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Novas fontes de crédito são opções para microempresa fugir de juro de banco

Vladimir Goitia

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/06/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Empresas de crédito criadas por lei cobram 3,5% ao mês no máximo
  • Taxas podem cair ainda mais com a concorrência, diz assessor do governo
  • Agência paulista de fomento subsidia juros a taxas menores ainda

As recém-criadas Empresas Simples de Crédito (ESCs) foram lançadas com a promessa de oferecer juros menores a micro e pequenas empresas (MPEs), sendo uma alternativa às altas taxas cobradas por bancos. Seus juros podem ser de no máximo 3,5% ao mês, e a previsão é de que caiam mais.

O Itaú informou que os juros para MPEs variam de 0,9% a 6% ao mês, mas essas taxas dependem do tipo de relacionamento do cliente com o banco e das garantias oferecidas. As taxas mais baixas são difíceis de obter na prática.

O Banco do Brasil tem, entre suas opções, crédito com juros entre 2,8% e 3,5% ao mês, sem considerar tarifas e outros custos.

Além dos juros, o custo de financiamento em bancos é acrescido de tarifas de contratos e outros itens, que variam segundo a instituição. As ESCs são proibidas por lei de cobrar essas taxas adicionais.

Taxas das ESCs devem cair com a concorrência

Guilherme Afif Domingos, assessor especial do ministro de Economia, Paulo Guedes, disse ao UOL que a taxa de juros de 3,5% que as ESCs começaram a cobrar em média pelos empréstimos deve começar a cair assim que o número delas se multiplicar e, com isso, a concorrência entre elas se acirrar.

Isso também pode forçar os bancos a baixar os juros cobrados hoje das MPEs, levando em conta ainda mais que apenas cinco bancos (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) detêm hoje 82% dos créditos para pessoas jurídicas (empresas).

"Mesmo que o juro dos bancos hoje na ponta varie, por exemplo, entre 4% e 6% ao mês, o que na prática não ocorre de jeito nenhum, nenhuma instituição financeira vai emprestar com taxas de 3,5% para as pequenas e médias empresas porque dizem que não confiam e não querem correr riscos", disse Afif.

Segundo ele, a diferença entre o que as instituições pagam para captar dinheiro e o que cobram do cliente quando emprestam (o chamado spread, considerado o segundo mais alto do mundo) é astronômica, e não apenas de alguns pontos porcentuais.

Bancos impõem dificuldades

Uma pesquisa conduzida pelo Sebrae ao final do ano passado mostra que entre as dificuldades mais citadas para obter o empréstimo pelo micro e pequeno empresário estão justamente as elevadas taxas de juros (47%), a falta de avalista (19%) e a falta de garantias reais (17%).

"É aqui que entram as ESCs. Elas começam a nascer justamente para acabar com essas dificuldades", disse Afif. "As ESCs nascem para o microcrédito, para emprestar dinheiro a quem confia, sem burocracia e ainda com a tendência de esse juro cair assim que a concorrência entre elas se acirrar."

A dificuldade para conseguir recursos no sistema bancário é tal que apenas 14% das MPEs pesquisadas pelo Sebrae responderam ter tentado obter um novo empréstimo nos últimos seis meses do ano passado. É o menor nível registrado desde 2015, quando começou a ser feita esta pergunta.

Microempresários consideram bancos ruins ou péssimos

A maioria (61%) dos micro e pequenos empresários ouvidos pelo Sebrae considerou o sistema bancário brasileiro ruim ou péssimo, percepção que em 2013 era consenso apenas entre 28% dos entrevistados.

O Sebrae constatou ainda que a alternativa mais utilizada para conseguir recursos para capital de giro, compra de máquinas e equipamentos e reformas ou ampliação do negócio, por exemplo, é a negociação de prazos com os fornecedores, seguido do uso de cheque pré-datado, cartão de crédito empresarial e cheque especial, cujos juros variam de 200% a 240% ao ano.

Empréstimos solicitados a bancos comerciais privados aparecem apenas na quinta colocação, enquanto bancos oficiais estão na oitava colocação.

ESCs já em operação chegam a 80

Em menos de dois meses, depois de terem sido criadas por lei ao final de abril deste ano, as ESCs somam 80 ao todo, com expectativa de chegarem a mil no ano que vem, segundo Afif.

  • São Paulo: 30
  • Minas Gerais: 9
  • Paraná: 7
  • Rio Grande do Sul: 6
  • Mato Grosso: 4
  • Santa Catarina: 3
  • Mato Grosso do Sul: 3
  • Rio de Janeiro: 2
  • Outros estados com apenas uma ESC: 16

Governo paulista subsidia juros para MPEs

Outra opção para as MPEs, pelo menos em São Paulo, é a Desenvolve SP, agência de fomento do governo paulista que recentemente trocou o indexador para seus empréstimos, com o que fez cair o custo do dinheiro para esse segmento.

Em maio de 2018, a agência retirou de cena o IPCA (taxa de inflação medida pelo IBGE) dos financiamentos e adotou a Selic (taxa básica de juros do país, hoje em 6,5% ao ano), provocando uma redução no custo do dinheiro para os empreendedores.

Hoje, a taxa de juros subsidiada pela agência para MPEs varia de 2% ao ano (voltada para atividades sustentáveis, como eficiência energética e tratamento de água, por exemplo) mais a Selic, o que hoje corresponderia a 8,5% ao ano.

O financiamento para capital de giro da Desenvolve SP é de 1,43% ao mês, ou pouco mais de 19% ao ano.

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