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Bolsa sobe 1,27%, após tombo de ontem; dólar fica quase estável, a R$ 5,765

Do UOL, em São Paulo

29/10/2020 17h27

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em alta de 1,27%, a 96.582,16 pontos, após quedas generalizadas nas Bolsas mundiais na véspera. O resultado interrompeu uma sequência de quatro quedas. Ontem, o índice caiu 4,25%, o pior resultado desde abril, no início da pandemia de coronavírus, com temores sobre a segunda onda de casos sobretudo na Europa.

O dólar comercial fechou quase estável, com leve alta de 0,03%, a R$ 5,765 na venda. É o maior valor desde 15 de maio (R$ 5,839). Na véspera, o dólar subiu 1,43%, a R$ 5,763, mesmo após o Banco Central intervir no mercado para conter a alta.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Dados sobre os EUA trazem algum alívio

Apesar das preocupações com a disseminação da covid no mundo, que derrubou as Bolsas ontem, houve algum alívio no mercado com a divulgação de que o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos disparou 33,1% no terceiro trimestre, resultado acima do previsto. Esse foi o ritmo mais forte desde que o governo iniciou os registros, em 1947.

Além disso, dados divulgados hoje mostraram que 751 mil norte-americanos entraram com novos pedidos de auxílio-desemprego na semana passada. Apesar de continuar em um patamar elevado e sinalizar dificuldades para o mercado de trabalho dos EUA, o número e menor que o esperado.

Ainda nos EUA, a proximidade da data da acirrada disputa entre o atual presidente, Donald Trump, e seu adversário democrata, Joe Biden, em 3 de novembro, significa mais um obstáculo para as negociações de novos estímulos fiscais na maior economia do mundo, que provavelmente só serão implementados depois que os norte-americanos forem às urnas.

Covid no mundo

No entanto, o cenário de segunda onda de covid continuava no radar dos investidores, que já operavam com os nervos à flor da pele a poucos dias das eleições presidenciais norte-americanas.

Na visão do estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, a explosão de casos de coronavírus na Europa nos últimos dias acabou levando diversos países a adotarem medidas mais agressivas de distanciamento social e fechamento econômico mais amplo, gerando maior instabilidade.

"Esperamos um curto prazo de maior volatilidade e incerteza. Por alguns momentos, podemos ter a sensação de que voltamos no tempo e poderemos viver um novo 'março de 2020'", afirmou. "Ainda estamos distantes da normalidade e de uma clara recuperação mais vigorosa em todas as regiões do mundo."

Juros e gastos públicos no Brasil

No Brasil, os investidores repercutiram a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, na mínima histórica de 2% ao ano, ontem, conforme esperado pelo mercado. O BC deixou a porta aberta para eventual corte nos juros básicos à frente.

Parte dos agentes do mercado esperava um endurecimento na postura do BC após a escalada dos temores fiscais desde a última reunião do Copom, em setembro. O BC, contudo, não fez nenhuma menção mais concreta ao tema.

Entre os principais riscos fiscais projetados pelos mercados, o que tem dominado as preocupações dos investidores é a possibilidade de que o governo fure o teto de gastos para financiar seu novo projeto social, batizado de Renda Cidadã.

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