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Tesouro Direto: saiba escolher o melhor título para investir seu dinheiro

Sophia Camargo

Do UOL, em São Paulo

23/10/2013 06h00

Quando se investe em um fundo de renda fixa, a pessoa está pagando para um administrador escolher em qual título público irá investir o seu dinheiro. Dependendo da taxa de administração cobrada, o rendimento da aplicação poderá ficar até mesmo abaixo da poupança.

O Tesouro Direto é uma modalidade de investimento que permite ao próprio investidor administrar a sua carteira, optando pelo título que lhe parece mais adequado para atingir seus objetivos financeiros. O investidor não vai pagar a taxa de administração, mas vai ter de escolher qual é o título que melhor se molde aos seus objetivos.

O professor de Finanças da FGV-SP e PUC-SP, Fábio Gallo, diz que a primeira lição para definir uma estratégia de investimentos é saber para qual objetivo está juntando dinheiro.

Quando a pessoa entende para que está aplicando seu capital, ela pode casar o prazo da aplicação com seu objetivo. "A pessoa só contrata uma cozinheira se ela não sabe cozinhar ou não tem tempo para isso. A mesma coisa acontece com o dinheiro. Quem sabe investir e tem tempo pode fazer isso sozinho."

Veja aqui como investir no Tesouro Direto.

QUAIS SÃO OS TÍTULOS OFERECIDOS PELO TESOURO DIRETO

LTN: Letras do Tesouro Nacional

• É um título prefixado, no qual o investidor sabe qual é a rentabilidade que vai ter se mantiver o papel até a data do vencimento.
• Tem fluxo simples: uma aplicação e um resgate;
• Indicado para o investidor que acredita que a taxa prefixada será maior que a taxa de juros básica da economia naquele mesmo prazo do título.
NTN-F: Notas do Tesouro Nacional – Série F

• É um título prefixado, como a LTN, ou seja, o investidor sabe qual será o retorno do título se ficar com ele até o vencimento. Mas, no caso da NTN –F, o investidor recebe um pagamento semestral de juros (cupom).
• Indicado para o investidor que deseja obter um fluxo de rendimentos a cada seis meses (cupons de juros) a uma taxa de juros pré-definida antes do vencimento do título.
NTN-B: Notas do Tesouro Nacional – Série B

• Paga juros mais a variação do IPCA. Permite ao investidor obter rentabilidade em termos reais, mantendo seu poder de compra ao longo do tempo, ao se proteger da inflação. Neste papel, o investidor recebe o pagamento de juros semestrais (cupom).
• Requer que o investidor reinvista o dinheiro a cada recebimento do cupom semestral.
NTN-B: Notas do Tesouro Nacional – Principal

• Semelhante à NTN-B, é um título que paga juros mais a variação do IPCA. Mas este papel não paga cupom semestral.
• Proporciona rentabilidade real;
• Fluxo simples: uma aplicação e um resgate. É mais simples para o investidor do que a NTN-B, pois suprime a preocupação e o trabalho necessários ao reinvestimento, e reduz o custo de transação.
LFT: Letras Financeiras do Tesouro

• É um título pós-fixado, que tem seu rendimento atrelado à variação da taxa de juros básica da economia (taxa Selic).
• Indicado para o investidor que deseja uma rentabilidade pós-fixada indexada à taxa de juros da economia (Selic);
• Fluxo simples: uma aplicação e um resgate.
  • Fonte: Tesouro Direto

No dia 22/10/2013, o Tesouro Direto disponibilizava para compra 5 tipos de papéis com vencimentos diversos. 

O papel com prazo mais curto vence em 1º de janeiro de 2016 e é uma LTN (Letra do Tesouro Nacional), um papel prefixado que permite ao investidor saber exatamente quanto vai receber de juros no vencimento do papel.

O papel mais longo tem vencimento para daqui a 37 anos - 15/08/2050. Trata-se de uma NTN-B (Nota do Tesouro Nacional – série B), que paga semestralmente juros ao investidor, o chamado "cupom", além de um prêmio de juros mais a variação do IPCA. Ou seja, este é um papel para quem quer se proteger dos efeitos nefastos da inflação

No meio deste caminho, vários títulos com vencimentos diversos e ainda a opção da LFT – Letra Financeira do Tesouro, que acompanha a variação da taxa básica de juros, a Selic. Se ela sobe, a LFT rende mais. Se ela desce, o rendimento míngua.

