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Demitido, chef começou a vender batata em casa e hoje fatura R$ 250 mil/ano

Marcus Lopes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Após o restaurante em que trabalhava fechar no começo do ano passado, o chef de cozinha Vall Coutinho, 50, teve de decidir: procurar um novo emprego ou empreender em um negócio próprio?

Com 20 anos de carreira em restaurantes, optou pelo segundo caminho e, com apenas R$ 1.000 de investimento inicial, transformou a cozinha do apartamento onde mora no Grajaú (zona norte do Rio de Janeiro), em ganha-pão. Ali nasceu, em fevereiro de 2016, a Batata do Vall.

No primeiro ano, faturou R$ 250 mil. A previsão é encerrar 2017 com faturamento de R$ 700 mil. A taxa de crescimento é de 20% ao mês. Ele não divulga o lucro.

Foco em um só produto: batata

Coutinho era conhecido entre os amigos e nos lugares onde trabalhou pela sua receita de batata rösti, também chamada como suíça (massa feita com a batata ralada grelhada na frigideira e servida pura ou recheada).

"Decidi focar em um produto", diz o empresário, que no começo cozinhava e fazia as entregas das batatas quentinhas e prontas com a ajuda do filho Vito, 23, que hoje trabalha com ele.

No começo eram vendidas cerca de 15 batatas por dia, grande parte para amigos e conhecidos nos arredores da casa de Vall.

Após seis meses de funcionamento, foi feita parceria com o iFood (aplicativo de entrega de comida), o que triplicou o número de pedidos. "Isso obrigou a adoção de um sistema profissional, com linha de produção e lugar mais adequado do que minha casa", diz Coutinho.

Em dezembro, investiu R$ 25 mil para abertura da loja no Grajaú em esquema entrega em domicílio e balcão. São 12 sabores (os mais pedidos são camarão, frango, calabresa e carne seca) e três tamanhos de batatas rostie:

  • Individual (400 g): preços entre R$ 19 e R$ 26
  • Família (800 g): preços entre R$ 32 e R$ 51
  • Super (1 kg): preços entre R$ 45 e R$ 56

As entregas atendem os bairros do Grajaú, Andaraí, Engenho Novo, Vila Isabel, Tijuca, Maracanã, Riachuelo, Rocha e Méier. Mas há o projeto de uma segunda loja na zona sul até o fim do ano. Há também planos de inaugurar uma linha de congelados.

"Ainda estamos avaliando, pois são necessários muitos estudos de viabilidade", diz o empresário, que credita grande parte do sucesso ao planejamento estratégico. No ano passado ele procurou ajuda no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e conta com uma consultoria na área de negócios.

"Se quando fui demitido o cenário era desolador, hoje posso me considerar um empreendedor, algo jamais imaginado na minha carreira", afirma.

Estar sempre atento à qualidade do produto

Para Rodrigo Prando, professor de empreendedorismo da Universidade Mackenzie, o caso da Batata do Vall é o do empreendedor por necessidade (perda do emprego) que deu certo.

"Ele usou seu conhecimento culinário começando pequeno e expandido aos poucos, sem grandes aventuras. Quando demandou conhecimento especializado fez muito bem em procurar o Sebrae", diz.

Ele afirma, porém, que o empreendedor deve estar sempre atento à qualidade do seu produto. "É preciso saber fazer algo muito bem, ao ponto de os outros quererem pagar por aquilo que você quer vender", afirma.

Segundo Prando, abrir o próprio negócio para contornar a crise econômica e o desemprego exige cuidados, como grande dedicação e procura de ajuda especializada.

"Não dá para acreditar que é possível fazer tudo sozinho. Muitos empreendedores são ótimos no que fazem, mas não têm a mínima noção da gestão do negócio, pagamento de impostos, logística etc", afirma.  

Onde encontrar

Batata do Vall - www.batatadovall.com.br

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