claro que a Vale estará sujeita a multas, terá que fazer provisões para as indenizações. Mas, a maior perda poderá ser de imagem, de sofrer dois acidentes parecidos em tão pouco tempo. Como uma barragem considerada de baixo risco desaba sobre o refeitório da empresa bem na hora do almoço? Os controles de segurança certamente precisam ser revistos", disse Galdi.

Segundo a análise técnica, que leva em conta o comportamento dos preços da ação ao longo do tempo, as ações da Vale teriam um bom ponto de compra na faixa de R$ 39,50 a R$ 40, afirmou Villegas, da Genial Investimentos. 

"Há um forte suporte gráfico nesse preço, o que pode estimular investidores a comprar as ações e provocar uma recuperação de curto prazo. É um valor com uma boa relação risco/retorno. A chance de cair mais é menor do que a chance de voltar a subir", disse Villegas.

Eventual perda com ações pode ser compensada no IR

O acionista que eventualmente vender as ações da Vale com prejuízo poderá lançar as perdas na declaração de Imposto de Renda (IR) em 2020 para abater os lucros com outras operações na Bolsa de Valores, afirmou Galdi, da Mirae.

"A boa notícia para quem tem ações da Vale é que o cenário para o resto da Bolsa brasileira é muito bom. O Ibovespa deve superar os 120 mil pontos. Se ele realizar a perda [vender as ações] com Vale agora poderá comprar papéis de outras empresas e compensar essa perda no IR lá na frente quando tiver lucro com outras ações", disse Galdi.

Veja o caminho percorrido pela lama da barragem de Brumadinho

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