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Fanta Manga, Grapette, 7Up: clube vende refrigerantes raros pela internet

Fábio Munhoz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Durante uma viagem com a família para os Estados Unidos, em 2013, o empresário Daniel Rodrigues, 37, visitou uma lanchonete e voltou com uma ideia: criar um clube de refrigerantes por assinatura. Hoje ele comanda a start-up Refribox, sediada em São Paulo (SP) e que tem cerca de 1.000 assinantes ativos. Faturamento e lucro não são divulgados.

A empresa comercializa bebidas importadas e nacionais pouco conhecidas, muitas vezes com sabores inusitados, como Fanta Manga, Sprite Cranberry, guaraná Jesus, Grapette, 7Up e Dr. Pepper.

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"Fomos a um Burger King e lá havia uma tela enorme com um monte de refrigerantes para escolher. A gente parecia uns loucos, selecionando as opções e experimentando. Foi aí que vi a oportunidade de trazer mais opções para o Brasil", diz Rodrigues.

A decisão sobre o formato do negócio também teve influência da mulher. "Ela é assinante de clubes de beleza. E todo mês eu a via muito eufórica aguardando a chegada do box dela. Quando chegava, a família toda se movimentava e entregava para ela como se fosse um presente. Foi aí que pensei em criar um box de refrigerantes."

Em 15 dias, Rodrigues colocou o site da Refribox no ar e começou a busca por importadores. "Foi uma saga conseguir achar quem trouxesse refrigerantes importados. Aliás, ainda hoje, mesmo com mais de um ano de atividades, a gente ainda garimpa em tudo quanto é canto para conseguir fechar o box, que vem com seis unidades", diz Rodrigues, que hoje tem parceria com duas empresas que trazem as bebidas.

Investimento inicial foi de R$ 400

Após decidir criar a start-up, Rodrigues investiu cerca de R$ 400 em setembro de 2016 para adquirir o domínio na internet e para comprar os refrigerantes que compuseram os 48 primeiros kits. A divulgação foi feita via e-mail marketing. "Colocamos poucas unidades à venda para testar a aceitação e conseguimos vender tudo em um dia."

Inicialmente, a Refribox trabalhava apenas com vendas avulsas, sem que houvesse a possibilidade de assinatura mensal. "A gente não queria se comprometer com assinatura porque não sabíamos como estava o mercado para esse serviço. Não queríamos frustrar alguém que assinasse e eventualmente tivéssemos o serviço cancelado depois", diz.

Na edição do mês seguinte –em outubro de 2016–, as vendas dobraram. "Vendemos 96 porque foi o que disponibilizamos. Se houvesse mais, provavelmente teria saído."

Foi então que o empresário decidiu montar o clube de assinatura, com envio mensal dos kits para os assinantes. Os produtos que chegam são surpresa, os usuários só ficam sabendo quais são as bebidas quando o box chega. O funcionamento é semelhante ao de outros clubes do tipo, como de livros, vinhos e cervejas.

Assinatura custa R$ 59,90 mais frete

O preço cobrado pela Refribox pela assinatura do kit com seis refrigerantes é de R$ 59,90 mais frete. A exceção é a capital paulista e a Grande São Paulo, para onde a entrega não é cobrada. Para as outras localidades, o frete vai de R$ 10 (Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e interior de São Paulo) a R$ 30 (Roraima).

Ainda é possível comprar itens avulsos. Entretanto, Rodrigues diz que nem sempre há disponibilidade, já que a preferência é para os assinantes. Os clientes regulares têm outra vantagem: a cada quatro kits comprados, ganham um brinde, que pode ser um refrigerante extra ou itens relacionados, como copos especiais.

Pelo site da Refribox, os consumidores podem conferir quais foram os refrigerantes que foram enviados nas edições anteriores. Rodrigues diz que muitos assinantes não se importam quando há repetições de bebidas. "Alguns experimentaram um determinado produto e nos escrevem pedindo para a gente colocar de novo. Os que não gostam são os colecionadores de latas."

Leite, banana, blueberry… conheça os sabores inusitados

Entre as opções que compõem os boxes, não faltam sabores inusitados. Um dos rótulos que estiveram presentes em kits da Refribox foi o Lotte Milkis, um refrigerante da Coreia do Sul que leva leite em sua composição. Apesar de a bebida ser estranha ao paladar brasileiro, Rodrigues diz que o público gostou.

A Fanta, conhecida no Brasil pelos sabores uva, laranja e, mais recentemente, guaraná, também está presente nos kits. As versões manga, abacaxi, cereja, pêssego e blueberry (mirtilo) já foram enviadas aos assinantes. A Sprite também compôs um dos boxes, mas no sabor cranberry.

Apesar de o forte do clube serem os refrigerantes, a empresa já enviou bebidas não gaseificadas. Foi o caso do Banana Latte, uma espécie de vitamina de banana feita à base de leite e que também é importada da Coreia do Sul.

Os kits também têm refrigerantes importados mais comuns, como Dr. Pepper, Crush, 7 Up e Canada Dry, além das versões cereja e baunilha da Coca-Cola. Apesar de o foco ser as bebidas do exterior, há opções nacionais, entre elas Guaraná Jesus, Grapette, Gloops e o Wewi, que é orgânico.

Meta é dobrar o número de assinantes neste ano

Para 2018, o objetivo do empresário é chegar a 2.000 assinantes ativos. Segundo Rodrigues, esse é o ponto de equilíbrio para que a Refribox deixe de ser uma start-up, passando a se manter de forma independente. Na comparação entre dezembro e novembro de 2017, o aumento foi de 50% no número de clientes.

Atualmente, a Refribox é incubada pela agência de marketing Ayty, cujos sócios são Rodrigues e sua mulher, Carolina Maezano Rodrigues. "A start-up ainda é dependente do desenvolvedor lá dentro. Se ela tivesse que pagar a estrutura que tem hoje, ainda não seria rentável. Então, a gente precisa de mais assinantes."

O estoque da Refribox também fica localizado dentro da agência, no bairro do Ipiranga, na zona sul de São Paulo.

Para especialista, variação cambial pode prejudicar negócio

Na visão do consultor de marketing do Sebrae SP Cássio Ferraro, a variação cambial é um dos fatores que podem prejudicar as atividades da Refribox. "O produto é totalmente relacionado à taxa do dólar. Como há muita oscilação, o risco acaba sendo grande."

O desafio, na opinião do especialista, é manter os preços cobrados mesmo em caso de alta da moeda estrangeira. "Ele já colocou um preço fixo para os kits. Será que ele consegue mantê-lo caso o dólar suba muito?", questiona.

Para se proteger da variação cambial, uma das possibilidades seria trabalhar com armazenamento em grandes quantidades. Entretanto, Ferraro também faz um alerta em relação a isso. "O produto tem prazo de validade. Se a venda que era esperada não se consolida, pode haver perdas. Sem contar que o espaço físico para estoque teria de ser grande."

Onde encontrar:

Refribox - http://www.refribox.com.br/

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