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Finanças pessoais

Como garantir o melhor futuro dos filhos: Tesouro ou previdência privada?

Solidcolours/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Solidcolours/Getty Images/iStockphoto

Juliana Elias

Do UOL, em São Paulo

28/08/2018 04h00

Tem filhos pequenos e quer começar desde já a formar uma poupança para pagar a faculdade deles ou simplesmente para que eles já cheguem à vida adulta com algum patrimônio?

Títulos públicos e previdência privada estão entre os mais recomendados por especialistas. Mas como escolher entre um e outro?

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Resposta varia conforme o perfil de cada um

"Não tem muito como precisar uma única resposta, a melhor opção vai variar de acordo com o perfil de cada pessoa", afirmou o consultor de finanças pessoais Paulo Marostica, certificado pela Planejar (Associação Brasileira de Planejadores Financeiros).

"Na medida do possível, o ideal é ter uma mescla dos dois, ter uma cesta variada é sempre a melhor opção", disse Luiz Nazareth, diretor de investimentos da gestora de patrimônios Azimut.

Qual rende mais não é principal critério

As duas opções têm vantagens a oferecer. Os títulos públicos são bastante acessíveis para qualquer tipo de público, têm diversas opções com taxa de administração zero e são uma espécie de porto seguro dos investimentos, para onde se pode sempre recorrer em caso de dúvidas. 

A previdência privada tem mais cobranças de taxas, mas, a depender de opção e duração, possui benefícios fiscais que são só dela, como a possibilidade de abater parte do investido no Imposto do Renda (IR) ou de pagar apenas 10% em imposto (contra 15% na cobrança mínima sobre os títulos públicos).

Ambas permitem a aquisição vinculada ao nome dos filhos, mesmo os bem novinhos, e aceitam aplicações mensais, a modalidade preferida da grande maioria dos pais. Além disso, no longo prazo, tendem a ter uma trajetória de rendimentos parecida, já que mais de 90% dos planos de previdência, hoje, investem em fundos de renda fixa e em opções como o próprio Tesouro.

"Qual vai render mais não é o principal critério para fazer a escolha, até porque a variabilidade é muito grande e não dá para fazer, hoje, uma previsão exata de quanto elas vão pagar no futuro", disse Marostica, da Planejar. É o caso especialmente da previdência privada, que na grande maioria dos casos é feita com investimentos pós-fixados, isto é, cujos rendimentos variam mês a mês.

Você tem mais ou menos tempo para gerenciar as contas?

Em linhas gerais, de acordo com os especialistas, o Tesouro tende a compensar para aqueles que têm alguma familiaridade básica com o mercado financeiro e estão dispostos a ficar mexendo nos investimentos ao longo dos anos, como ir fazendo saques e reinvestimentos com os títulos que possui. Isso permite turbinar os ganhos. 

Os planos de previdência, em sua maioria, rendem hoje abaixo de seu potencial, mas têm opções competitivas escondidas no mercado, contam com os benefícios fiscais próprios e, no fim da história, são uma opção mais cômoda e ainda vantajosa para quem não se sente muito seguro em gerir a rentabilidade do próprio patrimônio. 

Tesouro é opção garantida contra inflação

Uma das grandes vantagens de optar pelos títulos públicos como um investimento de tão longo prazo quanto a faculdade de alguém que ainda está nos primeiros anos da escola é que, com eles, há a possibilidade de se proteger totalmente da inflação.

É por isso que, das várias opções que o Tesouro oferece, a modalidade mais indicada pelos gestores de finanças pessoais para esse tipo de investimento é o chamado Tesouro IPCA+, que são títulos indexados ao IPCA, o indicador oficial de inflação do país. Como rendimento, eles pagam toda a inflação do período, acrescida de uma taxa de juros fixa, que, nas opções atuais, está ao redor dos 5,6%.

