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Seis de cada dez franquias de paletas mexicanas fecharam, diz consultoria

Andréa Carneiro

Colaboração para o UOL, em São Paulo

  • Divulgação

Depois do frozen yogurt e dos cupcakes, foi a vez das paletas, picolés artesanais que viraram moda a partir de 2013.

No final do ano passado, eram 278 unidades de 29 franqueadoras no país, segundo levantamento da consultoria Rizzo Franchise. A estimativa da consultoria é que, de cada dez lojas, seis tenham fechado as portas e quatro tentam sobreviver, algumas mudando completamente a oferta de produtos.

"Acredito que no final de 2016, pelo menos 18 das 29 franqueadoras vão desaparecer", afirma o consultor Marcus Rizzo.

Segundo ele, esse comportamento é típico em franquias que vendem produtos para seus franqueados. "Basta um pequeno 'suspiro na economia' e são as primeiras a fecharem ou desaparecerem", diz. A situação é pior nos negócios que vendem mais em certos períodos e menos em outros --caso das paletas no inverno.

Para o mestre-sorveteiro Francisco Santana, dono de uma escola de sorvetes, a febre acabou. "Tivemos um boom no consumo de paletas em 2013 e 2014. Acredito que o formato varejo de paleterias está morto", diz.

Ele diz que é difícil mudar o gosto do consumidor. "O brasileiro é tradicionalista. Quer experimentar a novidade, mas depois volta ao que consumia de costume --no caso, picolés e sorvetes de massa."

Adaptar para sobreviver

Depois que a moda passou, quem ficou no mercado? "No começo, um foi copiando o outro. Quem fez a adaptação para o paladar do consumidor nacional conseguiu seguir no negócio", diz a consultora do Sebrae-SP Juliana de Magalhães Berbet.

Para Santana, um ponto-chave foi apostar em uma identidade local, em produtos naturais e com toque artesanal.

É o caso da Zé Paleta, de São Luís (MA): focou nas vendas fora dos shoppings, diminuiu o tamanho do produto (de 120 para 90 gramas) e apostou em sabores regionais, como tapioca, mousse de bacuri e cajá. 

Outra saída, segundo Juliana, foi ampliar o leque de produtos. "Houve quem associasse o negócio a outras receitas da culinária mexicana, outros migraram para doceria ou sorveteria."

Quem apostou nessa estratégia foi Angelo Mantovanini, da Paleteria Paulista, que fica no Tatuapé, zona leste de São Paulo. O cardápio passou a incluir sobremesas de inverno, como fondue, petit gateau, chocolate quente, brownie e waffle recheado. "Apenas com paletas, eu não aconselharia", diz o empresário.

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Quer entrar no mercado mesmo assim?

Para quem ainda quer apostar no mercado de paletas ou de sorvetes, a consultora do Sebrae-SP alerta sobre a tendência de queda no consumo nos meses mais frios. Ela diz que é preciso se planejar para que o empreendimento se sustente durante o ano todo.

Outros cuidados importantes são: pesquisar o hábito de consumo do mercado local, associar produtos --lembrando que é cada vez mais forte a tendência da comodidade e da linha saudável-- e garantir a qualidade do processo de produção.

"É preciso buscar bons fornecedores, com valores e produtos alinhados com a proposta do negócio", orienta.

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