Prazo mais longo, mais chance de enfrentar solavancos

A segunda lição para quem quer investir em títulos do Tesouro é saber que quanto mais longo o prazo do vencimento, mais chances de haver grande volatilidade no valor do título durante o caminho.

Ou seja, se o investidor precisar vender o título antes do vencimento, ele corre o risco de ter perdas financeiras. Isso acontece por conta de um fenômeno chamado "marcação a mercado".

Por este mecanismo, o preço do papel é atualizado diariamente. Se a taxa de juros ou a inflação sobem, por exemplo, o valor nominal do papel será ajustado para que reflita as novas condições.

A alta dos juros neste ano, por exemplo, levou os títulos indexados à inflação (NTN-Bs) e os prefixados (LTNs e NTN-Fs) a terem perdas de até 25%. Mas isso só prejudicou quem comprou o papel e vendeu antes do vencimento. Quem ficar com o título até a data do vencimento, irá receber exatamente o valor que foi acordado. As LFTs, indexadas à Selic, se beneficiaram do movimento de alta.

É por isso que o professor Fábio Gallo enfatiza a necessidade de se saber para que se está investindo. Quem está pensando na aposentadoria daqui a 30 anos, por exemplo, poderia investir num título com vencimento mais longo sem ter sobressaltos a cada solavanco do papel. Vai ficar tranquilo porque poderá resgatar no vencimento e receber o prometido.

Maior risco é precisar do dinheiro antes do vencimento

Chegamos então à terceira lição sobre os riscos do investimento. O risco de crédito, ou seja, aquele de não receber o dinheiro investido, é pequeno, já que quem garante o pagamento é o Tesouro Nacional.

Isso significa que a pessoa só não irá receber o dinheiro de volta se o país quebrar. O risco de liquidez também é baixo. O que é risco de liquidez? Liquidez é a facilidade de transformar um ativo, uma aplicação, em dinheiro vivo. Esse risco no Tesouro Direto é baixo pois há leilões de recompra dos papéis todas as quartas-feiras.

QUANTO CUSTA INVESTIR NO TESOURO DIRETO

CustoCustódia de 0,3% ao ano + taxa de corretagem
GarantiaTesouro Nacional
ImpostosIncide IOF para resgates com menos de 30 dias e alíquota regressiva de IR de acordo com duração do investimento
Investimento mínimoR$ 30,00
Investimento máximoR$ 1.000.000,00
Quando comprarTodos os dias, das 9h às 5h do dia seguinte
Quando venderVenda de títulos toda 4ª feira, das 9h às 5h da 5ª feira
RentabilidadeVariável de acordo com o título
  • FONTE: Tesouro Direto

O maior risco mesmo é da pessoa precisar se desfazer dos papéis no meio do caminho quando eles estiverem sendo remarcados a um preço menor do que o investidor aplicou.

Conhecidos os riscos, resta a quarta lição. Escolher entre títulos indexados à inflação, receber juros conhecidos previamente ou optar por papéis indexados à taxa de juros básica da economia.

Para o professor Fábio Gallo, o ideal é diversificar a carteira, ou seja, aplicar em um pouco de tudo. Garantir o poder de compra investindo em títulos indexados à inflação, se proteger de possíveis altas dos juros com papéis que acompanham esse movimento e também garantir um rentabilidade conhecida investindo em papéis que já determinam qual será sua remuneração.

Com o tempo, investidor começa a identificar oportunidades do mercado

Neste momento, especialistas identificam uma oportunidade de compra nos títulos ligados à inflação, pelo tamanho do tombo que levaram, o que fez com que suas cotas ficassem mais baratas para compra.

Para quem começa a aplicar e compreender o mercado, vai aos poucos identificando os movimentos de alta e baixa e podendo até mesmo mudar de posição.

Ou seja: ficar bem quietinho quando o papel estiver apanhando durante o processo. Ou vender e comprar outros papéis, para aproveitar o ganho financeiro durante o caminho. Exatamente como uma cozinheira experiente que começa a inventar suas próprias receitas.

 

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