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Previsões da economia para 2018 podem ajudá-lo a definir suas estratégias

Alberto Ajzental

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Este ano está chegando ao fim. É hora de pensar na estratégia para 2018. Para estratégia, devemos ter um olhar micro, ao concentrar o pensamento no produto, na necessidade e condições do cliente e na melhor relação entre produto e cliente, mas devemos também ter uma olhar macro, mais amplo.

O olhar macro servirá para entender se devemos aumentar a quantidade produzida, se é o momento certo de investir em novas instalações, contratar mais funcionários, abrir nova filial, desenvolver novos produtos, ampliar os investimentos em promoção e propaganda e o volume de estoques, pedir crédito e se endividar para fazer frente a estes avanços. Ou fazer exatamente o contrário de tudo que acabei de escrever.

Para isso, recorremos às previsões de cenário macroeconômico, que vão nos mostrar, em linhas mais gerais e amplas, por meio de dados que chamamos de agregados, aquilo que provavelmente vai acontecer. Esse cenário vai influenciar o comportamento e a tomada de decisão dos clientes, e uma mudança nessa variável influenciará aquilo que deverá ser ofertado e de qual forma.

2017: 13 milhões de desempregados e queda salarial

O ano se encerrará com aproximadamente 13 milhões de desempregados ou 12,4% da população economicamente ativa. E alto desemprego reduz os salários. Assim, a massa salarial, que é a multiplicação das pessoas ocupadas pela sua renda, acabou caindo. E esses dois fatores se retroalimentam.

Segundo o último boletim Focus do Banco Central, de 24 de novembro, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 0,73%. Isso após duas enormes quedas sucessivas, de 3,8% e 3,6%, em 2015 e 2016, respectivamente.

Por outro lado, como fator positivo, o enfraquecimento da demanda manteve uma baixa inflação (IPCA), que deve fechar o ano em 3,06%, uma taxa meta de juros Selic a 7%, o que reflete em juros reais de 3,82%, e dólar valendo R$ 3,20.

O mesmo relatório prevê para 2018 um crescimento do PIB de 2,58%, uma inflação de 4,02%, com taxa meta de juros Selic a 7%, o que reflete em juros reais, historicamente muito baixos, de 2,86%, e dólar valendo R$ 3,30.

O que nos espera em 2018?

Vale lembrar que 2018 reserva aos brasileiros uma Copa do Mundo começando em junho, com duração de um mês. Esse evento refletirá em aumento de vendas de certos produtos, como cerveja, porém, em detrimento da diminuição de tantos outros.

Fora a corrida eleitoral presidencial, que tomará impulso após a Copa, e que carrega um forte sentimento de indefinições futuras.

O que isso significa para o seu negócio? Significa que dificilmente a taxa de desemprego diminuirá rapidamente, assim como não deverá haver um aumento significativo dos salários e da massa salarial. A demanda continuará reprimida.

Há indicativos de que o cenário parou de piorar. Assim, aqueles que não perderam emprego terão maior motivação para o consumo, mas sem exagero. Preço baixo continuará mandatório. Assim, consumidores provavelmente aceitarão comprar produtos de marca e qualidade inferiores.

Vale lembrar que baixos juros meta Selic não significam necessariamente baixos juros para consumo da pessoa física, que rondam os 400% ao ano no cartão de crédito ou cheque especial. Assim compras à vista ainda são mandatórios para o consumidor racional e consciente, aquele que suporta esperar pelo consumo de um item não urgente.

E você, empreendedor? O que fazer diante desse cenário? Pense bem e avalie bastante suas estratégias.

* Alberto Ajzental é engenheiro civil pela Poli-USP e mestre e doutor pela Eaesp-FGV. Foi e é professor de estratégia de negócios, marketing e de economia nas escolas ESPM-SP e Eesp-FGV. Autor dos livros "A Construção de Plano de Negócios" (Ed. Saraiva), "História do Pensamento em Marketing" (Ed. Saraiva) e "Complexidade Aplicada à Economia" (Ed. FGV).

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