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O que é e como funciona uma gestora de investimentos

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Fernando Damasceno

Fernando Damasceno

Especialista em fundos na área de research do banco digital modalmais. Possui mais de 15 anos de experiência no mercado financeiro. Iniciou sua carreira na consultoria de riscos Riskoffice. Foi riskmanager e gestor de fundo quantitativo da Mapfre investimentos. Foi gestor de riscos em gestoras renomadas do mercado financeiro e é atuário pela Pontifícia universidade Católica (PUC)

07/12/2020 18h22

As gestoras de fundos de investimentos ainda são bastante desconhecidas por muita gente, que não compreende muito bem o funcionamento destas instituições e os principais serviços oferecidos por elas. O objetivo é tentar aproximar você, caro leitor, deste segmento cada vez mais procurado pelos investidores.

O que é uma gestora de investimentos?

Muito provavelmente você já ouviu falar em gestoras de fundos investimentos, ou asset management como é conhecido no mercado fora do Brasil. Este segmento teve início no Brasil em meados da década de 60 e passou a ganhar espaço nas últimas duas décadas, graças à democratização do acesso aos diversos produtos de investimentos, ao crescente número de gestoras independentes, às regras mais claras dos órgãos reguladores e principalmente à procura dos investidores por alternativas aos produtos oferecidos pelos bancos tradicionais.

Mesmo frente a um mercado ainda monopolizado pelos grandes bancos, este é um segmento que vem crescendo e deve crescer substancialmente nos próximos anos, principalmente pela atual conjuntura econômica de manutenção dos juros básicos em patamares baixos, o que torna o mercado de fundos mais atrativos para quem busca obter uma rentabilidade melhor dos que as aplicações tradicionais.

Mas afinal, o que faz uma gestora de fundos de investimentos? Uma gestora de investimentos é uma instituição autorizada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) —órgão responsável em fiscalizar o mercado brasileiro de valores mobiliários— que atua na gestão de carteiras de fundos de investimentos. Em outras palavras, é a instituição responsável por aplicar seu dinheiro no mercado de valores mobiliários visando obter lucros e administrar bem o seu patrimônio.

Não iremos entrar no mérito do que é necessário para a constituição de uma gestora de investimento, mas abordar a estrutura, quais são as responsabilidades das principais áreas de uma gestora e de como funciona todo o processo e as etapas desde a tomada de decisão de alocação de ativos financeiros nos fundos de investimentos até o produto final, que é a cota dos fundos de investimentos gerido pela gestora.

Mas antes, brevemente, vale ressaltar quais são as exigências legais a que as gestoras são submetidas e que consideramos um ponto importante, que traz a você, investidor, transparência e uma certa confiança na hora que decidir efetuar uma alocação.

Os itens que permitem o funcionamento de uma gestora de recursos passam pela regulação e autorização de suas atividades pela CVM em parceria com a Anbima, a partir de um convênio estabelecido entre as duas instituições em 2018. Para seguir com a solicitação de autorização por parte da CVM, a gestora precisa atender as exigências mínimas da Instrução CVM 558, que estabelece as normas para a constituição, administração, funcionamento e divulgação de informações para os fundos de investimentos.

Em paralelo, a Anbima é uma entidade privada e funciona como uma associação que representa as instituições dos mercados financeiros e de capitais brasileiros, como bancos, gestoras de recursos, distribuidoras, entre outros agentes. Além de defender o interesse dos membros desse setor, a Anbima é uma entidade de autorregulação voluntária, que elabora regras e procedimentos por meio dos Códigos Anbima, a fim de estimular as melhores práticas no mercado.

Dito tudo isso, a competência e o gerenciamento ativo destas instituições nos levam a ter uma certa tranquilidade e maior confiança na hora de decidir sobre efetuar suas alocações; e fica como dever de casa procurar saber se a instituição que está procurando investir seu dinheiro está de acordo com esses órgãos reguladores.

Estrutura e diferentes áreas

Assim como em qualquer empresa de qualquer ramo, um dos pontos fundamentais para determinar o sucesso ou fracasso de uma gestora de recursos é seu capital humano, a qualidade da equipe operacional atrelada a uma estrutura organizacional e processos muito bem definidos. Consideramos estes pontos como cruciais, pois gerir recursos é uma atividade que requer muita disciplina nas estratégias traçadas por cada gestora.

Uma gestora de recursos, geralmente, é dividida em duas áreas principais: front office e operations.

Front office

Realiza a gestão e a comercialização dos ativos, subdivida entre área de gestão de portfólio e relacionamento com o investidor.

A área de gestão de portfólio é encarregada em efetuar a análise de cenários e, através de estratégias, decidir as alocações dos ativos financeiros que irão compor a carteira de investimentos dos fundos. É composta basicamente por portfólio managers, traders e economistas e/ou analistas financeiros.

