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Dólar cai a R$ 5,084, menor valor em mais de 5 meses; Bolsa emenda 6ª alta

Com o desempenho de hoje, o dólar comercial vai acumulando desvalorização de 2,02% frente ao real em 2021 - Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo
Com o desempenho de hoje, o dólar comercial vai acumulando desvalorização de 2,02% frente ao real em 2021 Imagem: Suamy Beydoun/AGIF/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

02/06/2021 17h21Atualizada em 02/06/2021 18h17

Revertendo a tendência apresentada pela manhã, o dólar fechou o dia em queda de 1,20%, cotado a R$ 5,084 na venda. É o menor valor alcançado em mais de cinco meses, desde 18 de dezembro, quando a moeda americana encerrou a sessão vendida a R$ 5,083.

Com o desempenho de hoje, o dólar acumula desvalorização de 2,02% frente ao real em 2021 — resultado muito puxado pelos números do mês passado, quando a moeda americana somou perdas de 3,81%.

Já o Ibovespa emendou sua sexta alta consecutiva, esta de 1,04%, renovando seu recorde nominal (sem considerar a inflação) e chegando aos 129.601,44 pontos. No ano, o principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3) soma ganhos de 8,89%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

A expectativa do mercado segue concentrada na divulgação, nos próximos dias, de novos dados econômicos dos Estados Unidos, com destaque para um importante relatório sobre o emprego previsto para sexta-feira (4).

Indicadores com resultados positivos podem elevar as apostas dos investidores num aperto monetário precoce por parte do Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano), à medida que o país deixa para trás a crise gerada pela pandemia.

Os agentes financeiros "buscam entender se o crescimento acelerado trazido por dados irá se traduzir em uma pressão sobre os preços persistente o suficiente para que os bancos centrais sejam obrigados a iniciar o processo de retirada de estímulos", segundo explicou à Reuters Victor Beyruti, economista da Guide Investimentos.

Cenário doméstico ajuda

Além dos fatores internacionais, analistas também têm chamado a atenção para uma percepção melhor sobre o cenário doméstico, que contribuiu para esta queda acentuada registrada pelo dólar nos últimos dias.

"Há sinais ainda discretos de retomada da atividade econômica no Brasil — o PIB do 1º trimestre aponta nesta direção — e, com o novo perfil de atuação do BC, fazendo a correção da taxa de juros, compatibilizando-a com a realidade brasileira e aos parâmetros inflacionários presentes, o preço do dólar começa a devolver a exacerbação havida na formação do seu preço", disse Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados ontem mostraram que o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil cresceu 1,2% entre janeiro e março, terceiro trimestre seguido de ganhos, e voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia. Mesmo assim, vários riscos continuam no radar.

"O sentimento é de que o país deseja 'viver o momento presente' sem os temores do que está por vir, como a probabilidade de termos uma terceira onda da pandemia de coronavírus, ou mesmo uma crise hídrica, que teria forte impacto na atividade econômica", completou Nehme, também alertando para a chance de valorização internacional do dólar no caso de uma política monetária mais dura nos EUA.

Mesmo o cenário político brasileiro (...) parece ter consideração menor do mercado financeiro neste momento. As vulnerabilidades continuam no radar e é temerário não considerá-las como factíveis.
Sidnei Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora, à Reuters

(Com Reuters)

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