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A Selic caiu: o que fazer com sua reserva de emergência?

A reserva de emergência é um dos investimentos essenciais para qualquer pessoa e, com a queda da Selic, ela passa a ter um rendimento menor. Mas isso não significa que é preciso mudar seu dinheiro de lugar, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

Selic em queda pode aquecer a economia

Nos últimos meses, o Banco Central está cortando a Selic, a taxa básica de juros do Brasil. O último corte levou a taxa a 11,75% ao ano. A decisão do Copom foi unânime. O cenário externo está "menos adverso" do que estava na reunião anterior, realizada no início de novembro, segundo o BC.

A queda dos juros pode acelerar a economia, se acompanhada de um efetivo controle dos preços. Na prática, quando a Selic cai, diminui também o custo de empréstimos e financiamentos. Isso tende a baratear o crédito e impulsiona o consumo das famílias ao longo do tempo. Cai também o custo de operação de uma empresa. Isso estimula investimentos e contratações.

Investimentos vão render menos, inclusive a reserva

Os títulos pós-fixados que têm seu rendimento atrelado à Selic passam a render menos. O título Tesouro Selic rende hoje 11,75% ao ano mais uma pequena taxa. O CDI também é atrelado à Selic. Então CDBs que rendam o CDI também vão trazer menos retorno para o bolso dos consumidores, assim como fundos de investimento do tipo "DI Simples".

Esses investimentos normalmente têm liquidez diária, ou seja é possível resgatar e receber o dinheiro no mesmo dia. Por isso mesmo, são frequentemente recomendados para a reserva de emergência, que é um dinheiro que deve ficar guardado para casos de desemprego, doenças, quebra de carro ou eletrodomésticos, entre outras situações.

Mas isso não quer dizer que o investidor deva mexer em sua reserva de emergência. "Embora essa queda de rentabilidade seja verdadeira, a resposta para o investimento em sua reserva de emergência não é mudar a estratégia", diz Rachel de Sá, chefe de economia da Rico.

Por que é essencial ter uma reserva de emergência

Ter um dinheiro guardado evita entrar em dívidas mais caras, como o cheque especial, rotativo do cartão e empréstimo pessoal. "O nosso orçamento pessoal possui muitas coisas previsíveis, como gastos com água, luz, energia elétrica, alimentação e moradia, porém nem sempre as coisas saem conforme o planejado. Quando o carro quebra, quando somos vítimas de um furto e precisamos repor o celular, ou quando um membro da nossa família sofre algum problema de saúde grave e precisamos socorrê-lo, tudo isso são emergências que podem desestruturar um indivíduo e até mesmo uma família", diz Alex Falararo, estrategista-chefe do PagBank.

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É necessário construir uma reserva mesmo com um orçamento apertado. Se não há muito dinheiro sobrando ao final do mês, qualquer acontecimento pode fazer a pessoa entrar em uma dívida cara. "Uma estratégia que eu gosto é de poupar o dinheiro do futuro, que significa se comprometer hoje a guardar metade do aumento salarial que você terá amanhã e de todos os extras que receber; Se você tiver um aumento de R$200, guarde R$ 100. Se você ganhar um bônus, guarde metade dele", diz Falararo.

A reserva deve cobrir de seis meses a um ano dos seus custos básicos. O custo de vida básico é aquele que você não pode abrir mão, como aluguel, luz, água, condomínio, gastos com alimentação e saúde. Por exemplo, uma pessoa com renda líquida de R$5.000 e um custo de contas básicas de R$ 2.500 precisa ter minimamente R$ 15.000 de reserva de emergência.

Onde investir sua reserva de emergência?

O investimento precisa ser seguro, sem riscos excessivos. "Afinal, como não saberemos quando um imprevisto irá acontecer, será essencial que esse investimento tenha a maior previsibilidade possível para não te deixar na mão. Por isso, esse investimento deve ter baixa volatilidade - ou seja, não apresentar muitos "vai e vens" ao longo do tempo, como uma ação por exemplo", diz Rachel.

A reserva também precisa ter liquidez, a possibilidade de resgatar a qualquer momento.

Objetivo não é enriquecer. "Não é nessa parte da sua carteira de investimentos que você deve buscar maiores riscos em troca de maiores retornos", diz Rachel. "Lembre-se que o objetivo da reserva não é deixar o investidor rico, mas sim ajudá-lo em um momento de dificuldade financeira inesperada", diz Falararo.

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Veja opções para a reserva:

  • Tesouro Selic. Título público federal de renda fixa que acompanha Selic. Dê preferência ao vencimento mais longo disponível.
  • CDBs que rendam 100% do CDI e tenham liquidez diária.
  • Fundos de renda fixa. Um exemplo é o Trend Pós Fixado, diz Rachel, que tem exposição ao índice DI por meio de uma carteira de ativos de renda fixa pós-fixada emitidos pelo governo (títulos públicos federais).

Veja em quanto tempo você junta sua reserva investindo R$ 500 por mês

Aplicando em um CDB com liquidez diária que renda 100% do CDI ou no Tesouro Selic, um investidor alcançaria sua reserva em 26 meses, segundo simulação feita pela Rico.

  • Valor inicial: R$ 500,00
  • Valor mensal: R$ 500,00
  • Período: 26 meses
  • Valor total final: R$ 15.266,00
  • Valor total alocado: R$ 13.500,00
  • Rendimento dos juros: R$ 1.766,00

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