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Com garrafas de até R$ 20 mil, empresas tentam atrair iniciantes do vinho

Larissa Coldibeli

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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    Alykhan Karim trocou os EUA pelo Brasil para fundar a Sonoma, loja online de vinhos

    Alykhan Karim trocou os EUA pelo Brasil para fundar a Sonoma, loja online de vinhos

O crescimento do consumo de vinho no Brasil tem aberto oportunidades para pequenos negócios no setor. Start-ups como a Sonoma, loja de vinho online, e a franquia Vinho & Ponto são empresas que apostam na popularização da bebida para crescer. Mas a falta de uma cultura de consumo, no entanto, é uma dificuldade que precisam vencer, segundo o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho).

"Por muitos anos, houve uma excessiva glamourização, o que afastava o consumidor iniciante do mundo do vinho. Hoje, porém, o cenário vem mudando, e o vinho tem ganhado espaço nos mais diversos pontos de venda, com uma apresentação mais simples e descomplicada", afirma Erni Luis da Silveira, fundador da Vinho & Ponto.

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A Vinho & Ponto aposta em linguagem descomplicada sobre vinhos
Além de uma rede de lojas franqueadas, a Vinho & Ponto é uma importadora que trabalha com mais de 400 rótulos exclusivos, de 14 países diferentes. Os preços variam de R$ 25 a R$ 20 mil por garrafa, segundo Silveira. São 20 lojas pelo Brasil, e a empresa aposta principalmente no interior e nas regiões Norte e Nordeste. "São regiões onde há demanda, mas a oferta é pequena", diz.

Destacar os benefícios do vinho à saúde com linguagem simples e deixar etiquetas de preço nas garrafas para evitar surpresas no caixa são algumas das ações adotadas pela empresa para atrair novos consumidores. Outras estratégias são fornecer a bebida em festas e eventos e elaborar cartas de vinho para restaurantes, fazer harmonizações com cardápios e treinar os profissionais desses estabelecimentos.

A franquia tem investimento inicial a partir de R$ 147 mil, que incluem custos de instalação, taxa de franquia e capital de giro. O faturamento médio mensal é de R$ 50 mil. O lucro médio mensal é de R$ 10 mil. O retorno do investimento se dá a partir de 12 meses, segundo a empresa.

Start-up deve faturar R$ 20 milhões em 2015

De olho no crescimento potencial do mercado brasileiro, e com a mesma proposta de facilitar o acesso ao universo do vinho, o americano Alykhan Karim trocou os EUA pelo Brasil para fundar sua loja online, a Sonoma. A empresa foi fundada em 2012, com investimento inicial de US$ 300 mil (R$ 1,124 milhão na cotação atual). Em 2014, o faturamento foi de R$ 10 milhões. Para 2015, a expectativa é chegar aos R$ 20 milhões.

"O crescimento é no valor vendido e não em número de garrafas, o que significa que as pessoas que já tomam vinho estão apurando seu paladar e consumindo bebidas mais caras, de melhor qualidade", afirma.

A empresa aposta no trabalho de curadoria para trazer vinhos do mundo todo, com preços que podem variar de R$ 20,90 a R$ 900. Karim diz que, dos 25 funcionários, 12 são sommeliers. "Todas as bebidas são degustadas pela equipe antes de entrar para o portfólio. Mais da metade é recusada."

Com esse trabalho, somado à divulgação de receitas que propõem harmonizações, ele pretende conquistar clientes das classes A e B que ainda se sentem intimidados diante da mistificação em torno da bebida. "Nosso desafio é mostrar que o vinho se encaixa em todas as ocasiões e refeições, não é uma bebida apenas para datas especiais", declara.

Impostos, câmbio e falta de hábito são dificuldades

A média de consumo de vinho per capita no Brasil é de cerca de 2 litros por ano, segundo Diego Bertolini, gerente de Promoção do Ibravin, enquanto em países vizinhos, como Uruguai e Argentina é de mais de 20 litros por ano. Na França, chega a 50 litros anuais, diz ele. "Isso mostra o potencial de crescimento desse mercado", diz.

A alta carga tributária para a bebida no país, no entanto, é uma dificuldade. "Aqui, o vinho é taxado como bebida alcoólica, enquanto em outros países é considerado alimento. Cerca de 60% do preço de uma garrafa de vinho no Brasil é imposto", diz Bertolini.

A alta do dólar, que encarece as importações, e a falta de hábito de consumo são outros desafios. "É necessário aproximar as pessoas desse universo, oferecendo mais informações com linguagem simples", afirma. Já a sazonalidade, que faz com que as vendas caiam durante o verão, tem sido driblada com a oferta de espumantes. "São bebidas mais vendidas para as festas de fim de ano", diz Bertolini.

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