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Brasil sofre novo rebaixamento: como isso afeta seu bolso e investimentos?

Sophia Camargo

Colaboração para o UOL, em São Paulo

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O Brasil acaba de sofrer mais um rebaixamento e perder o último selo de bom pagador, desta vez pela agência de classificação de risco Moody's. Como isso afeta a vida das pessoas? O que significa a perda do último grau de investimento que ainda restava ao país?

Se fosse uma pessoa, é como se o Brasil fosse considerado um cliente com um risco maior de dar calote. A consequência: terá que pagar uma taxa de juros mais alta para os credores se quiser continuar pegando dinheiro emprestado.

Como reflexo, as empresas brasileiras também devem sofrer mais para captar dinheiro. Essa conta mais alta das empresas deve ser repassada ao consumidor, que irá pagar mais pelos produtos ou por empréstimos, segundo o economista da NeoValue Investimentos Alexandre Cabral.

Dólar a R$ 4,50, 11% de inflação, 12% de desemprego 

Juros e dólar devem continuar subindo após o novo rebaixamento, segundo os especialistas. Mauro Calil, especialista em investimentos do banco Ourinvest, afirma que a moeda norte-americana pode atingir R$ 4,50 num curto espaço de tempo.

O dólar alto deve puxar para cima a inflação, o que irá diminuir o poder de compra das pessoas.

"Acredito que a inflação irá ultrapassar os 11% já nas três próximas medições, e o desemprego pode bater os 12% até o fim do ano", diz Calil.

Para quem tem dinheiro para investir, a melhor aplicação serão os investimentos pós-fixados (que acompanham uma determinada taxa, como a Selic ou o CDI).

Todos os demais investimentos merecem cautela, tais como ações, títulos prefixados e dólar.

Tesouro ainda é opção segura, dizem analistas

O rebaixamento da nota do Brasil significa que seus indicadores econômicos estão piorando, o que aumenta o risco para os investidores, mas não indica necessariamente calote imediato aos pequenos aplicadores que têm papéis do governo, como o Tesouro Direto, segundo Mauro Calil.

Na escala das agências de risco, o país está fora do grau de investimento, mas ainda está longe do último degrau da escala, este sim indicador de inadimplência. Para atingir o último nível da escala da Moody's, por exemplo, o país teria de descer mais nove degraus. Para alcançar o grau de investimento, teríamos de subir dois.

Segundo Calil, o investimento nos títulos do Tesouro Direto tem risco de calote próximo de zero, pois o governo precisa pagar seus investidores para poder se financiar. "Se não paga a dívida, o governo não tem mais crédito e aí acabou. Seria um suicídio financeiro e político, ninguém vê isso como uma possibilidade real nesse momento."

"A maioria da dívida é em moeda local. Ou seja: em última instância, se não houver dinheiro para pagar, o governo pode simplesmente mandar imprimir moeda", diz o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

Veja as recomendações para cada investimento

Poupança
Getty Images

  • Deve ser evitada, pois paga rendimento fixo de 0,5% ao mês mais TR. Por isso, não aproveita a alta dos juros
  • Com tendência de alta da inflação, investidor deve perder dinheiro
  • Mauro Calil não recomenda manter nem por um período curto. Segundo ele, se investir no Tesouro Selic por um período de um ano, o investidor obterá uma rentabilidade de 96% do CDI (já descontados os 20% do IR); a poupança rende o equivalente a 56,6% do CDI

Tesouro Direto
Alan Marques/Folhapress

  • Tesouro Selic, que acompanha a alta dos juros, é a aplicação mais recomendada. Especialistas dizem que a aplicação é segura e não existe risco imediato de calote
  • Tem incidência da tabela regressiva do IR sobre aplicação (IR de 22,5% até seis meses, 15% acima de dois anos e alíquotas intermediárias entre os períodos)
  • Não sofre com a marcação a mercado, que altera o preço do papel diariamente para baixo ou para cima
  • Como sempre tem uma rentabilidade positiva, é indicado para o dinheiro de mais curto prazo
  • Tesouro IPCA+, que são títulos indexados à inflação, são opção para se proteger da inflação e garantir também um juro prefixado
  • Tesouro Prefixado, cuja rentabilidade já é conhecida do investidor no momento da compra, é opção para diversificar
  • A recomendação, no caso do Tesouro IPCA e Prefixado, é prestar atenção ao prazo de vencimento do papel. Quem tirar o dinheiro antes pode perder rendimento por conta da marcação a mercado
  • Como a tendência no momento é de alta da taxa de juros, os títulos prefixados podem apresentar perdas se forem pagos antes do vencimento

LCI e LCA
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  • São ótimas opções na renda fixa, por causa da isenção do IR
  • Ponto negativo é que a aplicação exige a manutenção do dinheiro por um período de carência; três meses costuma ser o mínimo
  • Está difícil encontrar papéis para aplicar. Retração do mercado imobiliário e possibilidade de tributação pelo governo são os motivos
  • Mauro Calil diz que é possível encontrar papéis que pagam 93% do CDI para 12 meses 

CDB
Shutterstock

  • Melhor optar pelos pós-fixados, para acompanhar a alta dos juros
  • Segundo cálculos de Mauro Calil, para ter um rendimento equivalente a 100% do CDI, a aplicação teria que render: 
  • Em até 180 dias: 129% do CDI
  • De 181 a 360 dias: 125% do CDI
  • De 361 a 720 dias: 121,2% do CDI
  • Acima de 721 dias: 117,5% do CDI
  • Bancos maiores costumam pagar entre 85% e 90% do CDI
  • Para obter mais rentabilidade, procure bancos menores. Segundo Mauro Calil, é relativamente fácil encontrar papéis que pagam até 114% do CDI e, com um pouco mais de procura, até 120% do CDI. Mas, para aceitar esse risco, é aconselhável limitar o valor do investimento a R$ 250 mil, atual limite do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Bolsa
Tony Gentile/Reuters

  • A perda do grau de investimento é notícia negativa para o mercado, que deve ter quedas ainda maiores
  • Para quem não conhece o mercado de renda variável, não é hora de entrar
  • Só quem tem muito conhecimento e apetite pelo risco deve entrar na Bolsa neste momento, pois a tendência é de queda

Dólar
Shutterstock

  • O investidor que quiser se beneficiar da alta do dólar pode optar pelo investimento em fundos cambiais
  • Lembre-se de que esses fundos têm taxas de administração, algumas vezes taxa de performance, e também pagam IR
  • Outra opção de investimento na moeda são fundos nacionais que também apliquem na moeda estrangeira
  • Para Cabral, quem tem gastos já programados em dólar, como estudos ou viagens, também pode ir comprando a moeda aos poucos, para fazer um preço médio e não ficar preso à cotação de um único dia
  • Mauro Calil aconselha a quem tem dinheiro comprar tudo de uma vez, pois, para ele, a tendência é o preço da moeda subir

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