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Investidor de fundos está pagando menos taxas, mas bancos ganham mais

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

30/01/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Gestores e bancos reduzem taxas de administração cobradas de clientes dos fundos de investimentos
  • Concorrência maior entre bancos e novas gestoras de recursos digitais favorecem corte de taxas
  • Apesar de redução das taxas, há espaço para mais barateamento, dizem consultores

A maior concorrência entre bancos e gestores digitais está levando o mercado a reduzir as taxas de administração cobradas em fundos de investimentos. Mas os bancos estão ganhando proporcionalmente mais, então poderiam ainda fazer um corte maior nas taxas, afirmam profissionais de mercado.

Levantamento da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais), mostra que a taxa média cobrada pelos bancos e outros gestores de recursos para fundos de renda fixa mais populares, aqueles disponíveis para investidores que têm até R$ 1.000 para a aplicação inicial, caíram de 2,82%, em 2015, para 1,93%, em 2019. O ganho dos bancos, no entanto, saltou de 20% para 48% do rendimento obtido pelo investidor.

Esse movimento de redução das taxas foi menos intenso nas categorias de fundos multimercados e de ações. Segundo o presidente da Anbima, Carlos Ambrósio, isso ocorre porque os produtos apresentam diferentes valores agregados, sendo que alguns têm a necessidade de investir mais em times de análise e de pesquisa, o que representa custos para os gestores de recursos. "Mas sim, está havendo uma queda das taxas no mercado. O mercado está se ajustando", afirmou o representante da entidade que representa mais de 650 gestores, de grandes bancos a novas firmas digitais.

Bancos estão ganhando mais

Consultores dizem que há espaço para mais redução das taxas. Isso por causa da forte redução que ocorreu com a taxa básica de juros, a Selic, que baliza o CDI, a principal referência das aplicações em renda fixa do país. "O mercado vem se mexendo para atender ao investidor, especialmente na questão das taxas de administração. Mas esse movimento depende da pressão do investidor", disse a fundadora da casa de análise Spiti, Luciana Seabra.

A analista destaca que os juros que remuneram as aplicações caíram mais que as taxas que os bancos cobram para oferecer o serviço aos clientes. Assim, uma parte maior do ganho está ficando com o prestador do serviço e não com o dono do dinheiro.

Para ter um exemplo, há três anos, quando a taxa básica de juros estava em 14,25% ao ano, os fundos de renda fixa tradicionais tinham um rendimento bruto (sem descontar impostos e taxas) ao redor de 14% ao ano. Assim, uma pessoa que tivesse R$ 1.000 aplicados, iria ganhar ao redor de R$ 140,00 em 12 meses. Com uma taxa de administração de 2,82%, a parte do banco seria de R$ 28,20.

Hoje, com a Selic em 4,25%, o mesmo fundo vai render cerca de 4%, dando ao aplicador um ganho anual bruto de R$ 40,00. Com uma taxa de administração de 1,93%, uma fatia de R$ 19,30 fica com o banco. Ou seja, a parte da instituição financeira no ganho total subiu de 20,14% para 48,25%, mesmo com uma taxa de administração menor.

Seabra afirma que o cliente tem sempre que comparar o rendimento do fundo dele com o indicador que o gestor diz usar como referência. Nos fundos de renda fixa, a referência é o CDI; nas carteiras de ações, é o Ibovespa. "Se o ganho do investidor está muito abaixo da referência usada pelo gestor é porque uma boa parte do ganho está ficando com o banco", diz a analista da Spiti.

Concorrência

O sócio diretor do banco digital Modalmais, Ronaldo Guimarães, afirma que a queda das taxas deve seguir ocorrendo por causa da maior concorrência, em especial com o surgimento das novas plataformas digitais de investimentos, que oferecem centenas de fundos de investimentos que antes estavam disponíveis apenas para quem tinha muito dinheiro, mais de R$ 1 milhão para aplicar.

Com mais produtos de investimento disponíveis para mais pessoas, as aplicações nos fundos estão crescendo. Apenas em 2019, a indústria de fundos de investimentos no Brasil teve captação líquida de R$ 191,6 bilhões, mais do que o dobro registrado no ano anterior (de R$ 95,4 bilhões). Esse movimento levou o patrimônio total do mercado para R$ 5,414 trilhões.

E o número de gestores associados à Anbima também vem aumentando: saltou de 550, em 2015, para 650, em 2019. Com maior disputa, as taxas cobradas dos clientes tendem a seguir diminuindo, afirma o ceo da Pi Investimentos, Felipe Bottino.

"Apesar do surgimento de muitas fintechs e corretoras digitais nos últimos anos, as taxas do mercado de fundos continuam altas, girando em torno de 2%", afirma o executivo da plataforma de investimentos.

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