Quer dizer, mesmo que os preços continuem subindo pelos anos em que os pais pretendem poupar, há a certeza de que eles ganharão o suficiente para, na média, cobrir a inflação e ainda ganhar algo em cima.

Os títulos existem tanto nas opções que pagam juros semestrais quanto nas que não pagam. São pequenos adiantamentos do total que o investidor pode ir recebendo ao longo da vida do título. Como a ideia original, aqui, é acumular o máximo ao longo de um período para usar o dinheiro apenas ao final, o ideal é ficar na opção sem os juros semestrais, já que eles podem pagar taxas de imposto maiores.

Sacar antes pode causar perda de dinheiro

A cobrança de IR nos títulos, feita sobre os rendimentos, é regressiva e vai de 22,5%, para saques até 180 dias após a aplicação, a 15%, para quem só pegar o dinheiro de volta depois de 720 dias.

O IPCA+ tem hoje opções com vencimento em 6, 17 e  27 anos. Quer dizer, ajusta-se a várias fases da vida dos jovens. O problema é que se, por alguma razão, a família precisar do dinheiro antes do prazo. O rendimento contratado deixa de valer e passa a depender do valor dos títulos no momento da venda, que varia conforme a conjuntura econômica do país e pode até sair abaixo do valor inicialmente investido.

"Os títulos oscilam conforme os movimentos do mercado e valem a pena para quem tem algum conhecimento e está disposto a fazer uma gestão mais ativa dos investimentos", disse Nazareth, da Azimut.

A aquisição de títulos públicos deve sempre ser feita por meio de um banco ou uma corretora. Para comprar para os filhos menores de idade, portanto, será necessário abrir uma conta no nome deles, mantendo os pais com cotitulares, o que lhes permite fazer as movimentações.

Escolha entre VGBL e PGBL na previdência privada

Para quem quer ter que se preocupar menos ao longo desses anos ou simplesmente não se sente seguro em fazer esse acompanhamento, a previdência privada passa a ser uma alternativa mais interessante.

"Ir para a previdência privada nada mais é do que contratar um gestor profissional que fará isso para você, contando com todos os benefícios fiscais que a previdência traz", disse Nazareth.

A primeira decisão ao comprar um plano de previdência privada é escolher entre suas duas grandes modalidades, o VGBL e o PGBL. A vantagem do primeiro é que a dedução dos impostos, na hora do resgate, acontece apenas sobre o rendimento, enquanto, no segundo, a dedução é feita sobre o valor total que houver em conta.

O PGBL, porém, tem a opção de ser abatido na declaração anual do Imposto de Renda, o que faz com que acabe sendo vantajoso para um público específico, de pessoas que fazem a declaração do IR pelo modelo completo.

Fazer em nome do pai ou do filho?

Hoje, a maior parte dos bancos e seguradoras já oferecem opções de se adquirir um plano de previdência diretamente no nome dos filhos, e, enquanto eles são menores, os pais ficam como responsáveis legais, o que lhes dá o direito de fazer as movimentações na conta. Nesse caso, a melhor opção é o VGBL.

Outra opção, entretanto, é adquirir o plano no nome do pai ou da mãe e incluir os filhos como beneficiários. Essa alternativa tem a vantagem de não precisar de uma conta para cada irmão, já que todos podem ser incluídos como beneficiários na mesma, a qualquer momento.

Além disso, os pais que fazem a declaração do IR pelo modelo completo podem colocar o plano em seu nome pelo modelo PGBL e abater do imposto parte ou a totalidade de tudo o que aplicar ano a ano naquela conta (o limite de abatimento é de 12% da renda total anual).

O grande diferencial da previdência privada, porém, está na possibilidade de chegar a um desconto menor de IR, de 10% na hora do resgate. É o que acontece para as opções que adotam a tabela regressiva de imposto: por ela, a cobrança de IR varia de 35%, para resgates feitos antes de dois anos, até os 10%, nos resgates após dez anos ou mais.

Conheça as opções de investimento do Tesouro Direto

TV Folha

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