O gestor da carteira ou portfólio manager é o responsável por efetuar os investimentos dos ativos financeiros na carteira dos fundos. É quem decide em quais mercados e quais ativos financeiros deverão ser realizadas as operações financeiras e quando e quanto comprar ou vender de cada ativo, sempre buscando respeitar os mandatos dos fundos, levando em consideração a busca por estratégias vantajosas da relação retorno/risco.

O trader é quem realiza as operações de compra e venda dos ativos, de acordo com as orientações e tomadas de decisões do portfólio manager.

A área econômica que normalmente é composta por um economista-chefe e seus analistas é quem dá suporte a equipe de gestão, por meio de estudos de cenários macro e microeconômicos, fornecendo relatórios e informações que auxiliam os gestores nas tomadas de decisões.

Já a área de relacionamento com investidor é responsável pela captação e aplicação de recursos financeiros de terceiros para os fundos de investimentos. Nesta hora é importante ressaltar que os responsáveis pela captação de recursos precisam, por meio de critérios de suitability estabelecido pelos órgãos reguladores, auxiliar e classificar seus investidores em pelo menos três perfis de riscos.

No perfil 1, estarão os investidores que declaram baixa tolerância a risco e que priorizam alta liquidez. O perfil 2 engloba aqueles com média tolerância, que querem preservar o capital no longo prazo e com disposição para destinar parte dos seus recursos para investimentos de maior risco. Por fim, o perfil 3 incluirá os que aceitam potenciais perdas em busca de maiores retornos.

Operations

Se concentra em realizar a supervisão e o gerenciamento das operações que são realizadas pelas áreas de front office, onde é subdivida em middle office, back office, riscos e compliance.

A área de back office é responsável pelo processamento e liquidação tanto dos ativos financeiros que farão parte da carteira dos fundos, como também das aplicações e resgates dos investidores dos fundos.

Assim como o back office, a área de middle office está envolvida nas operações de uma gestora de recursos e garante a execução adequada das transações. É papel desses profissionais assegurar que os recursos negociados durante as transações sejam processados, registrados e atendidos.

Riscos e compliance são áreas consideradas cruciais e grande diferencial, pois são responsáveis pelo cumprimento de regras, políticas, procedimentos e controles internos da gestora, monitorando os perfis e exposição de risco da carteira dos fundos, para que estes respeitem seus mandatos. Devem exercer suas funções com independência e de forma totalmente desvinculada da área de investimentos e gestão de recursos.

Para quem procura investir em fundos de investimentos, é essencial entender como funciona e como ocorre a integração entre todas as áreas por meio dos manuais que as próprias gestoras disponibilizam em seus sites, e sua estrutura organizacional, bem como verificar se elas estão aderentes aos códigos dos órgãos reguladores.

Quando for tomar a decisão de investir, certifique-se que sua alocação de recurso foi feita de forma estratégica e precisa, lembrando sempre de ajustar seus investimentos ao seu perfil de risco de acordo com os fundos selecionados.

E por fim, selecionamos três boas sugestões de fundos que vêm obtendo excelentes e eficientes performances para vocês:

Modalmais Lion Fim Crédito Privado - perfil conservador

É uma opção para o investidor de perfil conservador que busca uma rentabilidade acima da poupança ou renda fixa tradicional (CDI). Trata-se de um fundo com alta liquidez, pois, a partir do momento que o investidor solicitar o resgate, o dinheiro entra na sua conta corrente no próximo dia útil. O fundo ainda conta com baixíssima volatilidade e pouca concentração de crédito privado no seu portfólio.

Vinci Valorem Fim - perfil moderado

Gerido pela equipe da Vinci Partners, uma das maiores gestoras independentes do país com mais de R$ 45 bilhões sob gestão, é um fundo de perfil moderado com estratégia focada em renda fixa. O fundo conta majoritariamente por posições atreladas a índices de inflação, como Notas do Tesouro Nacional (NTN-B) ou Contratos Futuros de Cupom de IPCA (DAP), mas podendo também efetuar operações em diversas classes de ativos financeiros disponíveis nos mercados de renda fixa, cambial e derivativos, negociados nos mercados interno.

A1 Hegde FIC Fim - perfil agressivo

A gestora teve início em abril de 2020, conta com profissionais com mais de 20 anos de experiência no mercado de asset management e é liderada por Marcello Siniscalchi, ex-Head da Itaú Asset. Alinhados para geração de retornos excedentes ("alpha"), cada gestor tem seu book e orçamento de riscos individuais para expressão de suas teses de investimentos.

O fundo tem um book consensual sob responsabilidade do Marcello Siniscalchi para tomada de decisões de posicionamento ou hedge, buscando-se o equilíbrio do portfólio como um todo. O fundo começou no meio da crise causada pela pandemia do coronavírus e vem obtendo resultados significativos já acumulando por volta de 18% no ano de 2020, o que justifica a excelente equipe de gestão formada.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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