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Petróleo sobe e chega a passar de US$ 130 em meio à guerra na Ucrânia

Do UOL, em São Paulo

08/03/2022 14h22Atualizada em 08/03/2022 18h32

Os preços do petróleo voltaram a subir nesta terça-feira (8) e chegaram a ultrapassar a marca de US$ 130, em meio a novas sanções e boicotes anunciados por países do Ocidente contra a Rússia. Por volta das 18h30 (de Brasília), o barril de petróleo do tipo Brent disparava 4,54%, a US$ 128,80, depois de tocar os US$ 135 pela manhã — o maior valor em 14 anos, desde 2008.

No mesmo horário, o petróleo americano WTI (West Texas Intermediate) subia 3,95%, chegando a US$ 124,12.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou uma proibição das importações de petróleo, gás e carvão russos — uma resposta à invasão da Ucrânia, que já dura 13 dias. "Os EUA vão mirar na principal artéria da economia da Rússia. Isso significa que o petróleo russo não será mais aceito nos portos norte-americanos", disse.

Biden reconheceu, porém, que a decisão trará custos para a população dos EUA.

"A guerra de [Vladimir] Putin já está atingindo a família americana na bomba de combustível. Desde que Putin começou a escalada na Ucrânia, o preço do combustível subiu 75 centavos. Com esta ação, vai continuar a subir", alertou, acrescentando que vai liberar 60 milhões de barris da reserva dos EUA para tentar conter o aumento do preço.

Pouco depois, o Reino Unido também informou que vai gradativamente eliminar as importações de petróleo e derivados da Rússia até o final deste ano.

Efeitos no Brasil

A guerra entre Rússia e Ucrânia também deve impactar — e em breve — o preço dos combustíveis no Brasil. Especialistas ouvidos na semana passada pelo UOL já consideram que o preço do barril de petróleo ainda se manterá acima de US$ 100 por alguns meses, independentemente da duração do conflito, e a Petrobras não conseguirá segurar o repasse deste aumento, principalmente se o dólar voltar a subir.

Mas é possível que o litro da gasolina, por exemplo, chegue aos R$ 10?

O economista Guilherme Moreira, coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), acredita não ser um "absurdo" pensar que sim, ao menos em algumas cidades brasileiras. Ele cita que, no último dia 2, por exemplo, o barril do Brent estava sendo negociado a US$ 111, o que representa um aumento de 44% em relação à cotação de dezembro. Em contrapartida, o real teve uma valorização de 10% em relação ao dólar.

"Fazendo uma subtração simples, ainda sobram 34% [de diferença]. Em lugares como o Rio de Janeiro, por exemplo, onde a gasolina já passa de R$ 7, um aumento de 30% elevaria o preço a quase R$ 10", afirma. "Isso [correrá] se tudo se mantiver como está hoje. Mas nós sabemos que a tendência é o dólar se valorizar, o que pode puxar esse aumento também", completa.

Já André Braz, economista e coordenador do IPC do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), acha que não é possível especular valores, mas diz concordar que o aumento é inevitável, já que a situação é "atípica" e vem no momento em que o Brasil ainda se recupera dos efeitos da pandemia de covid-19.

"Vai depender um pouco da valorização da nossa moeda também, que pode mitigar aumentos daqui para frente. Mas, com certeza, vai afetar a inflação, até por meio da própria agricultura. A gente já viu as cotações internacionais de milho, soja e trigo disparando, o que pode contaminar o preço das carnes. É aquela bola de neve, um preço puxando o outro", explica.

(Com Reuters)